sábado, 4 de maio de 2013

Gênesis 1 e 2 de novo


Eu sempre procurei entender a Bíblia de uma maneira direta, literal e usando o que eu entendia ser uma hermenêutica gramatical-histórica. O que está escrito deve ser entendido como está escrito, sem recorrer a interpretações simbólicas, a menos que haja razões no contexto que nos induzam a adotar uma interpretação figurada. Sendo assim, será que uma leitura dos dois primeiros capítulos de Gênesis permite alguma interpretação simbólica ou é tudo literal? Antes de tentar responder, relaciono abaixo algumas perguntas sobre o texto. Este post é uma atualização dos posts Big Bang e Gênesis, e algumas informações são repetidas aqui.

  • No princípio Deus criou os céus e a terra (Gn 1:1). Onde a terra estava? O que havia no espaço? O que eram os céus? Lembre-se de que o firmamento ou expansão, onde Deus mais tarde pôs os astros, só foi criado no segundo dia.
  • No primeiro dia da criação, Deus criou a luz, fez separação entre luz e trevas, e chamou à luz Dia (Gn 1:3-5) e às trevas Noite. Que luz era esta que governava o dia se o sol só apareceu no quarto dia de criação (Gn 1:14-19)? Além disso, por que Deus criou novamente os luminares no quarto dia e fez, de novo, separação entre o dia (luz) e a noite (trevas)? Curiosidade: assim como em português, a palavra em hebraico traduzida como "luz" ('owr) no primeiro dia tem a mesma raiz da palavra traduzida como "luminar" (ma'owr) no quarto dia.
  • O que significa "Deus chamou à luz dia" ou "chamou Deus à expansão Céus"? Por que é importante que eles tenham um nome dado por Deus? Deus falou isto pra quem? Para os anjos? Eles falam hebraico? 
  • Antes da queda o mundo inteiro era um paraíso ou somente o jardim do Éden era um paraíso?
  • Antes da queda os animais eram todos herbívoros no planeta inteiro ou só no jardim do Éden?
  • Quando a Bíblia diz que Adão deu nome a toda ave do céu e a todo animal do campo (Gn 2:19) isto significa todas as espécies do planeta ou só as que habitavam no Éden? Ele fez isto em 1 dia, antes de Eva ser formada.
  • Antes da queda todos os animais eram imortais ou só o homem era imortal? Ou o homem era mortal e só se tornaria imortal se comesse da árvore da vida (Gn 3:22)? 
  • Antes da queda, se um rinoceronte pisasse em uma formiga a formiga não morreria?
  • Após a queda a terra parece ter ficado menos produtiva e cheia de espinhos e cardos (Gn 3:18-19). O que mais aconteceu? Por que a "criação geme" aguardando a "manifestação dos filhos de Deus" (Rm 8:19-22)?
  • No milênio, quando Cristo estiver reinando na terra, "a vaca e a ursa pastarão juntas" e o "leão comerá palha como o boi" (Is 11:7) e "não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte" (Is 11:9; 65:25). Isto significa que antes da queda era assim também? No planeta todo ou só no Éden? No Milênio vai ser assim no planeta todo, só "no meu santo monte" ou isto é linguagem figurada?

Existem respostas para todas estas perguntas, mas não creio que alguém seja tamanha autoridade nas Escrituras para garantir o significado de tudo isto e achar que quem pensa diferente está sendo herege. Eu mesmo tenho teorias para explicar cada uma das questões que levantei, mas não sou autoridade para pregar isto como se fosse verdade. Devemos admitir nossa ignorância a respeito de muitas coisas nos primeiros capítulos de Gênesis, pois o texto é simples, adaptado à linguagem e conceitos do homem da época e possivelmente tem sentido simbólico em algumas partes. 

