Mostrando postagens com marcador Profecias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Profecias. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de março de 2016

Dois Messias de Israel?


"Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si;...Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados... Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca... E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão." extraído de Isaías 53


Há muito que os Cristãos têm usado o capítulo 53 de Isaías como ferramenta de evangelização dos judeus, uma vez que o texto descreve o sofrimento, morte e ressurreição do Messias com detalhes que se assemelham tremendamente com o que aconteceu com Jesus séculos depois. Em resposta, os judeus costumam afirmar contundentemente que tal texto não se refere ao Messias, mas sim à nação de Israel, pois o Servo do Senhor nos capítulos anteriores parece referir-se a Israel.

Um judeu certa vez me disse que tal passagem nunca havia sido interpretada pelos rabinos como referindo-se ao Messias. Bem, isso não é verdade. No passado, muitos rabinos identificaram essa passagem com o Messias, e é isso que quero deixar claro neste post. Para isso, vou repetir meu expediente do post "O pré-milenismo Judaico", fazendo uso do impressionante trabalho de Raphael Patai, "The Messiah texts", Wayne State University Press, 1988, que consiste de uma coletânea de textos messiânicos e escatológicos da literatura judaica dos últimos três mil anos, incluindo o Velho Testamento, Talmud, Targum, Midrash, Zohar, etc. Patai é um historiador e antropologista reconhecido internacionalmente, com doutorados pela Universidade Hebraica de Jerusalém e pela Universidade de Breslau, além de ter sido ordenado no Seminário Rabínico de Budapest.

Sobre Isaías 53, Patai é bem claro:

"Este grande poeta-profeta [Isaías] falou repetidamente sobre o 'Servo do Senhor', descrevendo a chamada, missão, sofrimento, morte e ressurreição deste misterioso indivíduo (Is 42:1-4; 49:1-6; 50:4-9; 52:13-53:12). Quanto à identidade desse 'Servo', não existe consenso entre os estudiosos até hoje. Entretanto, a Aggada, uma lenda Talmúdica, identifica-o, sem hesitação, com o Messias e entende a descrição do seu sofrimento como referindo-se ao Messias filho de Davi", Patai, pp. xxiii.

Sobre a morte do Messias, Patai continua,

"Uma profecia de Daniel...fala da morte do Messias sessenta e duas semanas (proféticas) após sua vinda e após o retorno e a reconstrução de Jerusalém (Dn 9:24-26).", pp. 166.

"Quando a morte do Messias se tornou um fato estabelecido nos tempos Talmúdicos, sentiu-se que isso era irreconciliável com a crença no Messias como Redentor que iria inaugurar o milênio de bênçãos da era Messiânica. O dilema foi resolvido separando-se a pessoa do Messias em duas: uma delas, chamada de Messias filho de José, cairia vítima de Gog e Magog. O outro, Messias filho de Davi, virá após ele (em algumas lendas ele o traz de volta à vida, o que psicologicamente aponta para a identidade dos dois).", pp. 166.

Note-se que existe certa confusão sobre se os dois Messias mencionados acima são duas pessoas distintas ou se um é a ressurreição do outro. Com relação a isso, o texto a seguir usa a ênfase que o Talmud dá na comparação entre Moisés e o Messias, de onde os sábios judeus concluem que o Messias virá duas vezes:

"Assim como Moisés morre antes de entrar na Terra Prometida, o Messias também precisa morrer antes de sua missão ser completada, mas ele também precisa viver para poder se assentar no trono de Davi em Jerusalém. Portanto, dois Messias precisam aparecer, um após o outro. O primeiro, Messias filho de José, é morto... por Armilus... Mas, então, ele volta à vida... O Messias filho de Davi aparece... e o ressuscita. Uma vez que nada mais é dito sobre ele [Messias filho de José] após sua ressurreição, o que se deve entender é que... ele, como filho de José, irá morrer no fim dos tempos, mas então irá voltar à vida como o Filho de Davi e completar a missão que ele começou na sua encarnação anterior.", Patai, pp. xxxiii.

O nome 'Messias filho de José' coincidentemente aplica-se a Jesus, filho de José. Na literatura rabínica, ele deve-se à profecia de sua vinda dada à sua ancestral, Raquel. "Quando, após anos de esterilidade, Raquel finalmente deu a luz a um filho, ela o chamou de José (Yosef), dizendo, 'Que o Senhor me acrescente [yosef] ainda outro filho' (Gn 30:24)." Como Raquel não teve outro filho, "um fragmento de Midrash explica: 'Logo, [sabemos] que o Ungido da guerra surgirá no futuro a partir de José...[E Raquel disse:] Deus tirou [asaf] meu opróbrio (ibid. v. 23) - porque foi profetizado a ela que o Messias viria dela'.", Patai, pp. 165.

Para nós, Cristãos dispensacionalistas, Yeshua ben Yosef (Jesus filho de José) é Mashiah ben Yosef e voltará como Mashiah ben David (Messias filho de Davi) para esmagar Armilus (o Anti Cristo) e inaugurar o Milênio de paz sobre Israel. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

"Eu, pois, ouvi, mas não entendi; por isso eu disse: Senhor meu, qual será o fim destas coisas? E ele disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim. Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; mas os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão.", Dn 12:8-10

domingo, 25 de janeiro de 2015

O Pré-milenismo Judaico

Para se entender certas coisas na Bíblia, é importante conhecer como pensavam os judeus na época de Jesus e o que eles esperavam do Messias. Por que os discípulos tinham tantas expectativas quanto ao Reino de Deus (veja o post Pedro era amilenista?) e se decepcionaram tanto com a morte de Jesus (veja Lc 24:21)? O que os fariseus esperavam do Cristo e por que as respostas de Jesus os confudiam tanto?

Curiosamente, uma leitura de antigos textos do Judaísmo revela uma incrível semelhança com a visão dispensacionalista da Bíblia. O presente artigo faz uso do impressionante trabalho de Raphael Patai, "The Messiah texts", Wayne State University Press, 1988, que consiste de uma coletânea de textos messiânicos e escatológicos da literatura judaica dos últimos três mil anos, incluindo o Velho Testamento, Talmud, Targum, Midrash, Zohar, etc. Patai é um historiador e antropologista reconhecido internacionalmente, com doutorados pela Universidade Hebraica de Jerusalém e pela Universidade de Breslau, além de ter sido ordenado no Seminário Rabínico de Budapest. A seguir, comparo alguns textos bíblicos e sua interpretação dispensacionalista com a visão dos rabinos antigos a respeito de sete tópicos ligados à escatologia (a doutrina do fim dos tempos). É bom enfatizar que não endosso a tradição extra-Bíblica do Judaísmo atual como se fosse cristã, pois a mesma contraria o Cristianismo em muitos pontos. No entanto, dentro de certas áreas encontramos surpreendentes coincidências entre a Palavra de Deus e os escritos dos rabinos. Estes textos são importantes, também, para esclarecer dúvidas daqueles que acham que as interpretações dispensacionalistas apresentadas abaixo nasceram com John Nelson Darby no século XIX.


A) O anticristo, os sete anos de Tribulação e o quadro geral dos últimos tempos

"E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador", Dn 9:27a

"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus...E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda", II Ts 2:3-4,8

Interpretação dispensacionalista: Nos últimos tempos haverá apostasia e degradação moral da sociedade (em contraste com o quadro otimista pintado pelos pós-milenistas). Haverá sete anos de Grande Tribulação, onde o Anticristo governará e será adorado como deus. Ele virá das nações do antigo Império romano. Então, o verdadeiro Messias o destruirá e virá para reinar.

Os rabinos: 

"Ocorrerão cataclismas cósmicos: pestilência, fome, terremotos, neve e saraiva, relâmpagos e trovões...insolência, roubos, heresias, prostituição, corrupção, opressão, leis cruéis, falta da verdade e falta de temor de pecar. Tudo isto levará a uma degradação interna, desmoralização e apostasia. As coisas chegarão a tal ponto que as pessoas desesperarão da Redenção. Isto durará sete anos. Então, inesperadamente, o Messias virá", Patai, pp. 96

"No sexto ano do septenário Messiânico, sons serão ouvidos; no sétimo, haverá guerras, e ao final do sétimo, o Filho de Davi virá. Guerras são o princípio da redenção", B. Meg. 17b

"Eles o chamam de Armilus. E ele irá a Edom (Roma) e dirá a eles: 'Eu sou o seu Messias, eu sou o seu deus!'. E ele os enganará e eles instantaneamente acreditarão nele, e o farão seu rei" T'fillat R. Shim'on ben Yohai, BhM 4:124-26

Note que os judeus chamam o anticristo de Armilus, dentre outros nomes.


B) A mulher e o dragão

"E VIU-SE um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça...E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias...E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem. E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.", Ap 12

Interpretação dispensacionalista: A mulher é a nação de Israel, 1260 dias são os três anos e meio finais da Tribulação, o dragão é o diabo, que perseguirá Israel por meio do Anticristo. Mas Israel se refugiará no deserto.

