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sábado, 6 de dezembro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Angelologia
Quem é mais importante pra Deus, o homem ou os anjos? Onde os anjos habitam? Eles estão presos no Tártaro ou soltos pelos ares? O diabo reina no inferno? Alguns anjos se casaram com mulheres no passado? Os anjos podem ler nossos pensamentos? O rei de Tiro era o diabo? O que é o cosmos satânico? Um crente pode ser habitado por demônios? Como se luta na batalha espiritual? Tudo isso e muito mais no novo capítulo sobre angelologia:
Apostila de Teologia Sistemática
Apostila de Teologia Sistemática
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Cristologia e Pneumatologia
Você sabe o que é kenosis? E união hipostática? Jesus se despiu de Sua plena divindade quando encarnou? Ele deixou de ser plenamente homem quando ressuscitou e voltou ao céu? Se Deus não pode ser dividido, como foi que o Pai abandonou o Filho na cruz? A ressurreição de Cristo foi copiada de mitos pagãos mais antigos? Essas e outras perguntas no novo capítulo sobre Cristologia na Apostila de Teologia Sistemática.
Ainda nesta edição, você sabe o que significa pneu? Existe contradição entre a ação do Espírito Santo no livro de Atos e nas Epístolas de Paulo? O Espírito pode ser transmitido pela imposição das mãos? O que é o dom de línguas? Os dons de milagres são para hoje ou cessaram com o fechamento do cânon da Bíblia? Ainda existem apóstolos hoje? Você sabia que existem duas maneiras distintas de ser cheio do Espírito Santo? O que é a blasfêmia contra o Espírito Santo e por que ela não tem perdão? Tudo isso e muito mais no capítulo sobre Pneumatologia.
Baixe o PDF e compartilhe com seu grupo de estudos. Se discordar de algo, me processe...só que não.
Apostila de Teologia Sistemática
Ainda nesta edição, você sabe o que significa pneu? Existe contradição entre a ação do Espírito Santo no livro de Atos e nas Epístolas de Paulo? O Espírito pode ser transmitido pela imposição das mãos? O que é o dom de línguas? Os dons de milagres são para hoje ou cessaram com o fechamento do cânon da Bíblia? Ainda existem apóstolos hoje? Você sabia que existem duas maneiras distintas de ser cheio do Espírito Santo? O que é a blasfêmia contra o Espírito Santo e por que ela não tem perdão? Tudo isso e muito mais no capítulo sobre Pneumatologia.
Baixe o PDF e compartilhe com seu grupo de estudos. Se discordar de algo, me processe...só que não.
Apostila de Teologia Sistemática
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Vídeo blog: Em nome de Jesus
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Vídeo blog: Divisões entre evangélicos
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
O Profeta
Cuidado! Os crentes querem te enganar. Não todos os crentes, mas muitos deles. Eles têm uma compulsão por manipular as pessoas e exercer uma suposta autoridade divina sobre a vida delas. Não sei se é porque são mal-intensionados ou simplesmente porque foram estimulados a fazer isto, mas eles adoram impressionar as pessoas e buscar auto-afirmação brincando de profetas. Usando frases feitas que começam com "assim diz o Senhor...", andam por aí fazendo previsões obscuras que encontram atenção nos ouvidos incautos de outros crentes.
Para ser mais claro, vou dar alguns exemplos que presenciei nos últimos anos.
Um dia, eu estava assistindo um famoso pregador na TV em uma pregação em praça pública, quando ele disse algo como:
"Agora, presta atenção no que eu vou dizer, porque é profético! Deus está dizendo que Ele vai restaurar a tua família. Que nenhum dos teus vai se perder!"
Nenhum vai se perder? De que família ele estava falando? Tinha milhares de pessoas ouvindo aquilo, fora os que assistiam pela TV. Todo mundo falou "Amém! Aleluia!". Mas, pra quem era a profecia? Pra todo mundo? Claro que não! Então, pra que serve uma profecia destas? É muito fácil falar uma coisa dessas, depois pegar um avião e nunca mais encontrar-se com aquelas pessoas para prestar contas da "profecia" proferida.
Em outra ocasião, um missionário visitou uma igreja em que eu estava presente e, em um momento de intercessão, sabendo que havia uma jovem com câncer no culto, falou diretamente com ela para que ela desse glória a Deus pela cura que ela já tinha recebido. Pouco tempo depois, a jovem faleceu em decorrência da doença.
Um "profeta" que passava pela calçada me encontrou na porta da igreja um dia e disse que eu tinha nascido em berço de ouro e que Deus ia me dar uma esposa. Certamente ele não sabia que eu nasci em um dos países mais pobres e primitivos do mundo e passei os primeiros anos de vida morando no mato. E certamente ele não percebeu que eu já tinha uma aliança na mão esquerda.