Algumas vezes, aparentes contradições entre os capítulos 1 e 2 de Gênesis podem ser resolvidas admitindo-se que as palavras podem ter mais de um significado. Por exemplo, em Gn 1, temos a criação de toda "erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera" no terceiro dia (Gn 1:11-13), antes da criação do homem. Já em Gn 2:5-9 está escrito que antes da criação do homem "toda a planta do campo...ainda não estava na terra, e toda a erva do campo ... ainda não brotava; porque ainda o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra." Depois, Deus cria Adão, planta um jardim e  põe o homem lá para o lavrar e o guardar (Gn 2:15). Então, quem veio primeiro, o homem ou as plantas? Alguns tentam resolver este impasse dizendo que as plantas mencionadas em Gn 2 são de outra espécie que as de Gn 1. Outros dizem que Gn 2 está ligeiramente fora de sequência e que o jardim foi plantado antes da criação do homem. Outros preferem a seguinte explicação:

Em hebraico, assim como em português, a palavra "terra" (erets) pode significar o "planeta terra", "o pó da terra" ou uma região geográfica, como a "terra de Israel". Sendo assim, alguns acham que é possível que o significado da palavra terra em Gn 2 tenha sentido diferente do que em Gn 1. Por exemplo: 

Gn 2:4: erets = planeta terra

Gn 2:5-6: erets = terra da Mesopotâmia (Éden)

Gn 2:7: erets = pó da terra

Assim, em Gn 1 Deus descreve a criação do planeta terra, ao passo que em Gn 2:5-25 Deus descreve a criação do jardim do Éden na terra da Mesopotâmia. Então, Deus criou as plantas do planeta terra (no terceiro dia) antes de criar o homem do pó da terra (no sexto dia). Depois, Deus plantou um jardim na terra (da Mesopotâmia) e colocou o homem lá (ainda no sexto dia).

Ainda com relação a diferentes significados para a mesma palavra, em hebraico, o termo "dia" (yom) pode significar um período de 24 horas (Ex 16:26), somente o período do dia em que o sol brilha (Gn 1:16; 31:40), a própria luz do dia (Gn 1:5), um período de tempo indefinido (Gn 2:4)  ou o momento ou data de um evento marcante (Nm 25:18; Is 13:9). Será possível que os dias de Gn 1 podem representar um período de tempo maior do que 24 horas? O fato de Gn 1 usar a descrição "tarde" e "manhã" para os seis primeiros dias sugere dias de 24 horas, assim como a comparação com os dias da semana (Ex 20:11). Mas será que é heresia pensar que isto seja apenas uma comparação simbólica, expressando sete etapas em que Deus efetuou atos de criação? Por que o sábado de Gn 1 não tem tarde e manhã? Deus ainda está descansando da criação? Em caso afirmativo, o sétimo dia ainda não acabou e, portanto, teve mais de 24 horas? 

Apesar de a Bíblia não nos informar a idade do Universo ou da Terra, uma leitura direta de Gênesis sugere um universo criado há poucos milhares de anos. Por outro lado, mesmo com uma leitura direta, muitas questões permanecem em aberto e qualquer tentativa de resposta deve recorrer a especulações sobre o que não está explícito no texto. Além disso, existem fortes evidências científicas que apontam para um universo com alguns bilhões de anos. É desconfortável a ideia de se reinterpretar o primeiro capítulo de Gênesis à luz de descobertas da ciência moderna. Afinal de contas, não queremos que cientistas incrédulos nos digam como interpretar a Palavra de Deus. Entretanto, devemos admitir que isto tem acontecido periodicamente ao longo da história, especificamente com relação a passagens que descrevem como a natureza funciona (nunca com relação às doutrinas cardinais do Cristianismo). Por exemplo, a interpretação de que o firmamento é uma abóbada sólida sustentada por colunas (Jó 26:11) onde os astros estão presos (Gn 1:17) foi abandonada com o tempo; a interpretação de que a terra está sustentada por colunas (Jó 9:6) foi abandonada com o tempo; a interpretação de que o sol e as estrelas giram em torno da terra (Js 10:13) foi abandonada com o tempo. Por causa de observações científicas, concluímos que tais textos usam uma linguagem "acomodada" ou adaptada ao entendimento científico dos homens da época. Deus não teve a intenção de ensinar mecânica celeste aos povos antigos. Será que o mesmo não poderia se aplicar aos dias de Gênesis 1? Afinal, se hoje eu não consigo conceber o que são 1 bilhão de anos, como Moisés poderia ter entendido isto se Deus tivesse descrito a criação desta maneira? Não sei nem se eles tinham um número para descrever uma quantidade tão grande no hebraico antigo. 