Os rabinos:

"Então, um homem aparecerá naquele lugar e todo o Israel se ajuntará...e juntos irão àquele homem, Armilus, que dirá 'Eu sou o Messias, seu rei e seu príncipe'...Então todo o Israel se ajuntará e irá para o deserto de Efraim...e invocará Deus...e o rei maligno se enfurecerá e ordenará que eles sejam mortos...e os filhos de Israel...irão para o deserto e levantarão suas vozes...e clamarão a Deus...Então, Deus lhes enviará Sua misericórdia e abrirá as janelas do céu." Ma'ase Daniel, pp 222-25


C) Os dez chifres da besta

"E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta. Estes têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta.", Ap 17:12,13

Interpretação dispensacionalista: Os dez chifres são dez reis de nações que formavam o antigo Império Romano, que darão apoio ao Anticristo.

Os rabinos: 

"...virá Armilus e ele governará todo o mundo...E todos os que não acreditarem nele morrerão...E ele virá à terra de Israel com dez reis...E haverá sofrimento em Israel como nunca houve no mundo. E eles fugirão para as fendas e cavernas nos desertos. E todas as nações do mundo seguirão aquele maligno, o satânico Armilus, exceto Israel.", Sefer Zerubbabel, BhM 2:54-57


D) O Armagedom e a Segunda Vinda

"E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça....E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava
assentado sobre o cavalo, e ao seu exército...E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes.", Ap 19:11,19,21

Interpretação dispensacionalista:
ao final da Tribulação, o Messias virá e vencerá os exércitos do Anticristo com sua palavra e as aves se alimentarão de seus cadáveres.

Os rabinos: 

"Gogue e Magogue subirão contra a terra de Israel...e dirão... 'lutarei contra seu Deus primeiro e depois os aniquilarei'", Mid. waYosha', BhM 1:56

"E o Nome, bendito seja Ele, descerá sobre o Monte das Oliveiras, e as montanhas se separarão...e Ele lutará contra aquelas nações como um homem de guerra...E o Messias Filho de Davi virá...e matará Armilus.", Sefer Zerubbabel, BhM 2:54-57

"haviam se ajuntado dos quatro ventos do céu uma multidão inumerável de homens para guerrearem contra aquele Homem...ele enviou da sua boca uma corrente de fogo...e esta caiu sobre a multidão...e queimou a todos...", 4 Ezra 13:1-9, 25-26, 35-36

"E o Santo, bendito seja, ajuntará todas as aves do céu e as feras da terra para comerem suas carnes e beberem seu sangue", Sefer Eliyahy, BhM 3:65-67


E) O Milênio


Existem textos demais falando sobre o Milênio na literatura rabínica. Por falta de espaço, vou me restringir a um texto que menciona uma das inúmeras previsões (fracassadas, é claro) sobre a época do início do Reino do Messias.

Os rabinos: "Felizes serão todos aqueles que permanecerão no mundo ao final do sexto milênio para entrar no [milênio do] Sabbath...", Zohar 1:119a

Infelizmente, tal interpretação do Reino de Deus como sendo o sétimo Milênio do planeta terra também já foi defendida por alguns dispensacionalistas no passado.


F) O diabo e os ímpios lançados no lago de fogo

"E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta...E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.", Ap 20:10,15

Interpretação dispensacionalista: No fim do Milênio, Cristo lançará o diabo no lago de fogo. Logo em seguida, após o Juízo Final, os ímpios terão o mesmo destino.

Os rabinos:

"Quando Satanás viu o Messias, ele tremeu, caiu sobre seu rosto e disse 'deveras, este é o Messias que no futuro irá me lançar e a todos os príncipes das nações do mundo no Gehenna'", Pes. Rab. pp. 161a-b


G) A nova Jerusalém

"E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.", Ap 21:1

"E as doze portas eram doze pérolas; cada uma das portas era uma pérola;", Ap 21:21a

Interpretação dispensacionalista: Após o Juízo Final, na nova terra haverá uma nova cidade de Jerusalém vinda do céu, cujos portões serão pérolas gigantes.

Os rabinos:

"E todo o Israel achará favor aos olhos de Deus. No lugar da Jerusalém destruída, Ele baixará para eles uma Jerusalém dos céus", Ma'ase Daniel, pp 225

"No futuro, o Santo, bendito seja Ele, trará pedras preciosas e pérolas de trinta por trinta côvados em tamanho e irá perfurar nelas aberturas de dez por vinte, e as porá nos portões de Jerusalém", B. Bab. Bath. 75a


Conclusão


É impossível uniformizar os ensinos rabínicos sobre os últimos tempos, pois, além do estudo do Velho Testamento, eles se baseiam em diversas visões, lendas e mitos. Contudo, os textos que expus neste artigo resumem o quadro geral defendido por muitos deles. Com toda esta semelhança entre o dispensacionalismo e o judaísmo, devida a uma interpretação literal das profecias do Velho Testamento, pode-se perguntar se os dispensacionalistas não entenderam erradamente a Bíblia, assim como os judeus nos tempos de Cristo. De fato, até hoje os judeus usam o argumento de que Jesus não cumpriu as profecias Messiânicas para negar que Ele era o Cristo. Para entender a resposta a este argumento, vale a pena estudar o que os rabinos antigos diziam sobre os textos que falam sobre o sofrimento e morte do Messias. Mas isso fica para um próximo artigo.

p.s. As referências completas para as abreviações acima podem ser encontradas no livro do Prof. Patai.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Pedro era Amilenista?

Muitos Cristãos hoje em dia são Amilenistas, ou seja, não acreditam no Milênio. Acham que Jesus nunca vai reinar sobre a nação de Israel e que todas as profecias do Velho Testamento sobre a descendência de Abraão, Isaque, Jacó e Davi se cumprem figuradamente na Igreja ou, simplesmente, nunca se cumprirão. Para eles, a Igreja substituiu (anulou) Israel como nação de Deus na terra. Ou, então, acham que a Igreja é a continuação de Israel em todos os sentidos proféticos.

Com relação a essa posição, vale fazer algumas perguntas para se "pensar na cama":

De quem recebemos as doutrinas da Igreja?

Resp: De Jesus.

Quem Ele comissionou para comunicá-las a nós?

Resp: Os apóstolos.

Quando eles aprenderam essas doutrinas?

Resp: Durante Sua vida e durante os 40 dias após Sua ressurreição, quando Ele ensinou-lhes a entenderem as profecias do Velho Testamento e como aplicá-las corretamente.

Você não acha curioso que, mesmo após aproximadamente 3 anos de ministério antes da morte, mais 40 dias de ensino intensivo após a ressurreição de Jesus, os discípulos ainda mantivessem o conceito judaico de que o Reino de Deus seria a restauração literal do Reino a Israel?

"Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?", At 1:6.

E qual foi a resposta de Jesus? Por acaso Ele disse que eles tinham entendido tudo errado e que o Reino nunca mais seria restaurado a Israel? Não foi isso o que Ele disse, mas

"Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.", At 1:7.

Ele apenas disse que não lhes competia saber o tempo, mas não negou a restauração do Reino Davídico. Sendo assim, não é de estranhar que Pedro, em seu discurso em Atos 3, tenha citado os profetas do Antigo Testamento para exortar os judeus a se arrependerem para que o Cristo voltasse e restaurasse todas as coisas:

"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor, E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio. Porque Moisés disse aos pais: O Senhor vosso Deus levantará de entre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser. E acontecerá que toda a alma que não escutar esse profeta será exterminada dentre o povo. Sim, e todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também predisseram estes dias. Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus fez com nossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.", At 3:19-25 (ênfase minha).

Note que Pedro está se dirigindo à nação de Israel, não à Igreja, como sendo os filhos da aliança aqui. Aparentemente, Pedro acreditava que se Israel se arrependesse, o Cristo retornaria e inauguraria o Reino, onde todas as nações da terra seriam abençoadas. Claramente, Pedro considera que os "tempos da restauração de tudo" são uma época ainda futura, à parte do que já acontecera em Pentecostes.

Não sei qual é a sua posição sobre isso. Quanto a mim, ninguém tirará minha esperança, pois como filhos de Abraão segundo a fé, Deus nos reservou posição de destaque neste Reino:

"E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações, E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai.", Ap 2:26-27.

"e reinaram com Cristo durante mil anos.", Ap 20:4b.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A vinda de Cristo e as profecias de Daniel


Palestra ministrada por Erico Rempel na ABU do Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA. Previsões bíblicas sobre as duas vindas de Cristo, incluindo a data de Sua morte.

sábado, 18 de outubro de 2014

Vinho novo em odres velhos?

Qual a diferença entre o significado dos sacrifícios do Velho Testamento e o sacrifício de Cristo? O Cristão deve guardar a Lei de Moisés? Os sacrifícios levíticos voltarão a ser praticados no Milênio? Este é um dos pontos doutrinários mais complicados para todo Cristão dispensacionalista.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Vídeo blog: O Milênio


Quem entrará e quem ficará de fora do Reino de Cristo na terra? O que isso nos ensina sobre o arrebatamento pré-tribulacionista? Quais são as bases do pré-milenismo, pós-milenismo e amilenismo?

sábado, 23 de agosto de 2014

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Vídeo blog: A mulher montada sobre a besta


Descrição dos eventos que ocorrerão na Grande Tribulação, com ênfase nas 7 taças de Apocalipse 16 e o julgamento da meretriz de Apocalipse 17, Babilônia, a Grande.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Escatologia

A Bíblia pode ser usada para prever o futuro? Existe evidência experimental disso? Existe diferença entre Reino de Deus e Reino dos Céus? Você sabia que, além do Juízo Final, a Bíblia menciona outros cinco juízos para o fim dos tempos?