Às vezes, a vontade de acreditar é tão forte que quem ouve a profetada acaba recebendo uma mensagem do jeito que quer ouvir, e não do jeito que ela foi proferida. Por exemplo, assisti um vídeo em que um pastor disse que uma irmã lhe havia falado: "Deus me disse que você parou de fazer uma coisa que costumava fazer. Você tem que voltar a fazer aquilo. Faz sentido pra você?". Esta é uma típica frase usada por estes profetas. Falam algo genérico, que poderia ser aplicado a qualquer pessoa, e perguntam se faz sentido. O pastor em questão concluiu que Deus estava falando que ele deveria voltar a orar de madrugada na igreja, como costumava fazer no passado. Mas isto não foi o que a profetiza disse, foi o que ele subentendeu. Compare isto com as profecias da Bíblia e você vai perceber a diferença. Quando Deus quer passar uma mensagem, ele fala claramente, não fica dando margem pra pessoa adivinhar o significado da mensagem. Quando o profeta Ágabo falou com Paulo em Atos 10, foi muito claro: "você vai ser preso por judeus em Jerusalém e entregue aos gentios."
Certa vez eu estava almoçando com alguns crentes quando uma senhora se alterou subitamente e disse que estava "recebendo algo" sobre mim. Ela disse que eu ia receber uma mensagem, talvez uma carta. Só não sabia dizer o conteúdo da mensagem, nem o que eu devia fazer com aquilo. Que espécie de profecia é essa? Recebo dúzias de e-mails todos os dias, o que isso tem de especial? Outros tipos de profetadas bem populares são:
"Você vai fazer uma viagem", "Deus tem um plano na sua vida", "Sua igreja vai crescer", "Vi um caixão na sua sala", "Você vai ser um grande pregador", "Deus vai te dar aquilo que você está pedindo a Ele há muito tempo", etc. Estas coisas podem se aplicar a qualquer pessoa. Às vezes vai se cumprir, às vezes não. Às vezes a pessoa vai procurar agir de acordo com a palavra que recebeu, o que não significa que foi uma revelação sobrenatural de Deus.
O pior de tudo é que você pode até concordar com tudo o que eu escrevi acima e ainda assim você vai dizer que no seu caso foi diferente. A sua profecia foi real. Todo mundo diz isso. Bem, quem sou eu pra julgar suas experiências, já tenho muito trabalho com as minhas. Eu sei que existem relatos que parecem ser realmente sobrenaturais, mas não tem sido esta a minha (pequena) experiência pessoal. A maioria dos que estão por aí são falsos profetas, e tem sido assim desde os tempos bíblicos. O que eles falam pode não parecer prejudicial, mas falar algo em nome de Deus sem Ele ter mandado é muito perigoso. Cuidado com eles!
Jr 14:14 - "E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam."
Para ser mais claro, vou dar alguns exemplos que presenciei nos últimos anos.
Um dia, eu estava assistindo um famoso pregador na TV em uma pregação em praça pública, quando ele disse algo como:
"Agora, presta atenção no que eu vou dizer, porque é profético! Deus está dizendo que Ele vai restaurar a tua família. Que nenhum dos teus vai se perder!"
Nenhum vai se perder? De que família ele estava falando? Tinha milhares de pessoas ouvindo aquilo, fora os que assistiam pela TV. Todo mundo falou "Amém! Aleluia!". Mas, pra quem era a profecia? Pra todo mundo? Claro que não! Então, pra que serve uma profecia destas? É muito fácil falar uma coisa dessas, depois pegar um avião e nunca mais encontrar-se com aquelas pessoas para prestar contas da "profecia" proferida.
Em outra ocasião, um missionário visitou uma igreja em que eu estava presente e, em um momento de intercessão, sabendo que havia uma jovem com câncer no culto, falou diretamente com ela para que ela desse glória a Deus pela cura que ela já tinha recebido. Pouco tempo depois, a jovem faleceu em decorrência da doença.
Um "profeta" que passava pela calçada me encontrou na porta da igreja um dia e disse que eu tinha nascido em berço de ouro e que Deus ia me dar uma esposa. Certamente ele não sabia que eu nasci em um dos países mais pobres e primitivos do mundo e passei os primeiros anos de vida morando no mato. E certamente ele não percebeu que eu já tinha uma aliança na mão esquerda.
Às vezes, a vontade de acreditar é tão forte que quem ouve a profetada acaba recebendo uma mensagem do jeito que quer ouvir, e não do jeito que ela foi proferida. Por exemplo, assisti um vídeo em que um pastor disse que uma irmã lhe havia falado: "Deus me disse que você parou de fazer uma coisa que costumava fazer. Você tem que voltar a fazer aquilo. Faz sentido pra você?". Esta é uma típica frase usada por estes profetas. Falam algo genérico, que poderia ser aplicado a qualquer pessoa, e perguntam se faz sentido. O pastor em questão concluiu que Deus estava falando que ele deveria voltar a orar de madrugada na igreja, como costumava fazer no passado. Mas isto não foi o que a profetiza disse, foi o que ele subentendeu. Compare isto com as profecias da Bíblia e você vai perceber a diferença. Quando Deus quer passar uma mensagem, ele fala claramente, não fica dando margem pra pessoa adivinhar o significado da mensagem. Quando o profeta Ágabo falou com Paulo em Atos 10, foi muito claro: "você vai ser preso por judeus em Jerusalém e entregue aos gentios."