Conclusão

Eu sempre entendi que a ciência comprovada não pode contradizer as Escrituras corretamente interpretadas. Posso estar errado, mas creio que o tempo se encarregará de resolver a questão da idade da terra (e consequentemente a duração dos dias de Gênesis), assim como resolveu as outras questões mencionadas no parágrafo anterior. Por enquanto, acho que devemos ser cautelosos e não dogmáticos quanto a este assunto, admitindo nossa ignorância na interpretação de partes deste texto e na dificuldade científica de se reconstruir o passado com base em observações do presente. E que quaisquer tentativas de harmonização entre as teorias científicas e a Bíblia possam respeitar o texto que nos foi dado por Deus. No final, é bem possível que simplesmente tenhamos que conviver com as dúvidas e caminhar pela fé.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Evolução III: Observatório da imprensa


O trecho a seguir é de uma notícia publicada na edição online do Estado de S. Paulo de 11 de abril de 2013, intitulada "Detalhes de um ancestral humano":

Seis trabalhos publicados na edição desta semana da revista Science revelam novos detalhes anatômicos e comportamentais (inferidos da anatomia) do hominídeo Australopithecus sediba, uma espécie ancestral da linhagem humana que viveu cerca de 2 milhões de anos atrás...Os pesquisadores não sabem exatamente em que galho da árvore evolutiva colocar a espécie, mas acreditam que o A. sediba foi mesmo um ancestral direto do gênero Homo, que deu origem ao Homo erectus, ao Homo neanderthalensis e a nós, Homo sapiens.

Quando o autor menciona “os pesquisadores”, entenda-se o Dr. Lee Berger, paleoantropologista da Universidade de Witwatersrand, Johannerburg, que foi quem descobriu os fósseis. Ele e sua equipe “...acreditam que o A. sediba foi mesmo um ancestral direto do gênero Homo”. O resto da comunidade científica não está tão certa disto, como pode ser notado pelos próprios artigos da Science, citados na matéria do Estado de S. Paulo. Como exemplo, reproduzo abaixo dois parágrafos do artigo de Michael Balter, Candidate Human Ancestor From South Africa Sparks Praise and Debate, 9April 2010, Vol. 328 no. 5975 pp. 154-155 

o grupo (liderado por Lee Berger) diz que a nova espécie pode ser o melhor candidato conhecido para ancestral imediato de nosso gênero, Homo. A última alegação é forte e, no momento, poucos cientistas estão prontos a acreditar nisso.” (Ênfase minha)

'Dada sua idade avançada e a anatomia de Australopitecus, ele (o novo fóssil) contribui pouco para o entendimento da origem do gênero Homo', diz (Tim) White (paleoantropologista da Universidade da Califórnia, Berkeley).” (Ênfase minha)

Às vezes, a imprensa de massa omite alguns detalhes das matérias científicas para facilitar a leitura pelo público leigo. Mas, como dizem, “the devil is in the details...”

p.s. Veja também o post: Evolução II

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Vídeo blog: Por que sou um Cristão?

Qual a diferença entre o Cristianismo e as outras religiões? A fé Cristã pode ser defendida racionalmente? Conhecer os melhores argumentos em defesa do Cristianismo é necessário, ou mesmo suficiente, para se crer em Jesus?

Links relacionados:
Somente Cristo: Por que sou um Cristão?
Myth #2: Pagan Parallels in the Mystery Religions

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Vídeo blog: Em nome de Jesus

Você já levou o nome de Deus em vão hoje? A maioria dos Cristãos brasileiros provavelmente levou. Você possivelmente segue alguns dos ensinos do movimento "Palavra de fé", cuidado para não cair no engano de falsos profetas. Este vídeo está relacionado com o post: O Profeta

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Jogo dos Erros: Arminianos x Calvinistas

Ok, essa NÃO é a forma correta de se discutir este assunto, pois os versos abaixo são dados fora de seu contexto. Mas não pude resistir a esta brincadeira, e ela pode levar o leitor a pensar mais a fundo sobre os textos. Sendo assim, encontre os erros nas seguintes citações dos versículos Bíblicos.