Escatologia é o estudo das profecias dos últimos tempos, onde as cortinas se abrem diante de nossos olhos para entendermos o presente e o futuro do planeta Terra. O capítulo 10 da apostila de Teologia Sistemática acaba de sair do forno e traz, entre outros tópicos, um entendimento bíblico do que é o Reino de Deus, da diferença entre Israel e a Igreja (sem o qual é impossível compreender bem a Bíblia), a Grande Tribulação, as 70 semanas de Daniel, a trindade satânica, a mulher montada sobre a besta, pós-milenismo, pré-milenismo, amilenismo, preterismo, pré-tribulacionismo, meso-tribulacionismo, pós-tribulacionismo, arrebatamento parcial e muito mais.

Basta acessar o link abaixo:

Apostila de Teologia Sistemática

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Você é cabeça ou escória?

"E o Senhor te dará abundância de bens no fruto do teu ventre, e no fruto dos teus animais, e no fruto do teu solo, sobre a terra que o Senhor jurou a teus pais te dar. O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado. E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.", Dt 28:11-13

"Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens...Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, E nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; Somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos.", I Co 4:9-13

E aí, o que você vai ser? Cabeça ou escória? Vai ser como Davi, que morava num palácio, ou como Jesus, que não tinha onde reclinar a cabeça? Como o rico que foi pro inferno ou como Lázaro, que foi pro seio de Abraão?

Na Bíblia, assim como na vida, você vai ver ambos os tipos de pessoas servindo a Deus fielmente, ricos e pobres; saudáveis e doentes; estéreis e mães. Então, o que fazer do texto de Deuteronômio 28? Se Deus prometeu riquezas, por que temos pobres na igreja? Mesmo entre os mais fieis? Os Neo-Pentecostais vão dizer que é por falta de fé nestas promessas específicas, mas os textos do Novo Testamento não dizem isso. Aliás, dizem que:

"Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.", I Tm 6:9

e

"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam", Mt 6:19

Tiago 2 é outro texto importante, pois condena a discriminação contra os pobres, pois Deus os escolheu para serem ricos na fé. Sendo assim, qual é a resposta para a contradição aparente?

Na verdade, as promessas de Dt 28 só são válidas para quem guardar TODA a Lei e, a rigor, é válida para a nação de Israel, não para qualquer indivíduo. Sendo assim, as promessas se cumprirão no Milênio, quando Israel tiver a Lei "escrita em seus corações". O único jeito pelo qual consigo entender a Bíblia é por meio de uma distinção entre Israel e a igreja e entre as diferentes dispensações, ou seja, os diferentes períodos da história em que Deus revelou sistemas de regras específicas para governar a humanidade.

Um dos pontos específicos do Dispensacionalismo é que Israel e a Igreja são dois povos unidos, porém distintos. Para ilustrar as diferenças, vou reproduzir a seguir alguns trechos de uma conversa que tive com uns amigos sobre dispensacionalismo
e teologia aliancista ou do pacto (não-dispensacionalista). Alguns dos próximos parágrafos são de autoria deles.

É verdade que os autores do Novo Testamento às vezes aplicam à Igreja certos textos originalmente dados a Israel, porque viam um paralelo entre uma situação descrita no Velho Testamento e a que a Igreja vivia. É natural traçar paralelos porque em diversos aspectos Deus lida de forma semelhante com Israel, Igreja ou mesmo indivíduos. Um exemplo disso é Paulo citando Sl 44:22 e aplicando-o à igreja em Rm 8:36. Mas isto não pode ser feito indiscriminadamente; um contra-exemplo em particular são os Salmos imprecatórios, onde ódio e maldições são descarregados sobre os ímpios (e. g. Sl 69:22-28). No Novo Testamento somos ensinados a abençoar os que nos amaldiçoam, dar a outra face e amar os inimigos.

É bastante comum nos meios cristãos a visão aliancista, onde os gentios foram ajuntados aos judeus para formarem uma única nação de Israel espiritual (não terrena/política), sendo que as promessas dadas a Israel no Velho Testamento se cumprem hoje na Igreja, simbolicamente. Pra mim isso é confuso. Somos o corpo de Cristo, o povo celestial de Deus, mas as promessas do Antigo Testamento para Israel permanecem. Vou transcrever abaixo a visão dispensacionalista de Rm 11, conforme Mal Couch:

"Da raiz ou tronco de bênçãos os Judeus, que eram os ramos naturais, foram quebrados pela incredulidade e os gentios, que eram ramos de oliveira brava, foram enxertados no lugar de bênção (v. 19-20). Os israelitas serão reenxertados (na raiz de bênção) se não permanecerem em sua incredulidade  (v. 23). Um endurecimento parcial veio a Israel até que o tempo dos gentios (a época em que vivemos) se complete (v. 25). A raiz representa um local ou posição de bênção. Ela NÃO representa Israel. O texto não fala de Israel como sendo um ramo natural 'de Israel'. Isso não faz sentido. Israel, os Judeus, eram por natureza parte da oliveira, mas foram cortados por causa de incredulidade e os ramos da oliveira brava, os gentios, foram enxertados em seu lugar para receber a bênção, por meio do que eles recebem salvação. Um dia, os Judeus serão reenxertados em seu lugar de direito."

Hoje, não há diferença entre judeu e gentio com relação à salvação, pois tanto um como o outro são salvos pela graça mediante a fé em Jesus e formam um só corpo e um só povo. Mas não se pode descartar o cumprimento das promessas de restauração feitas a Israel, como Paulo mesmo diz em Rm 11:25-29:

"Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. E esta será a minha aliança com eles, Quando eu tirar os seus pecados. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento."

A maioria dos aliancistas são amilenistas e acham que Jesus não irá reinar literalmente na terra, governando sobre as nações, sendo isso interpretado como linguagem figurada que se refere à glorificação de Cristo logo após sua ressurreição e ascenção. É verdade que Jesus está assentado à direita do Pai, mas não assumiu o trono de Davi ainda, seus inimigos não foram postos por escabelo de seus pés, a igreja não possui a terra de Israel conforme as fronteiras geográficas estabelecidas no Antigo Testamento (veja a postagem A Terra Prometida), a terra não está toda cheia da glória e do conhecimento de Deus, o leão não come palha com o cordeiro, a lua não se tornou em sangue, o sol não se escureceu, o anticristo não se revelou, a pedra cortada sem auxílio de mãos humanas não o esmagou e não se tornou em um reino que cobriu toda a terra; Apocalipse foi escrito no Novo Testamento, ainda não se cumpriu e a restauração de Israel ainda é um evento futuro segundo Paulo. Quem quiser espiritualizar e inventar interpretações para todas estas profecias, que faça isto por sua própria conta e risco. Prefiro não colocar palavras na boca de Deus.

E só para não ficar nem de longe a impressão de que a Igreja de Cristo é inferior a Israel mas que os dois são conceitos bem diferentes:

Em Oséias Deus compara seu relacionamento com Israel ao de um marido com uma esposa infiel, traidora, indigna. Deus a ama, mas ela não liga a mínima para isso, por isso será punida. Em todo o Antigo Testamento o relacionamento de Deus com Israel é assim: bênçãos em troca da fidelidade, maldições em troca da idolatria. Você NUNCA vai ver isso em relação à Igreja. A igreja é a Noiva perfeita de Cristo, é limpa, imaculada, virgem. Não existe maldição para nós! É algo totalmente diferente, é tão diferente de Israel que no início os apóstolos, por vezes, pareciam não saber o que fazer com sua nova "religião". Afinal, houve muitos atritos entre eles por causa dos gentios, até que Deus revelou que somos todos um só corpo agora. Paulo teve que deixar claro o corte definitivo entre judaismo e cristianismo, colocando cada coisa no seu lugar.

O conceito importante a se lembrar é: Israel = povo terreno, Igreja = povo celestial. A eleição de Israel não tinha a ver com salvação da alma, nem regeneração, tinha a ver com Deus ter uma bandeira cravada na Terra e a preparação do caminho para a vinda de Cristo (havia salvação para os fiéis, de Israel ou dos gentios, pela graça). A eleição da Igreja é para salvação da alma e regeneração, tem a ver com peregrinos estrangeiros fazendo o trabalho de embaixadores. Nossa bandeira não é daqui.

Um dia Deus vai mostrar quem manda no planeta, e vai cravar novamente sua bandeira em Jerusalém, através de uma nação bem melhor do que o Israel do Velho Testamento, pois a Lei estará escrita em seus corações, algo somente possível após a vitória de Cristo na cruz. Mas eu não sou desse povo, e não preciso disso. Sou cidadão do Céu e já tenho essa vitória hoje!