Certa vez eu estava almoçando com alguns crentes quando uma senhora se alterou subitamente e disse que estava "recebendo algo" sobre mim. Ela disse que eu ia receber uma mensagem, talvez uma carta. Só não sabia dizer o conteúdo da mensagem, nem o que eu devia fazer com aquilo. Que espécie de profecia é essa? Recebo dúzias de e-mails todos os dias, o que isso tem de especial? Outros tipos de profetadas bem populares são:
"Você vai fazer uma viagem", "Deus tem um plano na sua vida", "Sua igreja vai crescer", "Vi um caixão na sua sala", "Você vai ser um grande pregador", "Deus vai te dar aquilo que você está pedindo a Ele há muito tempo", etc. Estas coisas podem se aplicar a qualquer pessoa. Às vezes vai se cumprir, às vezes não. Às vezes a pessoa vai procurar agir de acordo com a palavra que recebeu, o que não significa que foi uma revelação sobrenatural de Deus.
O pior de tudo é que você pode até concordar com tudo o que eu escrevi acima e ainda assim você vai dizer que no seu caso foi diferente. A sua profecia foi real. Todo mundo diz isso. Bem, quem sou eu pra julgar suas experiências, já tenho muito trabalho com as minhas. Eu sei que existem relatos que parecem ser realmente sobrenaturais, mas não tem sido esta a minha (pequena) experiência pessoal. A maioria dos que estão por aí são falsos profetas, e tem sido assim desde os tempos bíblicos. O que eles falam pode não parecer prejudicial, mas falar algo em nome de Deus sem Ele ter mandado é muito perigoso. Cuidado com eles!
Jr 14:14 - "E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam."
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Pastor ou Apóstolo?
Ef 4:11,12 - "E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;"
Existe confusão entre as pessoas quanto a alguns termos que aparecem no Novo Testamento, como apóstolo, evangelista, profeta, bispo, presbítero, pastor, doutor (ou mestre), ancião e diácono. A palavra ancião é tradução do grego "presbiteros", ao passo que bispo, ou supervisor, é tradução de "episcopos". Trata-se de duas palavras distintas para o mesmo cargo de líder da igreja local. O nome "ancião" enfatiza a maturidade do homem, tanto em questões espirituais quanto em experiência de vida. A palavra "bispo" enfatiza a função de supervisor espiritual da igreja. Uma terceira palavra usada neste contexto é pastor ("poimen"), que foca na função de pastoreio exercida pelos anciãos. Apesar da popularidade do termo "pastor" hoje em dia, a palavra "poimen" aparece somente uma vez na Bíblia em associação com uma função na igreja, precisamente em Ef 4:11 (no entanto, na Bíblia em português, às vezes a palavra "presbiteros" foi traduzida como pastores). A maioria dos teólogos que consultei coloca "doutores" e "mestres" como sinônimos de pastores, uma vez que o final de Ef 4:11 pode ser traduzido como "...e outros para pastores, ou seja, doutores". Como doutores ou mestres são os que ensinam as Escrituras, a principal função do pastor é ensinar. Em geral esta função era exercida por anciãos, mas uma pessoa podia ter o dom de ensino/pastoreio sem ter o cargo de ancião.
Resumindo, as palavras ancião, presbítero e bispo referem-se ao mesmo cargo. Hoje em dia, a maioria das igrejas evangélicas daria o nome de pastor a tal cargo.
Assim, pastores são os que cuidam do rebanho, liderando, alimentando com a Palavra de Deus e zelando para que as ovelhas não se desgarrem. O papel do pastor não é primeiramente evangelizar os perdidos. Isto é tarefa de todos os crentes e em particular dos evangelistas. O pastor deve equipar as ovelhas com a verdade para que elas possam crescer de maneira saudável no conhecimento da Palavra.
Note que em Ef 4:12, citado acima, são as ovelhas que estão no ministério, não os pastores. O pastor é quem as prepara para o ministério. As ovelhas devem ir à igreja, ouvir os pastores ensinarem a Palavra de Deus para crescerem e amadurecerem, de forma que elas possam ministrar no serviço que Deus espera de cada uma delas. Este ministério individual não precisa ser um cargo na igreja, mas é o serviço diário de cada cristão, que envolve evangelizar o próximo, apoiar os irmãos e a prática das mutualidades descritas no Novo Testamento (os famosos "uns aos outros").
Os pastores devem ser escolhidos de acordo com os critérios descritos em I Tm 3:1-7 e Tt 1:5-9, que incluem capacidade de ensinar, conhecimento da Bíblia, capacidade de liderar comprovada pela forma como governam suas famílias e bom testemunho de vida, pois eles devem ser exemplo daquilo que ensinam:
I Pe 5:1-3: "AOS presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas SERVINDO DE EXEMPLO AO REBANHO."
Note que em nenhum lugar da Bíblia exige-se que os pastores sejam grandes ganhadores de almas, criativos, dinâmicos, divertidos, pró-ativos, visionários, etc. Algumas destas características podem ser úteis, mas elas não são requisitos para um bom pastor segundo a Bíblia.
