O medo do ridículo é uma das coisas que mais impede os cristãos de agirem como cristãos. Em particular, o medo de que os outros saibam que cremos nas coisas que cremos. Medo de que descubram que nossa visão de mundo é completamente diferente do que os outros ensinam. Alguns tentam apaziguar os intelectuais elaborando teorias de interpretação Bíblica que estejam de acordo com uma descrição científica da criação. Eu entendo a tentativa, desde que se respeite o texto Bíblico. Mas, sejamos francos, estas idéias nunca serão aceitas no meio acadêmico e você nunca vai ser respeitado intelectualmente por causa disso, a menos que negue tudo o que a Bíblia afirma a respeito de milagres.
Por exemplo, pode-se defender que a idéia de que a Terra é mais antiga do que 6.000 anos não é incompatível com a Bíblia, como discutimos em um post passado. O principal argumento para isto é encontrado na própria Bíblia, comparando Gênesis 1 com Gênesis 2. Argumentos observacionais (científicos) entram como complemento. No entanto, isto não irá impressionar os incrédulos e nossa autoridade final ainda é a Bíblia. Eu ainda acredito em milagres, no jardim do Éden, em uma serpente falante, no dilúvio, na torre de Babel, no dia longo de Josué, Jonas e o peixe, Deus nascendo de uma virgem, na ressurreição, no arrebatamento da igreja e na segunda vinda, Maranatha! (eu ouvi alguém dizendo "amém"?).
Existem poucas coisas mais patéticas do que um cristão gaguejando para tentar esconder que acredita em tudo isto só para parecer mais inteligente perante os homens sem Deus. De certa maneira, é pior do que aquele que realmente não acredita, pois ele pelo menos é sincero. Eu não sei explicar como aconteceram as coisas que a Bíblia descreve, mas sei que aconteceram. É verdade que devemos ter cautela antes de ensinarmos ciência baseada no Texto Sagrado, pois a Bíblia não se comunica conosco em linguagem científica, como discutimos em outro post. Mas não negamos a veracidade dos acontecimentos e o tempo costuma atestar a precisão dos relatos Bíblicos por meio da arqueologia.
Aquele que confia na Palavra de Deus não será confundido. Sua fé será honrada, nem que seja no dia da revelação da glória de Jesus:
I Pe 1:7 - "para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;"
Lembre-se do que Jesus disse a Tomé:
Jo 20:29 - "Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram."
E lembre-se de que os sábios da época debocharam de Paulo no areópago em Atenas.
At 17:32 - "Mas quando ouviram falar em ressurreição de mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos ainda outra vez."
Não negamos os benefícios trazidos pela ciência e somos grandemente devedores aos esforços de cientistas que investiram suas vidas para melhorar a nossa qualidade de vida e trazer respostas sobre o desconhecido, mas os sábios deste mundo se enganam quando se voltam contra Deus e Sua Palavra. Como disse Paulo:
I Co 1:18-20,26 - "Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde o escriba? Onde o questionador deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?... Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos. nem muitos os nobres que são chamados."
I Co 3:18-20 - "Ninguém engane a si mesmo; se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e outra vez: O Senhor conhece as cogitações dos sábios, que são vãs."
E nós ainda queremos impressionar estes caras com nossa teologia?
domingo, 31 de julho de 2011
sábado, 25 de junho de 2011
Evolução
Dizem que geneticamente o ser humano é 97% igual ao macaco (chimpanzé? Gorila?). Olhando bem, não parece. Não entendo nada de genética nem de biologia, mas parece evidente que existe algo além dos genes que diferencia humanos de animais. Como não entendo nada deste assunto, não vou me estender neste post. Nunca li “A origem das espécies” nem “A caixa preta de Darwin”. Ainda que haja certa forma de evolução no reino animal, não acredito que os humanos evoluíram dos primatas porque, falando como leigo, a teoria me parece, na ausência de intervenções divinas, incapaz de explicar porque somos tão diferentes de todos os animais. Não preciso nem me delongar nesta parte, afinal, fomos nós que mandamos um macaco pro espaço e não vice-versa (tudo bem, concordo que fui leviano neste comentário). Em segundo lugar, a Bíblia diz que Deus formou o homem à sua imagem e semelhança, do pó da terra. Alguns teólogos que acreditam em evolução acham que Deus usou um macaco como protótipo. Porém, só porque a matéria prima é a mesma e a estrutura física/genética é parecida não implica necessariamente em evolução. Afinal, os seres celestiais se parecem conosco e não me consta que tenha havido evolução no céu (isso foi uma piada sem graça). Mas, seja como for que se creia que Deus criou o corpo do homem, a maior diferença certamente está na parte espiritual. Somente o homem cultua seu Criador. E existe uma explicação Bíblica para isto.