Entendo que a salvação pela graça sempre existiu, mas a nova aliança foi feita no Calvário. Os indivíduos da igreja (judeus + gentios) recebem as bênçãos espirituais da nova aliança e a nação de Israel recebe as bênçãos terrenas. A igreja não substitui Israel, a nova aliança é que substitui a velha. Como a igreja nunca recebeu as bênçãos terrenas prometidas a Abraão e repetidas na nova aliança, estas se cumprirão no futuro sobre a nação de Israel. Isso só é complicado de entender se alguém assumir de antemão que Israel nunca será restaurado como nação de Deus. Se este preconceito cair, as promessas e profecias farão muito mais sentido. Alguém aqui acha que Jesus está reinando do trono de Davi com vara de ferro, esmagando as nações?

O que foi escrito a Israel serve de lição para nós, e é por isso que os autores do Novo Testamento usam o Antigo Testamento da forma como usam. Mas manter as diferenças entre Israel e a Igreja ajudam a fugir de muitas heresias. A seguir, algumas diferenças importantes:

Israel: promessas terrenas da aliança
Igreja:
promessas espirituais da aliança

Israel: semente física de Abraão (alguns são também semente espiritual)
Igreja: semente espiritual

Israel: nações vem a ela para serem ministradas (com algumas exceções, e.g., Jonas)
Igreja:
vai às nações para ministrar

Israel: Cristo é o Messias, Rei e Salvador
Igreja: Cristo é o cabeça, Senhor e Salvador

Último discurso de Jesus para Israel: o da oliveira (Mt 24) (qual Cristão teria problema se a perseguição fosse no sábado? Só se for adventista)
Último discurso de Jesus para a Igreja: o da ceia (Jo 13 a 17)

Israel: será julgada (na tribulação) e restaurada (no Milênio)
Igreja: livrada do juízo

Israel: regida por Cristo no Milênio
Igreja: reinará com Cristo no Milênio (não entendo como alguém pode achar que os dispensacionalistas priorizam Israel sobre a Igreja!)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Terra Prometida


"Caro Lord Rothschild,

"Tenho o grande prazer de endereçar a V. Sa., em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia quanto às aspirações sionistas, declaração submetida ao gabinente e por ele aprovada:

`O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento, na Palestina, de um Lar Nacional para o Povo Judeu, e empregará todos os seus esforços no sentido de facilitar a realização desse objetivo, entendendo-se claramente que nada será feito que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das coletividades não-judaicas existentes na Palestina, nem contra os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país.´

"Desde já, declaro-me extremamente grato a V. Sa. pela gentileza de encaminhar esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista.

"Arthur James Balfour." (Fonte)

Na semana passada, a Palestina foi reconhecida como estado observador das Nações Unidas. O status de Estado observador, semelhante ao do Vaticano, não garante direito a voto e fica logo aquém do reconhecimento pleno, que transformaria a Palestina no 194º membro da organização. Imediatamente, o governo de Israel desafiou a votação da ONU, autorizando a construção de milhares de casas (assentamentos) para seus colonos na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental.

Durante as últimas 6 ou 7 décadas, o problema Palestino tem ocupado os noticiários internacionais, sendo, como se cuida, um dos maiores empecilhos para a paz mundial, uma vez que está ligado à formação de organizações terroristas que lutam pela causa palestina. Este tema aparentemente foge aos propósitos deste blog, que tem por objetivo estudar a Bíblia. No entanto, como o problema envolve a nação de Israel, é impossível a Igreja fugir do assunto, que está diretamente ligado a muitas profecias Bíblicas. Eu não tenho intenção de discutir a fundo a política deste problema, uma vez que isto exigiria um conhecimento de causa que eu não tenho. Vou me limitar a uma breve revisão de alguns dos principais acontecimentos do século XX ligados à questão e apresentar algumas profecias sobre o futuro da Palestina. Alerto que a leitura vai ser enfadonha para quem não se interessa por esta história, e superficial demais para os que se interessam profundamente. Mas serve como ponto de partida para os que quiserem saber mais.

Os judeus foram expulsos de Jerusalém pelos romanos após revoltas judaicas em 70 d. C. e 135 d. C. Foram os romanos que deram o nome de Palestina à terra de Israel. Ao longo dos séculos seguintes, a terra foi disputada por bizantinos, europeus e árabes muçulmanos, mas sempre houve habitantes judeus na região. A partir do século XIX, os judeus da Europa começaram a organizer o movimento Sionista, que visava estabelecer um lar para os judeus na Palestina. A carta transcrita no início deste post, conhecida como Declaração de Balfour, foi escrita em 2 de novembro de 1917 pelo então secretário britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, e enviada ao Lord Rothschild, presidente na Federação Sionista Britânica, sobre sua vontade de conceder ao povo judeu uma facilitação de povoação da Terra onde hoje é Israel caso a Inglaterra conseguisse derrotar o Império Otomano, que, até então, dominava aquela região.

Com a derrota dos turcos/otomanos na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Palestina foi colocada sob controle britânico, através de mandato recebido da Liga das Nações, em 1922. Mais de duas décadas depois, as atrocidades cometidas pelos nazistas contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial chamaram a atenção do Ocidente para a antiga reivindicação sionista de criação de um Estado judeu. Em fevereiro de 1947, a Inglaterra decidiu levar a questão à recentemente criada Organização das Nações Unidas (ONU). Naquele ano, a Palestina tinha uma população de 1 milhão e 300 mil palestinos e 600 mil judeus.

Em 29 de Novembro de 1947, o representante brasileiro Osvaldo Aranha presidiu a primeira Sessão Especial da Assembléia Geral da ONU, depois de atuar fortemente em favor da aprovação de uma partilha da Palestina em um Estado judeu e um Estado árabe, que afinal foi obtida, por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. O plano previa que 53% do território seria entregue aos judeus e 47% aos árabes, conforme a Fig. 1 abaixo, mantendo Jerusalém como zona internacional.


Fig. 1: Plano de repartição da Palestina (ONU, 1947). (Fonte)

Em 14 de maio de 1948, à meia-noite, quando terminou oficialmente o mandato britânico da Palestina, David Ben-Gurion declarou a Independência do Estado de Israel, reconhecida imediatamente pela União Soviética e pelos Estados Unidos. Os Estados árabes vizinhos, que contestavam a criação de Israel, decidiram intervir e os exércitos do Egito, Iraque, Líbano, Síria e Transjordânia entraram na Palestina. A guerra de 1948-49 foi vencida pelos israelenses, que ampliaram o seu domínio por uma área de 20 mil km², incluindo parte de Jerusalém (ver Fig. 2, abaixo). O território restante foi ocupado pela Jordânia, que anexou a Cisjordânia, e pelo Egito, que ocupou a Faixa de Gaza. 900 mil palestinos abandonaram as áreas incorporadas por Israel e se espalharam pelo Oriente Médio.

 
 Fig. 2: Resultado da guerra de 1948-49. (Fonte)
 
Em 1967, tensões na fronteira levaram à guerra dos seis dias, em que Israel derrotou as forças reunidas do Egito, da Síria e da Jordânia e rapidamente tomou a Faixa de Gaza, a península do Sinai, as colinas de Golã e todo o território jordaniano a oeste do rio Jordão, retomando pleno controle de Jerusalém. Em 1979 foi assinado um tratado de paz prevendo a devolução do Sinai ao Egito, em uma série de etapas que terminariam em 1982, conforme a Fig. 3, abaixo. Em troca, o Egito reconheceu a soberania de Israel.


Fig. 3: Resultado da guerra dos seis dias e do acordo com o Egito. (Fonte) 

Em 1987 foi criado na cidade de Gaza o Hamas, um movimento de resistência islâmica na Palestina, que inclui uma entidade filantrópica, um partido político e um braço armado, cuja carta de princípios defende a eliminação de Israel. Hoje, grande parte da imprensa internacional defende que Israel deve se retirar de todas as regiões anexadas e retornar aos territórios estabelecidos pela ONU em 1947. Pessoalmente, acho ingênuo acreditar que isto traria paz ao Oriente Médio, uma vez que as nações vizinhas já tentaram destruir Israel mesmo na época em que estes ocupavam apenas as terras entregues pela ONU. O Hamas tem como objetivo a destruição do Estado de Israel e não irá parar enquanto não atingir este alvo (veja aqui o que diz um famoso ex-membro do Hamas, convertido ao Cristianismo, e veja aqui as declarações recentes do líder do Hamas). Além disso, a devolução de territórios conquistados em guerras é assunto complicado e, certamente, muitas outras nações em todos os continentes estão "devendo" terras a alguém. Como eu mencionei anteriormente, não vou discutir o que é politicamente correto nesta história. Não defendo atrocidades que possam ter sido cometidas por Israel, mas eles têm o direito de defender seu Estado. A pergunta é justamente esta, qual é o estado de Israel? Qual é a extensão das terras que lhes pertencem por direito?