Com relação aos diáconos, supõe-se que eles tenham sido instituídos em At 6 para servirem à igreja na distribuição de recursos às viúvas, embora o termo diácono só apareça pela primeira vez em Fp 1:1. A palavra diácono significa "servo", e parece que exerciam tarefas diversas que eram atribuídas pelos presbíteros. Os requisitos para a escolha de diáconos (I Tm 3:8-13) envolvem o mesmo padrão moral exigido dos pastores, só que dos diáconos não se cobra a capacidade de ensinar, pois esta não é sua tarefa.
Resta falar sobre apóstolos e profetas. Vamos tratar dos profetas em outra ocasião, quando falarmos do cânon da Bíblia. A palavra apóstolo significa "enviado", dando a idéia de alguém que é um representante oficial de outra pessoa. Um apóstolo tem uma posição de grande responsabilidade e age com poder e autoridade em nome daquele que o enviou. Quando Jesus selecionou 12 dos seus discípulos e os chamou de apóstolos (Lc 6:12-13), Ele conferiu a eles grande autoridade e poder para autenticarem sua mensagem por meio de sinais e assim estabelecerem os fundamentos sobre os quais a igreja seria edificada.
O único caso de sucessão apostólica mencionado na Bíblia ocorre em At 1:16-26, quando Matias foi escolhido para substituir Judas em cumprimento a uma profecia de Sl 109:8. Aqui, encontramos os requisitos para ser um dos 12 apóstolos: teria que ter estado com Jesus desde seu batismo até sua assunção, tendo ouvido seus ensinos e sendo testemunha ocular da Sua ressurreição, além de ser escolhido por Deus.
O grupo dos 12 apóstolos não pode ser ampliado, uma vez que seus nomes estão gravados nos fundamentos do muro da Nova Jerusalém (Ap. 21:14). O que dizer, então, de Paulo? Ele passava boa parte do tempo tendo que provar que era um apóstolo verdadeiro, igual aos 12 em autoridade (I Co 1:1; 9:1-5; II Co 1:1; 11:5; Gl 1:1-2:15; II Tm 1:1,11). Apesar de Paulo não ter acompanhado Jesus desde o início, ele viu o Cristo ressuscitado e foi pessoalmente escolhido por Ele (At 9:3-7, 17; 22:6-9; 26:12-16; I Co 15:8), tendo mostrado os sinais milagrosos de um verdadeiro apóstolo. A respeito de si mesmo, Paulo diz ser o último dos apóstolos, nascido fora de tempo (I Co 15:8), pois não esteve com Jesus desde o início. Outro que talvez possa ser qualificado como apóstolo foi Tiago, meio-irmão de Jesus e líder da igreja de Jerusalém, que foi testemunha ocular da ressurreição de Cristo (I Co 15:7) e contado com os apóstolos (Gl 1:19). Outro homem que é chamado de apóstolo é Barnabé (At 14:14).
Para entender porque diversos Cristãos foram chamados de apóstolos na Bíblia, apesar dos requisitos restritivos para a definição de apóstolo, note que em I Co 15, ao falar sobre a ressurreição de Cristo, Paulo menciona que Ele apareceu primeiro a Cefas, depois aos doze (v. 5, será que Matias estava presente?), depois por mais de quinhentos irmãos (v. 6), depois por Tiago e por "todos os apóstolos" (v. 7). Perceba que "todos os apóstolos" refere-se a outros que não os 12 ou Tiago. Com isso, pode-se concluir que havia outros apóstolos além dos
12, mas todos haviam visto o Cristo ressuscitado e sido chamados pessoalmente por ele. Possivelmente, este número inclui os 70 que Jesus havia enviado previamente a pregarem a chegada do Reino de Deus e operarem milagres (Lc 10). Pode ser que Barnabé fosse um desses, embora isso não possa ser verificado; é possível que ele tenha sido chamado de apóstolo apenas no sentido de alguém enviado pela Igreja para uma obra missionária. Seja como for, o último a ser comissionado pelo Cristo ressuscitado foi Paulo.
Assim, temos 2 classes de apóstolos: a primeira é formada por Paulo, os 12 e outros escolhidos e enviados pessoalmente por Jesus como seus representantes autorizados; a segunda é formada por alguns outros mencionados em Atos, escolhidos e enviados pelos apóstolos como representantes autorizados da Igreja. Não existem outros casos de sucessão dos 12 além de Matias. Quando Tiago, filho de Zebedeu, que era dos 12, foi morto por Herodes Agripa I (At 12:1-2), a igreja não o substituiu. Também não existem instruções nas epístolas sobre como escolher um apóstolo, embora haja instrução para a escolha de presbíteros e diáconos. Na verdade, em vista dos requisitos de um verdadeiro apóstolo, ninguém nascido após o primeiro século da era cristã se qualificaria como candidato. Paulo foi o derradeiro, como ele mesmo disse. Na verdade, concluímos que os apóstolos não são necessários na igreja atual, uma vez que sua tarefa era estabelecer a igreja e sua doutrina (Jo 14:26; 16:12-13; Ef 2:20). Como a doutrina já foi entregue de uma vez por todas (como veremos), apóstolos não são mais necessários. A igreja de Cristo deve ser governada por presbíteros e servida por diáconos. Nada de papas, apóstolos ou super-bispos.