Jogo dos erros para arminianos:

Jo 6:37 – “Todo o que vem a mim o Pai me dá; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.”

Jo 6:44 – “o Pai que me enviou não pode trazer ninguém que não vem a mim; e eu o ressuscitarei no último dia.”

At 13:48 - “E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e todos quantos creram foram ordenados para a vida eterna.”

Jo 10:26 – “Mas vós não sois das minhas ovelhas porque não credes, como já vo-lo tenho dito.”

Rm 9:21-22 - "Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro também para honra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua graça, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da honra, preparados para a salvação;"

Ef 1:5 – “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de nossa vontade”

Jo 15:16 – “Não escolhi a vós, mas vós escolhestes a mim, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.”

Mt 22:14 – “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhem.”

II Tm 1:9 – “que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme nossa própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, quando cremos.”


Jogo dos erros para calvinistas:

Jo 3:16 - "Porque Deus amou os eleitos de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

I Tm 2:4 – "Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os eleitos se salvem, e venham ao conhecimento da verdade."

I Tm 2:6 – "O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos os eleitos, para servir de testemunho a seu tempo."

I Jo 2:2 – "E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos eleitos de todo o mundo."

I Tm 4:10 – "Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os eleitos, principalmente dos fiéis."

Jo 1:12 – “Mas, todos aos quais foi dado o poder de serem feitos filhos de Deus, o receberam, e creram no seu nome”

At 16:31 – “E eles disseram: Sê salvo e crerás no Senhor Jesus Cristo, tu e a tua casa”

Mt 11:28 – “Ficai onde estais, todos os eleitos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”

Ap 22:17 – “E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, fique onde está; e quem for eleito e regenerado, receberá de graça da água da vida.”

Rm 10:9 - "A saber: Se fores salvo, com a tua boca confessarás ao Senhor Jesus, e em teu coração crerás que Deus o ressuscitou dentre os mortos."

Conclusão: Confuso? Se quiser saber qual é a minha posição sobre isso, cheque o post “Com apelo ou sem apelo?” e os links ali relacionados.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Terra Prometida


"Caro Lord Rothschild,

"Tenho o grande prazer de endereçar a V. Sa., em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia quanto às aspirações sionistas, declaração submetida ao gabinente e por ele aprovada:

`O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento, na Palestina, de um Lar Nacional para o Povo Judeu, e empregará todos os seus esforços no sentido de facilitar a realização desse objetivo, entendendo-se claramente que nada será feito que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das coletividades não-judaicas existentes na Palestina, nem contra os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país.´

"Desde já, declaro-me extremamente grato a V. Sa. pela gentileza de encaminhar esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista.

"Arthur James Balfour." (Fonte)

Na semana passada, a Palestina foi reconhecida como estado observador das Nações Unidas. O status de Estado observador, semelhante ao do Vaticano, não garante direito a voto e fica logo aquém do reconhecimento pleno, que transformaria a Palestina no 194º membro da organização. Imediatamente, o governo de Israel desafiou a votação da ONU, autorizando a construção de milhares de casas (assentamentos) para seus colonos na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental.

Durante as últimas 6 ou 7 décadas, o problema Palestino tem ocupado os noticiários internacionais, sendo, como se cuida, um dos maiores empecilhos para a paz mundial, uma vez que está ligado à formação de organizações terroristas que lutam pela causa palestina. Este tema aparentemente foge aos propósitos deste blog, que tem por objetivo estudar a Bíblia. No entanto, como o problema envolve a nação de Israel, é impossível a Igreja fugir do assunto, que está diretamente ligado a muitas profecias Bíblicas. Eu não tenho intenção de discutir a fundo a política deste problema, uma vez que isto exigiria um conhecimento de causa que eu não tenho. Vou me limitar a uma breve revisão de alguns dos principais acontecimentos do século XX ligados à questão e apresentar algumas profecias sobre o futuro da Palestina. Alerto que a leitura vai ser enfadonha para quem não se interessa por esta história, e superficial demais para os que se interessam profundamente. Mas serve como ponto de partida para os que quiserem saber mais.