Neste ponto, entrego a resposta para esta pergunta a Deus e não à ONU. Este não é um território neutro, é a Terra prometida por Deus a Abraão e à sua descendência e “em Isaque será chamada a tua descendência” (Gn 21:12), o mesmo sendo repetido a Isaque (Gn 26:3) e a Jacó (Gn 35:12), ou seja, Israel. A extensão da terra prometida é mencionada em Gn 15:18:

“Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: à tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates;”

Os detalhes das fronteiras da terra são dados em outros textos, como Nm 34:1-12. Não é fácil delimitar com precisão a terra com base nos marcos da época, e vários autores têm proposto diferentes mapas para ilustrar a região. Seja qual for a extensão exata, parece não ser muito diferente do que foi no Reino de Davi e Salomão (ver mapa na Fig. 4, abaixo), quando Deus deu descanso a Israel (I Re 4:21).

 
Fig. 4: Reino de Israel nos tempos de Davi e Salomão. (Fonte)
 
Conforme comentei no post “O Israel de Deus”, pode parecer injusto com os árabes o fato de Israel repetidamente retornar à terra e tomá-la de suas mãos. Independentemente do que parece, o fato é que isto irá acontecer e eventualmente a terra será toda dos judeus, pois Deus a deu a eles por estatuto perpétuo (Gn 13:15, Gn 17:8). Não sou a favor de que Israel simplesmente invada terras alheias hoje, mas no futuro, de alguma maneira, Deus irá dar a terra a eles. Enquanto isso, Ele pode usar diversos meios, seja a ONU, guerras, ou mesmo a intervenção de homens sem temor a Deus e suas organizações e sociedades com fins diversos. Certamente as profecias se cumprirão.

“Porque Israel e Judá não foram abandonados do seu Deus, do Senhor dos Exércitos, ainda que a sua terra esteja cheia de culpas contra o Santo de Israel.”, Jr 51:5

Isso tudo pode parecer um discurso anti-árabe e intolerante. Não é. Não tenho uma gota de sangue judeu e a Bíblia nos ensina a amar a todos, indiscriminadamente; diante de Deus, nenhum indivíduo é melhor que outro só porque tem sangue judeu ou não. Mas, como nação, Deus escolheu Israel como sua propriedade particular dentre as nações, sua menina dos olhos (Zc 2:8), e sua escolha é irrevogável (leia Rm 11). Os judeus estão sofrendo por consequência de seu ódio a Jesus e precisam se arrepender. Será preciso uma Grande Tribulação para que eles finalmente reconheçam que Jesus é o seu Messias. Quando isto acontecer,

“todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. E esta será a minha aliança com eles, Quando eu tirar os seus pecados. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais.” Rm 11:26b-28

Até então, eles serão trazidos de volta à terra como incrédulos, assim como foi predito (leia Ezequiel 20:33-38; 22:17-22).


“Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam.”, Sl 122:6

terça-feira, 29 de maio de 2012

A Festa dos Tabernáculos


"O anti-Cristo ajunta todos os exércitos das nações do mundo, guerreia contra os Filhos de Israel e mata de Israel milhares de milhares...e Israel retornará com o Messias... (Armilus) ajuntará os exércitos de todas as nações do mundo e eles enfrentarão o Rei Messias e Israel. E o Santo, bendito seja Ele, lutará por Israel e dirá ao Messias: 'Assenta-te à minha destra'. E o Messias dirá a Israel, 'Ajuntai-vos e vede a salvação do Senhor.' ", The Messiah texts (Raphael Patai, Wayne State University, 1979)
Engana-se quem pensa que foram os Cristãos dispensacionalistas que criaram a doutrina do pré-milenismo no século XIX. O texto acima mostra que os judeus ortodoxos são pré-milenistas, ou seja, creem que o Messias virá ao final da tribulação inaugurar o Reino de Deus na terra, após destruir o anti-Cristo. Os judeus também o chamam de Armilus, um deus persa do mal. Os Rabinos dizem que o Messias "com a palavra de Seus lábios irá matar o perverso Armilus". Eles calcularam os sete últimos anos da profecia das Setenta Semanas de Daniel 9:23-27 da mesma maneira que os dispensacionalistas têm feito por séculos. Dizem os Rabinos: "Por sete anos se ajuntarão grandes exércitos...à terra de Israel...As coisas chegarão a tal ponto que as pessoas irão perder as esperanças. Isto durará sete anos. Então, inesperadamente, o Messias virá. O Messias se erguerá sobre Israel, conquistará o inimigo e ajuntará os exilados de Israel em Jerusalém e reconstruirá Jerusalém."
Este Reino de Deus é o tempo da restauração do reino a Israel, conforme os discípulos perguntaram a Jesus (At 2:6). Note que Jesus não insinua que as profecias sobre Seu Reino não teriam cumprimento literal, apenas responde que "Não vos pertence saber os tempos". Estes são "os tempos do refrigério pela presença do Senhor" (At 3:19) e os tempos "da restauração de tudo" (At 3:21), quando "O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor.", Is 65:25. Este é o período de mil anos de reinado de Cristo, mencionado em Ap 20:4.
Não sabemos exatamente tudo o que será restaurado a Israel neste tempo. Mas uma coisa sabemos: a Festa dos Tabernáculos será celebrada.
"E acontecerá que, todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrarem a festa dos tabernáculos. E acontecerá que, se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva. ", Zc 14:16-17
A Festa dos Tabernáculos é a sétima e última festa do calendário judaico, sendo celebrada após a colheita de outono durante 7 dias a partir do dia 15 de Tisri, 5 dias após o Dia da Expiação. Durante este período eram sacrificados 14 carneiros, 98 cordeiros, 70 novilhos e 7 bodes (Nm 29:12-38). Ao contrário do Dia da Expiação, onde os judeus deviam afligir a alma, na Festa dos Tabernáculos eles deviam se alegrar:
"E no primeiro dia tomareis para vós ramos de formosas árvores, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas, e salgueiros de ribeiras; e vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus por sete dias.", Lv 23:40
Além de colher ramos de árvores, os judeus deviam habitar em tendas durante os 7 dias (Lv 23:42) para se lembrarem de que habitaram em tendas no Êxodo. O sétimo dia da festa é conhecido como Hoshana Rabba, ou "Salve-nos nas alturas".
Durante o Novo Testamento fica claro que os judeus sabiam que a Festa dos Tabernáculos se cumpre profeticamente com o estabelecimento do Reino de Deus na terra. Durante a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, Jo 12:12-13 relata como as pessoas tomaram ramos de palmeiras, além de clamarem "Hosana nas alturas" (Mt 21:9), que é o Hoshana Rabba da Festa dos Tabernáculos. Eles não entendiam que as festas da Páscoa (morte do Messias), pães ázimos (corpo de Cristo), primícias (ressurreição), pentecostes (batismo do Espírito Santo), trombetas (reunião dos santos de Israel nos últimos tempos) e Dia da Expiação (Grande Tribulação) ainda precisavam se cumprir antes da restauração do Reino Teocrático. No calendário judaico, a Festa dos Tabernáculos é um tempo de alegria que sucede as aflições do Dia da Expiação. Similarmente, o Reino Milenar será uma era de alegria que se seguirá à Grande Tribulação. 

Considero o cumprimento das festas judaicas como um forte argumento para a defesa do pré-milenismo, em comparação com o amilenismo e o pós-milenismo. Em posts futuros, pretendo explorar mais a diferença entre cada posição.
Postscript:
Nos tempos de Cristo, durante a Festa dos Tabernáculos os sacerdotes tinham a prática de pegar água no tanque de Siloé (o mesmo que Jesus usou para curar o cego - Jo 9:6-7) e levar em jarros de ouro até o templo durante os 7 dias da festa. Eles subiam o monte do templo cantando os Salmos 120 a 134 e, ao chegar lá, subiam a rampa do altar de sacrifício e derramavam a água nos sulcos por onde escorria o sangue. Os Rabinos ensinavam que isto era um símbolo do derramamento do Espírito Santo que deveria preceder a vinda do Messias. Enquanto isso, os castiçais de ouro de 23 metros de altura do templo eram acesos. Cada castiçal tinha 4 copos de ouro e sua luz podia ser vista de toda a Jerusalém. É neste contexto, no último dia da Festa, que Jesus pronuncia:
"E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem", Jo 7:37-39a
E ainda:
"Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.", Jo 8:12
As águas vivas que correm do altar simbolizam o Espírito Santo, que é uma dádiva a todo aquele que crê no Messias. E aquele que o recebe não está em trevas, mas tem a luz da vida. E sua luz pode ser vista por todos.

sábado, 28 de abril de 2012

O Reino de Deus


Eu sou adepto da teologia da prosperidade. Dá uma olhada neste texto:

"E vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no Senhor vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva temporã...E as eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de mosto e de azeite...E comereis abundantemente e vos fartareis", Jl 2:23-26

ou então este:

“...porque a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas dos gentios virão a ti. A multidão de camelos te cobrirá, os dromedários de Midiã e Efá; todos virão de Sabá; ouro e incenso trarão, e publicarão os louvores do Senhor.”, Is. 60:5-6