Para mais informações, recomendo: Mal Couch, "A Bible handbook to the Acts of the Apostles", Kregel.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
O dom de línguas
O assunto de línguas estranhas tem dividido evangélicos há décadas, com pessoas se colocando em um dos dois lados: o dos cessacionistas, que acham que os dons sobrenaturais cessaram com o fim da era apostólica, e o dos carismáticos, que acham que os dons ainda são a norma para a igreja de hoje.
Lembro-me de meus tempos de faculdade, quando uma aluna evangélica me disse que gostava dos batistas (eu sou batista), só não entendia por que nós não falávamos em línguas. Como eu não queria iniciar uma discussão com a irmã, disse apenas que “não precisamos. As pessoas no Brasil entendem português.”
Mas, afinal de contas, por que alguns cristãos falam em línguas e outros não? Por que este fenômeno permaneceu escondido ao longo da história da igreja e retornou no século XX? Não sou autoridade nestes assuntos em termos de experiência pessoal, portanto vou procurar apenas revisar alguns textos.
Primeiro, o que é o dom de línguas?
A definição deve ser, necessariamente, obtida a partir da descrição de Atos 2, pois este foi o primeiro momento na história em que o dom se manifestou.
“E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem...E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?”
Portanto, o dom de línguas é a capacidade sobrenatural de falar uma língua sem tê-la estudado. O termo grego traduzido por línguas em Atos 2 é glossa, que refere-se à língua como um órgão do corpo, ou à linguagem de um povo.
Algumas pessoas acham que o dom de línguas no livro de Atos refere-se a línguas estrangeiras e que em I Coríntios 12-14 refere-se a gemidos ou sílabas initeligíveis, pronunciados quando em um estado de êxtase espiritual. Seria a chamada “língua dos anjos”. No entanto, o termo grego em I Coríntios continua sendo glossa, e não há motivo na Bíblia para achar que trata-se de um outro dom, diferente do de Atos. Pelo contrário, compare o que diz o Senhor:
"E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos." Mt 6:7
A expressão “vãs repetições” é uma tradução do grego battalogeo, que significa “ficar repetindo a mesma coisa, usar palavras vazias, falar de maneira ininteligível, tagarelar, falar sem pensar”. A palavra vem de uma composição entre batta e logeo (falar). Batta não é uma palavra, é apenas uma onomatopéia para indicar um som ininteligível. Naquela época, os pagãos envolvidos com as religiões de mistério falavam “em línguas”, apenas repetindo sons sem sentido. É como se Jesus estivesse dizendo: “não fiquem só falando bata, bata, bata, igual os pagãos. Suas orações devem ter sentido lógico.” Se Jesus condena a repetição de sons sem sentido em orações, por que Paulo diria que isto é um dom do Espírito? As línguas em I Coríntios, assim como em Atos, são linguagens coerentes e as mensagens são lógicas, e não barulhos estranhos de gente enrolando a língua. Da próxima vez que você ouvir alguma pessoa falando “bata, bata, bata...” em um culto, saiba que ela está fazendo isto na sua ignorância, movida por emocionalismo e não pelo Espírito Santo.
O dom do Espírito é um “sinal para os infiéis” (I Co 14:22). Sendo assim, é um milagre impressionante do Espírito Santo, não um barulho que qualquer um pode imitar. Também não é algo que se aprenda em curso, como já vi em algumas igrejas. Isto mesmo, curso de dom de línguas. Você aprende algumas palavras, solta a língua e repete à exaustão, até aquilo se tornar automático. Alguém pode me apontar um verso bíblico que ensine esta técnica? Também não vale decorar meia dúzia de palavras em aramaico e ficar usando elas de vez em quando.
O falso dom de línguas já causava divisão na igreja no segundo século da era cristã. Note o seguinte relato sobre um profeta chamado Montano (126-180 a. d.):
“Montano ficou fora de si, em uma espécie de frenesi e êxtase; ele delirou e começou a balbuciar e pronunciar coisas estranhas, profetizando em uma maneira contrária ao costume da Igreja, entregue pela tradição desde o princípio. Alguns dos que ouviram suas falas espúrias na época ficaram indignados, e o repreenderam como se ele estivesse possesso...Mas outros, imaginando-se possuídos pelo Espírito Santo e dotados do dom da profecia, se tornaram presunçosos... e foram enganados por ele.”, Eusebius, Ecclesiastical History 5.16-17 (http://biblefacts.org/history/mont.html, http://biblesanity.org/glossa.htm)
Conforme Eusébio e Asterius Urbanus, Montano acabou se enforcando, instigado pelo espírito que o tomou.
Mas, alguém pode perguntar: “como saber se meu dom de línguas é real ou não?”