Os judeus foram expulsos de Jerusalém pelos romanos após revoltas judaicas em 70 d. C. e 135 d. C. Foram os romanos que deram o nome de Palestina à terra de Israel. Ao longo dos séculos seguintes, a terra foi disputada por bizantinos, europeus e árabes muçulmanos, mas sempre houve habitantes judeus na região. A partir do século XIX, os judeus da Europa começaram a organizer o movimento Sionista, que visava estabelecer um lar para os judeus na Palestina. A carta transcrita no início deste post, conhecida como Declaração de Balfour, foi escrita em 2 de novembro de 1917 pelo então secretário britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, e enviada ao Lord Rothschild, presidente na Federação Sionista Britânica, sobre sua vontade de conceder ao povo judeu uma facilitação de povoação da Terra onde hoje é Israel caso a Inglaterra conseguisse derrotar o Império Otomano, que, até então, dominava aquela região.

Com a derrota dos turcos/otomanos na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Palestina foi colocada sob controle britânico, através de mandato recebido da Liga das Nações, em 1922. Mais de duas décadas depois, as atrocidades cometidas pelos nazistas contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial chamaram a atenção do Ocidente para a antiga reivindicação sionista de criação de um Estado judeu. Em fevereiro de 1947, a Inglaterra decidiu levar a questão à recentemente criada Organização das Nações Unidas (ONU). Naquele ano, a Palestina tinha uma população de 1 milhão e 300 mil palestinos e 600 mil judeus.

Em 29 de Novembro de 1947, o representante brasileiro Osvaldo Aranha presidiu a primeira Sessão Especial da Assembléia Geral da ONU, depois de atuar fortemente em favor da aprovação de uma partilha da Palestina em um Estado judeu e um Estado árabe, que afinal foi obtida, por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. O plano previa que 53% do território seria entregue aos judeus e 47% aos árabes, conforme a Fig. 1 abaixo, mantendo Jerusalém como zona internacional.


Fig. 1: Plano de repartição da Palestina (ONU, 1947). (Fonte)

Em 14 de maio de 1948, à meia-noite, quando terminou oficialmente o mandato britânico da Palestina, David Ben-Gurion declarou a Independência do Estado de Israel, reconhecida imediatamente pela União Soviética e pelos Estados Unidos. Os Estados árabes vizinhos, que contestavam a criação de Israel, decidiram intervir e os exércitos do Egito, Iraque, Líbano, Síria e Transjordânia entraram na Palestina. A guerra de 1948-49 foi vencida pelos israelenses, que ampliaram o seu domínio por uma área de 20 mil km², incluindo parte de Jerusalém (ver Fig. 2, abaixo). O território restante foi ocupado pela Jordânia, que anexou a Cisjordânia, e pelo Egito, que ocupou a Faixa de Gaza. 900 mil palestinos abandonaram as áreas incorporadas por Israel e se espalharam pelo Oriente Médio.

 
 Fig. 2: Resultado da guerra de 1948-49. (Fonte)
 
Em 1967, tensões na fronteira levaram à guerra dos seis dias, em que Israel derrotou as forças reunidas do Egito, da Síria e da Jordânia e rapidamente tomou a Faixa de Gaza, a península do Sinai, as colinas de Golã e todo o território jordaniano a oeste do rio Jordão, retomando pleno controle de Jerusalém. Em 1979 foi assinado um tratado de paz prevendo a devolução do Sinai ao Egito, em uma série de etapas que terminariam em 1982, conforme a Fig. 3, abaixo. Em troca, o Egito reconheceu a soberania de Israel.