A diferença é que a teologia da prosperidade Bíblica, ao contrário da sua versão mais popular presente nas rádios e tv's gospel, tem seu cumprimento não aqui e agora, mas no futuro Reino de Deus na Terra. Esses e outros textos referem-se a um período em que Deus restaurará a glória da nação de Israel (veja O Israel de Deus). O estabelecimento de um reino Teocrático de prosperidade sempre foi o plano de Deus para Seu povo, Israel:

"O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos.", Gn 49:10

"E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo.", Ex 19:6a

O Reino de Israel era o Reino de Deus em sua forma inicial, um início do governo de Deus sobre o mundo que, se os judeus tivessem sido obedientes, teria se estendido até que viesse o Rei (Siló) e todas as nações tivessem sido trazidas sob sua influência e sujeição. Nesse governo de Deus (Teocracia), a obediência era imposta pela força,  a desobediência punida com a morte e homens governavam sob a palavra de profetas, que falavam como se fossem o próprio Deus. Note os textos:

"E ele falará por ti ao povo; e acontecerá que ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus", Ex 4:16 (Moisés é Deus sobre Arão)

"ENTÃO disse o Senhor a Moisés: Eis que te tenho posto por deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será o teu profeta.", Ex 7:1 (Moisés é Deus sobre Faraó)

Sabemos que o Reino de Davi e sua descendência é o Reino de Deus na terra:

"E, de todos os meus filhos..., escolheu ele o meu filho Salomão para se assentar no trono do reino do Senhor sobre Israel.", I Cr 28:5

Alguns teólogos preferem espiritualizar as profecias sobre a restauração do Reino de Israel, aplicando-as simbolicamente à Igreja. Tais teólogos usam uma interpretação literal e histórica com relação às profecias sobre a primeira vinda de Cristo, mas inexplicavelmente adotam uma teologia de alegorias com relação às profecias sobre Sua segunda vinda. E deliberadamente ignoram o cumprimento das profecias sobre a restauração da nação de Israel que ocorre diante de seus próprios olhos. Eles dizem que o Reino de Deus se cumpre com Jesus reinando em nossos corações. Para se ter uma idéia da inconsistência desta forma de pensar, considere a mensagem do anjo Gabriel a Maria:

"E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai", Lc 1:31-32

Como Maria deveria interpretar as palavras do anjo?

"E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho" - literalmente;

"pôr-lhe-ás o nome de Jesus" - literalmente;

"Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo" - literalmente;

"e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai" - literalmente ou simbolicamente?! Onde é o trono de Davi? Algum dia Davi reinou nos céus ou em nossos corações?!!

Eu prefiro tomar o texto como foi escrito, em vez de me arriscar a colocar palavras na boca de Deus. Os rabinos judeus concordam comigo, comentando sobre Sf 3:20:

"As nações pagãs, em meio às quais os israelitas dispersos estão vivendo, irão trazê-los de volta à sua terra como uma oferta a Deus em reconhecimento ao Seu reinado sobre toda a terra...[Nos sete anos de tribulação] as nações serão purificadas pelo juízo Divino.", (comentário hebraico Soncino, de Gênesis a Malaquias)

Outro erro que costuma-se cometer é dizer que nos evangelhos "Reino de Deus" significa o reino de Israel e "Reino dos céus" significa a Igreja. Os rabinos afirmam que os dois termos se referem à mesma coisa, ou seja, o Messias reinando em Jerusalém. Comprove você mesmo que isto é verdade, comparando as seguintes passagens, onde as duas expressões são usadas para se referir à mesma coisa (Mt 5:3 e Lc 6:20; Mt 11:11 e Lc7:28; Mt 13:24 e Mc 4:26; Mt 19:23 e Mt 19:24). Muito importante também é notar que Paulo diz que o reino celestial será após a segunda vinda de Cristo: II Tm 4:1 e 4:18. Existem algumas parábolas de Jesus que parecem falar sobre o reino dos céus como sendo o tempo em que vivemos hoje, mas isto não exclui o cumprimento literal, no futuro, das profecias sobre o Reino. Portanto, o fato de Cristo estar hoje à destra de Deus e estarmos vivendo a nova aliança não significa que ele já assumiu o Trono de Davi.

Por fim, sabemos que um memorial importante do judaismo será restaurado no Reino: A Festa dos Tabernáculos:

"E acontecerá que, todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrarem a festa dos tabernáculos. E acontecerá que, se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva.", Zc 14:16-17

Continua...

sábado, 24 de março de 2012

Yom Kippur

Há alguns anos, o falecido David Wilkerson pregou um sermão poderoso intitulado "Um chamado para a angústia", onde convocava os verdadeiros cristãos a despertarem do seu estado de letargia e deixarem-se consumir pelo sentimento de angústia que vem do Espírito do Senhor. Angústia pelos pecados da sociedade e da Igreja. Um chamado ao sofrimento e arrependimento. A verdadeira conversão passa por um sentimento de sofrimento e aflição, marcado,  nos tempos do Velho Testamento, por servos de Deus rasgando suas vestes, vestindo-se de panos de saco e lançando cinzas sobre a cabeça. Nem todos sabem, mas a aflição da alma era um mandamento de Deus para Israel. É exatamente sobre isto que trata a sexta festa do calendário judaico, o Yom Kippur, ou Dia da Expiação.

O Yom Kippur é o dia mais sagrado do ano para os judeus, quando deve haver introspecção pessoal e arrependimento, além de expiação pelos pecados da nação. Kippur, ou expiação, significa "cobrir" ou "reconciliar", segundo o dicionário Strong. Quando um animal era sacrificado pelos pecados de alguém, seu sangue era derramado para cobrir simbolicamente os pecados da pessoa e fazer sua reconciliação com Deus

"Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma.", Lv 17:11

O Yom Kippur é a segunda festa do outono, sendo celebrada no dia 10 de Tishri, logo após a Festa das Trombetas, que serve como uma santa convocação e chamado ao arrependimento, como preparação para o Dia da Expiação. Este, por sua vez, é um dia de perdão que serve como preparação espiritual para a festa seguinte, a Festa dos Tabernáculos. O Yom Kippur é descrito no livro de Levítico:

"Mas aos dez dias desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor. E naquele mesmo dia nenhum trabalho fareis, porque é o dia da expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor vosso Deus...Sábado de descanso vos será; então afligireis as vossas almas", Lv 23:27-28, 32a

Note a ênfase em "afligir a alma". Alguns judeus hoje vão além do mandamento de afligir a alma e afligem o próprio corpo com açoites. Mas, tipicamente o costume é se abster de comer e beber, bem como de relações sexuais e outros prazeres. Era somente neste dia do ano que o sumo sacerdote podia entrar no "Santo dos Santos", a parte mais interna do Tabernáculo, onde ficava a arca da aliança, representando a presença de Deus no meio do povo. Lá, ele deveria oferecer o sangue por expiação de seus pecados e do povo para fazer reconciliação com Deus por mais um ano. O ritual completo da festa é descrito em Levítico 16:1-34. Veja que para os judeus o termo "festa" não tem necessariamente o sentido de um tempo de alegria, como na nossa cultura. Neste caso, era um dia de angústia e sofrimento.

Jesus foi afligido para expiar nossos pecados, como escreveu o profeta Isaías, mais de 700 anos antes de Cristo:

"Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.", Is 53:4-5

"Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca...", Is 53:7a

"Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado.", Is 53:10

"...mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores.", Is 53:12b

Numa tentativa de negar a clara conexão desta profecia com Jesus, os rabinos dizem que os textos acima referem-se à nação de Israel, e não ao Messias. No entanto, em nenhum lugar diz-se que Israel sofreu para expiar os nossos pecados. Uma nação com pecados não pode expiar pecados de outros. Isto simplismente não funciona.

O Yom Kippur possui um sentido profético ligado à expiação dos pecados de Israel quando eles reconhecerem o sacrifício do Messias. O Messias permanecerá no céu até Israel se converter, como diz o "Leão de Judá" no livro de Oséias:

"Irei e voltarei ao meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles angustiados, de madrugada me buscarão.", Os 5:15

Aqueles que estão mais acostumados ao estudo das profecias, sabem que isto ocorrerá ao final da chamada "Grande Tribulação", um período de sete anos de aflição que culmina com a batalha do vale do Armagedom, ou Megido. Esta batalha termina com a volta do Messias para estabelecer Seu Reino na Terra. O profeta Zacarias descreve estes eventos assim (mais de 500 anos antes de Cristo):

"E acontecerá naquele dia, que procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém; Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de Megido.", Zc 12:9-11

Jesus também falou da aflição de Israel naqueles dias:

"E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.", Mt 24:29-30

O ajuntamento final dos judeus em sua terra (Festa das Trombetas) e a sua aflição e arrependimento ao final da Grande Tribulação (Dia da Expiação) levará à conversão e purificação da nação de Israel. A festa do Yom Kippur é concluída com um longo toque da trombeta shofar. A seguir, vem o próximo grande evento na história da humanidade, a Festa dos Tabernáculos.


sábado, 4 de fevereiro de 2012

As Festas do SENHOR - Parte 3

Já escrevi um pouco sobre as quatro festas judaicas celebradas durante a primavera. A páscoa, que celebra a morte do cordeiro para salvar os que creram na Palavra de Deus, e se cumpre com a crucificação de Jesus; os pães ázimos, primícias e pentecostes, que são festas ligadas às colheitas e que representam, respectivamente, o corpo de Cristo entregue por nós, sua ressurreição e a descida do Espírito Santo na inauguração da Nova Aliança. Estas quatro festas já se cumpriram. As próximas três, celebradas no outono em Israel, encontram seu cumprimento ainda no futuro.