Bem, do ponto de vista técnico pode-se fazer um experimento:
1 – Quando estiver falando em línguas, peça para alguém gravar
2 – Leve a gravação para 2 pessoas que dizem ter o dom da interpretação e peça para elas interpretarem, sem que uma delas saiba qual foi a interpretação dada pela outra
3 – Se os dois intérpretes chegarem à mesma tradução, avalie o conteúdo da mensagem para ver se é bíblico, lógico e coerente
4 – Se os intérpretes chegarem a resultados diferentes, um deles (ou ambos) está mentindo. Você vai ter que procurar um terceiro intérprete.
Como eu duvido que alguém vá tentar um experimento como estes, se você está convicto de que tem o dom de línguas, pelo menos saiba como usá-lo biblicamente:
“E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.”, I Co 14:27-28
Não se deve usar Atos 2 para justificar o falar em línguas simultaneamente com outros irmãos, pois aquele foi um evento extremo, conforme discutido no post anterior. A regra para o uso dos dons no culto cristão encontra-se nas epístolas (I Co 14), não em Atos.
Respondendo à pergunta da aluna evangélica que mencionei no início deste artigo, por que não falo em línguas? Porque Deus não me deu o dom e eu não vou fingir que o tenho.
Como complemento, relaciono abaixo dois textos que indicam que o dom de línguas havia cessado, ou pelo menos “se escondido”, algum tempo após a era apostólica.
(http://biblesanity.org/glossa.htm, http://en.wikipedia.org/wiki/Glossolalia):
Crisóstomo (345-407 a. d.)
Comentando sobre I Coríntios 12: “Toda esta passagem é muito obscura: mas a obscuridade é devido à nossa ignorância dos fatos referidos e devido ao seu encerramento, de tal forma que eles costumavam ocorrer naquela época, mas agora não se observam mais.”, Chrystostom, Homilies on First Corinthians, xxix, 1
Agostinho de Hipona (354-430 a. d.).
“O Espírito Santo caiu sobre os crentes e eles falaram em línguas que não tinham aprendido, conforme o Espírito lhes dava elocução. Estes eram sinais adaptados àquela época, pois havia este sinal do Espírito Santo em todas as línguas para mostrar que o evangelho de Deus deveria se espalhar por toda a Terra. Aquilo foi feito como um sinal e se encerrou.”, Augustine, Homilies on the Gospel of John 6:10, in The Nicene and Post-Nicene Fathers [7:497-98]
sábado, 28 de agosto de 2010
Eventos Extremos
"E, CUMPRINDO-SE o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados...E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 2:1,2,4
"E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra...Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus." At 10:44,46
"Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?...E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus." I Co 14:23,27-28
Então, qual texto você vai seguir? Atos ou I Coríntios? Falar todo mundo junto ou um de cada vez?
Tem mais:
"Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus). Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo." At 8:14-17
"Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam." At 19:2-6
Compare com os textos abaixo:
"Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele." Rm 8:9
"Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa." Ef 1:13
"Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito" I Co 12:13
"Há um só corpo e um só Espírito...Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;" Ef 4:4-5
Em Atos, tem discípulos recebendo o Espírito após a conversão, por meio de imposição de mãos, como se fosse uma segunda bênção. Nas Epístolas de Paulo, se alguém não tem o Espírito, não é de Deus (Rm 8:9); recebemos o Espírito na hora em que cremos (Ef 1:13); no batismo do Espírito somos colocados no corpo de Cristo (I Co 12:13), e não existe segunda bênção (Ef 4:4-5). Não existe alguém meio salvo. É igual mulher grávida, ou tá ou não tá.
Os acontecimentos de Atos são narrados como eventos extremos e não como experiências normativas da vida cristã. Eventos extremos são típicos de uma época de transição entre duas dispensações e cumprem o propósito de atestar as novas revelações de maneira incontestável.
Dentre as novidades encontradas no livro de Atos, destacam-se o batismo do Espírito Santo e o falar em línguas estranhas. Com relação a falar em línguas, vamos deixar para o próximo post. Vejamos o batismo do Espírito Santo. Costuma-se dizer que o livro de Atos não é o melhor lugar para se elaborar doutrinas para a Igreja. Mas, por que não? É tão inspirado quanto outro qualquer. O problema é que, como eu disse, Atos relata um período de transição entre a dispensação da Lei e da Igreja. As pessoas que eram salvas antes de Jesus vir ao mundo, debaixo da velha regra, não perderam a salvação quando Jesus veio. Muitos judeus e gentios tementes a Deus e praticantes do judaísmo moravam em outros países e levaram um bom tempo antes de ouvir falar sobre Jesus. Por outro lado, a maioria dos judeus consideravam os outros povos como raça inferior, desprezada por Deus e o simples contato com gentios tornaria um judeu imundo. Como Deus poderia mudar o coração dos discípulos para que entendessem que na nova dispensação, judeus e gentios salvos constituem um mesmo corpo? Isto necessitava de atitudes drásticas.