Fig. 3: Resultado da guerra dos seis dias e do acordo com o Egito. (Fonte) 

Em 1987 foi criado na cidade de Gaza o Hamas, um movimento de resistência islâmica na Palestina, que inclui uma entidade filantrópica, um partido político e um braço armado, cuja carta de princípios defende a eliminação de Israel. Hoje, grande parte da imprensa internacional defende que Israel deve se retirar de todas as regiões anexadas e retornar aos territórios estabelecidos pela ONU em 1947. Pessoalmente, acho ingênuo acreditar que isto traria paz ao Oriente Médio, uma vez que as nações vizinhas já tentaram destruir Israel mesmo na época em que estes ocupavam apenas as terras entregues pela ONU. O Hamas tem como objetivo a destruição do Estado de Israel e não irá parar enquanto não atingir este alvo (veja aqui o que diz um famoso ex-membro do Hamas, convertido ao Cristianismo, e veja aqui as declarações recentes do líder do Hamas). Além disso, a devolução de territórios conquistados em guerras é assunto complicado e, certamente, muitas outras nações em todos os continentes estão "devendo" terras a alguém. Como eu mencionei anteriormente, não vou discutir o que é politicamente correto nesta história. Não defendo atrocidades que possam ter sido cometidas por Israel, mas eles têm o direito de defender seu Estado. A pergunta é justamente esta, qual é o estado de Israel? Qual é a extensão das terras que lhes pertencem por direito?

Neste ponto, entrego a resposta para esta pergunta a Deus e não à ONU. Este não é um território neutro, é a Terra prometida por Deus a Abraão e à sua descendência e “em Isaque será chamada a tua descendência” (Gn 21:12), o mesmo sendo repetido a Isaque (Gn 26:3) e a Jacó (Gn 35:12), ou seja, Israel. A extensão da terra prometida é mencionada em Gn 15:18:

“Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: à tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates;”

Os detalhes das fronteiras da terra são dados em outros textos, como Nm 34:1-12. Não é fácil delimitar com precisão a terra com base nos marcos da época, e vários autores têm proposto diferentes mapas para ilustrar a região. Seja qual for a extensão exata, parece não ser muito diferente do que foi no Reino de Davi e Salomão (ver mapa na Fig. 4, abaixo), quando Deus deu descanso a Israel (I Re 4:21).

 
Fig. 4: Reino de Israel nos tempos de Davi e Salomão. (Fonte)
 
Conforme comentei no post “O Israel de Deus”, pode parecer injusto com os árabes o fato de Israel repetidamente retornar à terra e tomá-la de suas mãos. Independentemente do que parece, o fato é que isto irá acontecer e eventualmente a terra será toda dos judeus, pois Deus a deu a eles por estatuto perpétuo (Gn 13:15, Gn 17:8). Não sou a favor de que Israel simplesmente invada terras alheias hoje, mas no futuro, de alguma maneira, Deus irá dar a terra a eles. Enquanto isso, Ele pode usar diversos meios, seja a ONU, guerras, ou mesmo a intervenção de homens sem temor a Deus e suas organizações e sociedades com fins diversos. Certamente as profecias se cumprirão.

“Porque Israel e Judá não foram abandonados do seu Deus, do Senhor dos Exércitos, ainda que a sua terra esteja cheia de culpas contra o Santo de Israel.”, Jr 51:5

Isso tudo pode parecer um discurso anti-árabe e intolerante. Não é. Não tenho uma gota de sangue judeu e a Bíblia nos ensina a amar a todos, indiscriminadamente; diante de Deus, nenhum indivíduo é melhor que outro só porque tem sangue judeu ou não. Mas, como nação, Deus escolheu Israel como sua propriedade particular dentre as nações, sua menina dos olhos (Zc 2:8), e sua escolha é irrevogável (leia Rm 11). Os judeus estão sofrendo por consequência de seu ódio a Jesus e precisam se arrepender. Será preciso uma Grande Tribulação para que eles finalmente reconheçam que Jesus é o seu Messias. Quando isto acontecer,

“todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. E esta será a minha aliança com eles, Quando eu tirar os seus pecados. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais.” Rm 11:26b-28

Até então, eles serão trazidos de volta à terra como incrédulos, assim como foi predito (leia Ezequiel 20:33-38; 22:17-22).


“Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam.”, Sl 122:6

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Vídeo blog: Deus criou o universo sozinho?

Deus criou o universo sozinho ou teve ajuda de alguém? Vamos comentar a posição dos Cristãos sobre isto e como esta se compara com o ensino dos Testemunhas de Jeová (e do arianismo em geral) sobre Jesus.

Post relacionado: Testemunhas de Jeová ou de Jesus?