As profecias são, em geral, entregues em linguagem simbólica e, portanto, costumam ser difíceis de interpretar. Muitas vezes, a própria Bíblia apresenta a interpretação, o que facilita a nossa vida. No caso das festas judaicas, isso não acontece. Em nenhum lugar do Velho Testamento encontramos a interpretação do sentido das festas, embora não seja tão difícil concluir o significado de algumas delas. De qualquer jeito, toda palavra profética serve como alerta aos que esperam seu cumprimento e, também, como prova da veracidade do profeta assim que a profecia se cumpre. Então, é sempre mais fácil olhar para as profecias já cumpridas e se admirar com a revelação de Deus do que entender o significado daquelas que ainda hão de se cumprir. Tendo dito isto, vou tentar explicar o significado das festas de outono, já sabendo que  estou sujeito a erros nesta tarefa.

Festa das Trombetas

"Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso, memorial com sonido de trombetas, santa convocação. Nenhum trabalho servil fareis, mas oferecereis oferta queimada ao Senhor.", Lv 23:24-25

O mês sétimo dos judeus é chamado de Tishri, e corresponde a um período entre setembro e outubro em nosso calendário. A Festa das Trombetas é também chamada de Rosh Hashanah (início do ano), por marcar o ano novo civil (o ano novo cerimonial começa no mês de Nisan. Adicione 3761 ao ano do calendário Cristão e você obtém o ano no calendário judaico, iniciado em Rosh Hashanah). A trombeta mencionada é o famoso Shofar, que na cultura judaica atual é feito com o chifre de um animal "limpo", mas não bovino, pois o chifre bovino lembraria o fatídico bezerro de ouro de Êxodo 32. Em geral, é usado o chifre de um carneiro (trombetas feitas de chifre bovino são chamadas de keren, não shofar). Neste dia, eram oferecidos os sacrifícios descritos em Nm 29:2-5 e toda a Lei de Moisés era lida para o povo, como fez Esdras desde o amanhecer até o meio dia (Nee 8:1-12).

Na Bíblia, o toque do shofar costuma estar ligado a um chamado solene, uma convocação das tribos de Israel, em geral, para santificação:

"Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, convocai uma assembléia solene.", Jl 2:15

Na tradição rabínica, o som do shofar tem vários significados, incluindo:

1) Chamado ao arrependimento;

2) Anuncia 10 dias de penitência para que cada um garanta que seu nome será inscrito no Livro dos Justos (ou da Vida) no Dia da Expiação, para que possam permanecer vivos por mais 1 ano.

3) Simboliza o ajuntamento dos judeus em Israel quando o Messias vier;

Os judeus têm um ritual curioso ligado a esta festa. Baseados em Miquéias 7:19, "e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar", eles vão a um rio, lago ou praia e simbolicamente esvaziam seus bolsos na água, simbolizando Deus lançando fora os seus pecados. Na Idade Média, na época da Peste Negra, muitos europeus viram este ato como prova de que os judeus estavam envenenando a água, o que levou à violência contra comunidades judaicas.

De volta à Bíblia, existe somente um verso profético no Velho Testamento ligado ao shofar:

"E será naquele dia que se tocará uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra da Assíria, e os que foram desterrados para a terra do Egito, tornarão a vir, e adorarão ao Senhor no monte santo em Jerusalém.", Is 27:13

Um dia, uma grande trombeta será tocada e a nação de Israel se ajuntará na terra prometida uma última vez. Para os judeus, a Festa das Trombetas significa este retorno final à terra. No Novo Testamento, Jesus também falou sobre a trombeta anunciando o ajuntamento do Seu povo:

"E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.", Mt 24:31

No contexto de Mateus 24, este é um ajuntamento dos eleitos de Deus pouco antes da Segunda Vinda de Cristo para inaugurar Seu Reino na terra.

Judeus crentes e outros acreditam que a festa das Trombetas representa a trombeta que ouviremos no arrebatamento da Igreja:

"Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.", I Co 15:52

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.", I Ts 4:16-17

Então, a Festa das trombetas simboliza Deus ajuntando seus escolhidos para estarem com Ele para sempre. Existe uma divergência sobre o significado específico da festa. Uns acham que a última trombeta representa o ajuntamento de Israel para habitar seguro na terra prometida; outros acham que representa o ajuntamento dos santos da Igreja para encontrarem-se com o Senhor nos ares. Ainda outros acham que a trombeta refere-se a ambos os eventos, que ocorrem antes da vinda de Cristo. Mas está claro que a festa simboliza a reunião dos santos com o Messias no fim dos tempos. Pessoalmente, creio que o contexto em que a festa foi estabelecida sugere uma aplicação mais para Israel como nação. Sendo assim, Israel será ajuntado após a última trombeta soar. Mas para que possa entrar no Reino de Deus, é necessário que a nação se converta, o que só acontecerá após eles entenderem o significado do Dia da Expiação.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

As Festas do SENHOR - Parte 2

Continuando a série sobre as festas judaicas, vou completar aqui a descrição das festas celebradas na primavera. Tenha em mente que estas festas são um resumo do plano de redenção e contam a história do mundo até a consumação do Reino de Deus na terra. As três festas comentadas aqui já tiveram seu cumprimento profético após a primeira vinda de Cristo.

Festa dos Pães Ázimos

Como vimos no post anterior, a festa da páscoa simboliza a morte de Cristo, e tem seu cumprimento na sexta-feira da crucificação, no dia 15 de Nizan, conforme o calendário judaico. Este é também o primeiro dia da Festa dos Pães ázimos, uma celebração que dura sete dias:


“E aos quinze dias deste mês é a festa dos pães ázimos do Senhor; sete dias comereis pães ázimos.”, Lv 23:6

Os judeus são extremamente cuidadosos ao preparar os pães ázimos (sem fermento). O fermento simboliza o pecado e é necessário que seja eliminado das casas durante a festa. Qualquer grão que fermenta ao se decompor deve ser retirado das casas. Segundo a tradição, para não deixar a farinha fermentar, do tempo em que ela é amassada até o tempo de assar não podem passar mais de 18 min. Além disso, para desacelerar o processo de fermentação, usam água fria em vez de água quente e espetam a massa para sair o ar. Os seguintes grãos são considerados proibidos por fermentarem rapidamente: trigo, cevada, aveia, centeio e espelta.
A festa dos ázimos é como uma continuação da páscoa e relembra a saída do povo de Israel do Egito. Num sentido profético, representa o corpo de Cristo, que foi entregue sem pecados (sem fermento) e sepultado no dia 15 de Nizan para nos livrar da escravidão (Egito).
“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.”, Jo 6:51
Festa das Primícias
“Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes entrado na terra, que vos hei de dar, e fizerdes a sua colheita, então trareis um molho das primícias da vossa sega ao sacerdote; E ele moverá o molho perante o Senhor, para que sejais aceitos; no dia seguinte ao sábado o sacerdote o moverá.”, Lv 23:10-11

Esta é uma festa anual da colheita de primavera. Um feixe com as primícias da colheita era entregue ao sacerdote e este o tomava em seus braços e o movia de um lado para o outro perante o Senhor no domingo seguinte à colheita. Mas, pra que isso? O sentido fica claro quando nos deparamos com o cumprimento profético da festa. Adivinhe em que dia foi celebrada a primeira festa das primícias após a morte de Cristo. Acertou quem falou “no domingo da ressurreição”. “Coincidentemente”, foi no dia desta festa que Jesus se moveu para fora do túmulo. Ele que é o grão que morreu para produzir muito fruto:
“E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado. Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.”, Jo 12:23-24
Ele é, também, as primícias dos que dormem:
“Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem.”, I Co 15:20-21
Outras pessoas foram ressuscitadas antes de Jesus na Bíblia, mas todas elas tornaram a morrer. Jesus foi as primícias dos que dormem (morrem), ou seja, o primeiro a ressuscitar com um corpo glorificado e imortal.

Os Cristãos costumam celebrar a ressurreição de Cristo no domingo de páscoa. Mas na verdade, se fôssemos seguir o sentido das festas judaicas, deveríamos celebrar a páscoa na sexta-feira, em memória da Sua morte, e depois celebrar a festa das primícias no domingo, em memória de Sua ressurreição.

Festa das Semanas, Dia das Primícias ou Pentecostes

Sete semanas após o domingo de primícias era celebrada a festa das semanas, que em grego era chamada de pentecostes, que significa quinquagésimo, por ser celebrada no quinquagésimo dia após as primícias. Ela também é chamada de dia das primícias em Nm 28:26 (não confunda com festa das primícias, que é a festa anterior). Neste domingo de pentecostes, eram oferecidos dois pães com fermento, além dos sacrifícios:
“Das vossas habitações trareis dois pães de movimento; de duas dízimas de farinha serão, levedados se cozerão; primícias são ao Senhor... Então o sacerdote os moverá com o pão das primícias por oferta movida perante o Senhor, com os dois cordeiros; santos serão ao Senhor para uso do sacerdote.”, Lv 23:17,20

Por que desta vez os pães são levedados? E por que dois pães?