É claro que em Atos 2 os discípulos já eram Cristãos quando receberam o Espírito. Eles antes eram Cristãos porque criam em Cristo, mas não eram como nós, pois no dia de Pentecostes o Espírito começou uma obra nova nos corações, regenerando, habitando, selando e batizando os crentes na Igreja, ou seja, inserindo-os no corpo de Cristo. Todos os crentes presentes receberam o Espírito Santo. Isto foi o início do cumprimento das profecias sobre a circuncisão do coração (Dt 30:6) e Deus colocando Seu Espírito no Seu povo (Ez 36:26), o que se concretizará em escala nacional no Milênio.
Em Atos 8:14-17, os discípulos em Jerusalém ouviram que os samaritanos também tinham crido no evangelho. O evangelho tinha sido levado até lá por Filipe, que não era apóstolo e estava batizando-os com água (At 8:5,12). A Igreja em Jerusalém envia, então, Pedro e João, que oram e o Espírito vem sobre os novos convertidos. Certa vez conversei com um pastor batista que disse que não tinha certeza se o batismo do Espírito Santo acontece antes, durante ou após a conversão, ou se antes ou depois do batismo nas águas, por causa deste texto.
Para entender o que ocorreu, note que até então a igreja era composta exclusivamente de judeus. O avanço geográfico do evangelho traz um problema étnico aqui. Segundo Mal Couch, os samaritanos achavam que possuíam um “lugar escolhido por Yahweh”, o Monte Gerizim, onde eles construíram um templo. Para os judeus, os samaritanos eram piores do que estrangeiros; eles eram mestiços hereges, excomungados e “mais imundos do que carne de porco”. A presença apostólica de Pedro e João autenticou a igreja de Samaria e evitou um racha na igreja que emergia. Foi uma prova de que o Espírito veio sobre os samaritanos assim como havia vindo sobre os judeus em pentecostes. Lembre-se de que o mesmo João tinha demonstrado sua hostilidade contra os samaritanos antes, pedindo para Jesus mandar fogo dos céus para consumí-los (Lc 9:52-54).
Não se pode minimizar a importância deste evento. A unidade da Igreja foi preservada pela visitação apostólica e os samaritanos não foram deixados isolados. Além de evitar a criação de uma seita samaritana na igreja, esta experiência demonstrou aos crentes de Samaria que eles deviam estar debaixo da autoridade espiritual dos apóstolos judeus. Esta experiência não é uma regra para a Igreja. Foi um evento extremo para servir de “ponte” entre os judeus e os gentios. Em Samaria o evangelho começou a sair de Israel rumo às nações, provando que existe agora “um corpo e um Espírito...um Senhor, uma fé, um batismo” (Ef 4:4-5)
O evento descrito em At 19:2-6 é diferente em natureza. Aqui, Paulo pergunta a um grupo de discípulos em Éfeso se eles haviam recebido o Espírito quando creram. Esta pergunta revela que esta passou a ser a norma na Igreja: quando alguém crê, recebe o Espírito. A resposta destes discípulos revela que na verdade eles não conheciam o evangelho de Cristo. Eles tinham sido batizados por João Batista, e não sabiam que Jesus era o Messias anunciado por João. Eles eram santos do Velho Testamento. Após ouvirem o evangelho de Paulo, eles crêem e são batizados nas águas, recebendo o Espírito Santo por imposição de mãos, o que confirma a autoridade apostólica de Paulo. Este é um detalhe importante, estes eventos extremos da época de pentecostes sempre acontecem com a presença de um apóstolo. As epístolas do Novo Testamento não mencionam nada sobre segunda bênção (algo diferente de ser cheio do Espírito) e nem contêm instruções sobre como transferir o Espírito Santo por meio da imposição de mãos. E nem precisam, pois somente apóstolos tinham esta autoridade e não existem instruções sobre sucessão apostólica nas Epístolas. Não existem repetições de pentecostes.
Por falar nisso, o que é um apóstolo e por que dizemos que não existem apóstolos hoje? Fica pra próxima...
"E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra...Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus." At 10:44,46
"Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?...E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus." I Co 14:23,27-28
Então, qual texto você vai seguir? Atos ou I Coríntios? Falar todo mundo junto ou um de cada vez?
Tem mais:
"Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus). Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo." At 8:14-17
"Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam." At 19:2-6
Compare com os textos abaixo:
"Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele." Rm 8:9
"Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa." Ef 1:13
"Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito" I Co 12:13
"Há um só corpo e um só Espírito...Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;" Ef 4:4-5
Em Atos, tem discípulos recebendo o Espírito após a conversão, por meio de imposição de mãos, como se fosse uma segunda bênção. Nas Epístolas de Paulo, se alguém não tem o Espírito, não é de Deus (Rm 8:9); recebemos o Espírito na hora em que cremos (Ef 1:13); no batismo do Espírito somos colocados no corpo de Cristo (I Co 12:13), e não existe segunda bênção (Ef 4:4-5). Não existe alguém meio salvo. É igual mulher grávida, ou tá ou não tá.
Os acontecimentos de Atos são narrados como eventos extremos e não como experiências normativas da vida cristã. Eventos extremos são típicos de uma época de transição entre duas dispensações e cumprem o propósito de atestar as novas revelações de maneira incontestável.