A resposta, mais uma vez, é percebida no cumprimento da profecia escondida por trás da festa. No quinquagésimo dia após a ressurreição de Cristo, o Espírito Santo veio sobre os discípulos no dia de Pentecostes e batizou-os, dando início ao corpo de Cristo, a Igreja. Neste dia, após a pregação de Pedro, 3000 pessoas se converteram. Estes são os primeiros frutos, ou primícias, da Nova Aliança (Tg 1:18), colhidos pelo Espírito Santo no dia das primícias. Os pães são levedados porque desta vez eles não representam o corpo físico de Cristo, mas sim o Seu corpo simbólico, a Igreja, formada de pecadores. Os dois pães provavelmente representam judeus e gentios, que são unidos em um só corpo na Igreja (I Co 12:13).
Uma curiosidade sobre o dia das primícias: Em Ex 32:28, quando Moisés desce do monte Horebe e encontra o povo adorando o bezerro de ouro, Deus ordena que os levitas matem os que se corromperam espiritualmente, e 3000 homens são mortos ao fio da espada. Três mil pessoas morreram quando a Lei foi dada na inauguração da Velha Aliança, ao passo que 3000 pessoas receberam a vida eterna quando o Espírito Santo foi dado na inauguração da Nova Aliança.

Fonte:  Mal Couch, "Messianic systematic theology of the Old Testament", Scofield Ministries


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

As festas do SENHOR

No post "O Israel de Deus"  eu argumentei que o povo de Israel é, em si mesmo, uma das grandes evidências de que a Bíblia é verdadeira, devido ao cumprimento de suas promessas e profecias sobre a nação escolhida. Uma vez que se aprecie este fato, abrem-se os olhos para o entendimento do plano que Deus tem para o mundo em todas as épocas. A Israel foram dados inicialmente os oráculos de Deus e nestes oráculos revelam-se de maneira impressionante os principais eventos do futuro do planeta, em particular no que se refere ao plano de redenção. Uma das chaves para entender este plano são as festas do SENHOR.

As festas do SENHOR a que me refiro são as 7 celebrações anuais, entregues como ordenança ao povo de Israel. Quatro delas celebradas na primavera e três no outono. Elas são descritas, entre outros lugares, no capítulo 23 de Levítico. A maioria das pessoas acha Levítico um livro cansativo, mas ele sempre foi um dos meus livros favoritos na Bíblia. Talvez porque eu seja fascinado pela doutrina da expiação pelo sangue. "A vida está no sangue", e este é para expiação pela alma (Lv 17:11). Todas as 7 festas judaicas eram banhadas de sangue de cordeiros e outros animais. São elas:

1) A Páscoa (Lv 23:5; Ex 12:3-11), onde cada família deveria ofertar e comer 1 cordeiro;

2) A Festa dos Pães Ázimos (Lv 23:6-8; Nm 28:19), onde eram sacrificados 2 novilhos, 1 carneiro, 7 cordeiros, 1 bode, além do holocausto contínuo;

3) A Festa das Primícias (Lv 23:9-14; Lv 23:12), com 1 cordeiro sacrificado;

4) A Festa das Semanas (ou Pentecostes) (Lv 23:15-22; Nm 28:27), 7 cordeiros, 1 novilho, 2 carneiros, 1 bode e mais 2 cordeiros;

5) A Festa das Trombetas (Lv 23:23-25; Nm 29:2-5),  1 novilho, 1 carneiro, 7 cordeiros, 1 bode;

6) O Dia da Expiação (Lv 23:26-32; Nm 29:8), 1 novilho, 1 carneiro, 7 cordeiros, 1 bode;

7) A Festa dos Tabernáculos (Lv 23:33-43; Nm 29:38), 14 carneiros, 98 cordeiros, 70 novilhos, 7 bodes (isso é que é Festa!).

As quatro primeiras festas simbolizam eventos que se cumpriram na primeira vinda do Messias ao mundo. As três últimas se cumprirão na Sua segunda vinda. Em posts futuros eu vou tentar convencê-los disso, além de tentar deixar claro que a Bíblia definitivamente ensina o pré-milenismo. Por hora, vou apenas comentar a primeira festa: a Páscoa.

A Páscoa (do hebraico Pesach, que significa "passar por cima") é a festa mais antiga dentre os eventos que são mundialmente celebrados (pelo menos é o que diz o livro "Messianic systematic theology of the Old Testament", de Mal Couch). Os cristãos celebram hoje a páscoa em comemoração à ressurreição de Jesus. No entanto, o sentido Bíblico da festa original era a morte do cordeiro para salvar o povo. Na décima praga do Egito, aqueles que passassem sangue do cordeiro na porta de casa seriam poupados da morte do seu primogênito:

"E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima (pesach) de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito.", Ex 12:13

Os judeus foram salvos pela fé no sangue do cordeiro.

Para entender o cumprimento profético da Páscoa, vou dar alguns detalhes de como os judeus a celebravam na época de Cristo. Preste atenção nas datas.
  • O cordeiro pascal deveria ser separado no dia 10 do mês de Nisan (entre março e abril do nosso calendário). Ele deve ser examinado pelo sacerdote para saber se é sem defeito nem mancha (Ex 12:3-5);
  • Deve ser sacrificado aos 14 de Nisan e comido em casa na noite de 14 para 15 de Nisan, sem quebrar os ossos (Ex 12:46);
  • Durante a refeição são comidos pães ázimos (sem fermento) e ervas amargas (Ex 12:8);
Os judeus, ao longo dos séculos, adicionaram elementos à tradição da páscoa que estão claramente presentes nos evangelhos. Uma destas tradições é o sacrifício de um segundo cordeiro no dia 15 de Nisan, após a ceia da noite do dia 14 para o dia 15. Note o que aconteceu no dia 15 após Jesus ser preso:

"Depois levaram Jesus da casa de Caifás para a audiência. E era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem, mas poderem comer a páscoa.", Jo 18:28

Os judeus não queriam entrar na audiência com Pilatos porque os judeus não se aproximavam de estrangeiros antes da páscoa para não serem "contaminados" pelo contato com eles. Mas se Jesus já tinha ceiado com os discípulos na noite anterior, por que dizer que eles ainda queriam comer a Páscoa? Trata-se do segundo cordeiro, morto às 9:00 do dia 15 de Nisan.

Agora, compare a sequência acima com o que ocorreu na última semana antes da crucificação de Jesus:
  • Jesus foi à casa de Lázaro em Betânia 6 dias antes da Páscoa (Jo 12:1), isto é, no dia 9 de Nisan, antes da grande celebração do dia 15. No dia seguinte, 10 de Nisan, Jesus entra em Jerusalém (Jo 12:12). Lembre-se de que este era o dia em que o cordeiro pascal era separado e examinado pelos sacerdotes, antes de ser morto no dia 14. De 10 a 14 de Nisan, Jesus foi examinado por fariseus, saduceus e herodianos e não se achou falha nEle (Jo 8:46). Mais tarde, até Pilatos declarou isso (Lc 23:4);
  • Jesus tinha que estar vivo no dia 14 para comer a páscoa, mas Ele morreu no dia 15 às 9:00 (Mc 15:25 - a hora terceira para os judeus, já que o amanhecer é às 6:00). Esta é a hora exata em que o segundo cordeiro pascal era sacrificado no pátio do templo;
  • Seus ossos não foram quebrados (Jo 19:33,36), assim como os do cordeiro pascal;
  • O pão sem fermento da páscoa representa que Cristo era sem pecado (I Co 5:8);
  • É desnecessário comentar o significado das ervas amargas.
Não é à toa que João Batista declarou: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.", Jo 1:29

Postscript:

Os judeus têm uma tradição curiosa durante a ceia de páscoa. O líder da cerimônia tem uma bolsa com 3 pedaços de matzoh (o pão sem fermento). Este pão é riscado e possue buracos. No meio da refeição, um dos pedaços é retirado da bolsa e quebrado. A parte menor volta para a bolsa e a maior é envolta em um pano de linho e escondida. Ao final da refeição, eles procuram o pedaço escondido e quando o acham, todos se alegram.

O significado e origem desta cerimônia são discutidos entre os judeus. Mas para os judeus cristãos, a explicação parece óbvia. Os três pedaços nos lembram da Trindade. O pedaço retirado nos lembra da encarnação de Jesus. As listras e furos no pão nos lembram que o corpo de Jesus foi riscado pelos açoites e perfurado pelos pregos. O partir do pão lembra sua morte. O pedaço envolto em linho e escondido é o corpo de Cristo, envolto em um lençol e sepultado. Quando o pedaço é encontrado eles se alegram, assim como os discípulos se alegraram quando encontraram Jesus ressuscitado.

"E, comendo eles, tomou Jesus pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo.", Mc 14:22