Dentre as novidades encontradas no livro de Atos, destacam-se o batismo do Espírito Santo e o falar em línguas estranhas. Com relação a falar em línguas, vamos deixar para o próximo post. Vejamos o batismo do Espírito Santo. Costuma-se dizer que o livro de Atos não é o melhor lugar para se elaborar doutrinas para a Igreja. Mas, por que não? É tão inspirado quanto outro qualquer. O problema é que, como eu disse, Atos relata um período de transição entre a dispensação da Lei e da Igreja. As pessoas que eram salvas antes de Jesus vir ao mundo, debaixo da velha regra, não perderam a salvação quando Jesus veio. Muitos judeus e gentios tementes a Deus e praticantes do judaísmo moravam em outros países e levaram um bom tempo antes de ouvir falar sobre Jesus. Por outro lado, a maioria dos judeus consideravam os outros povos como raça inferior, desprezada por Deus e o simples contato com gentios tornaria um judeu imundo. Como Deus poderia mudar o coração dos discípulos para que entendessem que na nova dispensação, judeus e gentios salvos constituem um mesmo corpo? Isto necessitava de atitudes drásticas.
É claro que em Atos 2 os discípulos já eram Cristãos quando receberam o Espírito. Eles antes eram Cristãos porque criam em Cristo, mas não eram como nós, pois no dia de Pentecostes o Espírito começou uma obra nova nos corações, regenerando, habitando, selando e batizando os crentes na Igreja, ou seja, inserindo-os no corpo de Cristo. Todos os crentes presentes receberam o Espírito Santo. Isto foi o início do cumprimento das profecias sobre a circuncisão do coração (Dt 30:6) e Deus colocando Seu Espírito no Seu povo (Ez 36:26), o que se concretizará em escala nacional no Milênio.
Em Atos 8:14-17, os discípulos em Jerusalém ouviram que os samaritanos também tinham crido no evangelho. O evangelho tinha sido levado até lá por Filipe, que não era apóstolo e estava batizando-os com água (At 8:5,12). A Igreja em Jerusalém envia, então, Pedro e João, que oram e o Espírito vem sobre os novos convertidos. Certa vez conversei com um pastor batista que disse que não tinha certeza se o batismo do Espírito Santo acontece antes, durante ou após a conversão, ou se antes ou depois do batismo nas águas, por causa deste texto.
Para entender o que ocorreu, note que até então a igreja era composta exclusivamente de judeus. O avanço geográfico do evangelho traz um problema étnico aqui. Segundo Mal Couch, os samaritanos achavam que possuíam um “lugar escolhido por Yahweh”, o Monte Gerizim, onde eles construíram um templo. Para os judeus, os samaritanos eram piores do que estrangeiros; eles eram mestiços hereges, excomungados e “mais imundos do que carne de porco”. A presença apostólica de Pedro e João autenticou a igreja de Samaria e evitou um racha na igreja que emergia. Foi uma prova de que o Espírito veio sobre os samaritanos assim como havia vindo sobre os judeus em pentecostes. Lembre-se de que o mesmo João tinha demonstrado sua hostilidade contra os samaritanos antes, pedindo para Jesus mandar fogo dos céus para consumí-los (Lc 9:52-54).
Não se pode minimizar a importância deste evento. A unidade da Igreja foi preservada pela visitação apostólica e os samaritanos não foram deixados isolados. Além de evitar a criação de uma seita samaritana na igreja, esta experiência demonstrou aos crentes de Samaria que eles deviam estar debaixo da autoridade espiritual dos apóstolos judeus. Esta experiência não é uma regra para a Igreja. Foi um evento extremo para servir de “ponte” entre os judeus e os gentios. Em Samaria o evangelho começou a sair de Israel rumo às nações, provando que existe agora “um corpo e um Espírito...um Senhor, uma fé, um batismo” (Ef 4:4-5)
O evento descrito em At 19:2-6 é diferente em natureza. Aqui, Paulo pergunta a um grupo de discípulos em Éfeso se eles haviam recebido o Espírito quando creram. Esta pergunta revela que esta passou a ser a norma na Igreja: quando alguém crê, recebe o Espírito. A resposta destes discípulos revela que na verdade eles não conheciam o evangelho de Cristo. Eles tinham sido batizados por João Batista, e não sabiam que Jesus era o Messias anunciado por João. Eles eram santos do Velho Testamento. Após ouvirem o evangelho de Paulo, eles crêem e são batizados nas águas, recebendo o Espírito Santo por imposição de mãos, o que confirma a autoridade apostólica de Paulo. Este é um detalhe importante, estes eventos extremos da época de pentecostes sempre acontecem com a presença de um apóstolo. As epístolas do Novo Testamento não mencionam nada sobre segunda bênção (algo diferente de ser cheio do Espírito) e nem contêm instruções sobre como transferir o Espírito Santo por meio da imposição de mãos. E nem precisam, pois somente apóstolos tinham esta autoridade e não existem instruções sobre sucessão apostólica nas Epístolas. Não existem repetições de pentecostes.
Por falar nisso, o que é um apóstolo e por que dizemos que não existem apóstolos hoje? Fica pra próxima...
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