Gênesis 2:19 diz que todos os animais foram formados do pó da terra e todos são chamados de alma vivente (“nephesh”, no hebraico). A respeito do homem, Gn 2:7 também diz que este foi feito alma vivente (“nephesh”). Além disso, o mesmo verso diz que Deus soprou em suas narinas o “fôlego da vida” (“neshamah” = fôlego, espírito). Os animais também têm um fôlego, mas existe alguma diferença entre a alma vivente dos animais e o espírito humano. Creio que é isto que faz com que sejamos a imagem de Deus. Somos uma criação à parte. Depois da formação do homem, Deus parou com seus atos de “criação especial” e deixou a natureza correr seu curso natural, que é a forma como eu entendo que ele “descansou” no sétimo dia da criação. Não significa que Ele não opere milagres ainda hoje, mas que Ele não cria nenhuma outra espécie da forma como criou no princípio. As novas espécies aparecem hoje por processos puramente naturais.
O que dizer dos fósseis de hominídeos? Australopitecus, homo erectus, neanderthal, cro-magno, etc.? Podemos separar 3 diferentes explicações dos Cristãos para tais fósseis:
1 – Posição naturalista e evolução teísta: afirmam que os fósseis provam a teoria da evolução, portanto, o homem evoluiu dos primatas. Alguns acham que não existe espírito, somos apenas corpo evoluído e energia. Outros acham que em algum momento no processo evolutivo, Deus colocou o espírito no homem. É como se Adão acordasse um dia, olhasse pra sua mãe e dissesse: “quem é essa macaca?” Alguns acham que o homem (homo sapiens) teria aparecido há uns 150 ou 200 mil anos atrás, baseado na datação dos fósseis por métodos de decaimento radiativo (ex. Dr. Hugh Ross, do Reasons do Believe). Outros preferem ficar com a cronologia Bíblica pós-Adão e creem que o homem apareceu há aproximadamente 6000 anos. Qualquer outro hominídeo que houve antes disso não era um homem (não tinha um espírito humano), por mais evoluído que fosse (ex. Dr. Gerald Schroeder, PhD MIT).
2 – Outra posição acredita que nenhum dos primatas antigos foi ancestral do homem. Eles eram apenas animais que foram extintos com o tempo. O homem foi criado de maneira especial por Deus e colocado em um paraíso na terra chamado Éden há 6000 anos atrás. As pinturas antigas, atribuídas a homens das cavernas, teriam sido feitas por descendentes de Adão após a queda. Os que defendem esta teoria argumentam que a datação de fósseis e artefatos reconhecidamente humanos com mais de 10000 anos está errada.
3 – A terceira posição argumenta que todos os fósseis (dinossauros, primatas e humanos) têm menos de 10000 anos e a datação científica de todos eles está errada. A terra é nova e, portanto, estes primatas não têm nada a ver com o homem e se extinguiram no dilúvio na época de Noé.
Eu me identifico mais com a segunda posição acima, mas não me considero apto para discutir a parte científica deste assunto.
Pra terminar, uma curiosidade. Você já deve ter visto algum quadro semelhante à figura abaixo:
Esta figura mostra alguns dos estágios da suposta evolução do homem, como se fosse sua árvore genealógica. Se algum dia você tiver a oportunidade de visitar o Museu de História Natural de Londres, vá até a seção de fósseis de hominídeos. Eles estão todos lá. Na vitrine dos crânios você vai ver uma placa com os dizeres: “Relatives? Yes. Ancestors? No”, traduzindo, “Parentes? Sim. Ancestrais? Não”. O que isto significa? Significa que a figura acima está errada até mesmo para biólogos não-cristãos e os livros de escola precisam ser atualizados. Os biólogos não acham mais que o homem evoluiu a partir do australopitecus, homo erectus, neanderthal ou qualquer outro destes. Eles acham que o homo sapiens e estes outros hominídeos devem possuir um ancestral comum em algum lugar no passado, mas este ancestral ainda não foi encontrado. É o chamado “elo perdido” (se tiver algum biólogo lendo isto e achar que eu estou falando besteira, pode me corrigir. Estou apenas repassando a informação que peguei diretamente num poster no museu de Londres). Até 2009 o candidato mais provável para elo perdido era o sujeitinho abaixo, Darwinius masillae, um macaquinho com alguns centímetros de altura e cauda longa, que parece ter vivido há algumas dezenas de milhões de anos. Também está no mesmo museu.
p. s. Uma atualização das informações finais deste post, incluindo recentes descobertas publicadas na Nature, pode ser encontrada no post Evolução II.
p. s. Uma atualização das informações finais deste post, incluindo recentes descobertas publicadas na Nature, pode ser encontrada no post Evolução II.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Apologética
Apologética é a parte da teologia destinada a defender a fé contra os ataques dos adversários. Mais cedo ou mais tarde, todo mundo acaba se deparando com situações em que precisa responder a ataques contra sua fé. Nestas horas, um pouco de conhecimento sobre os argumentos básicos dos adversários é bastante útil. Neste post eu resolvi abordar os argumentos de três dos mais famosos inimigos da fé cristã atualmente. São intelectuais que têm militado contra a Bíblia e instruído milhões de incrédulos a duvidarem ainda mais e que têm tentado, se possível, enganar até os próprios eleitos. Não tenho intenção de refutá-los detalhadamente, apenas vou resumir o que considero que são seus principais argumentos, para que você não seja pego de surpresa em alguma discussão. As respostas que eu apresento abaixo são simplistas, mas são suficientes para quem crê. Não tenho intenção de convencer incrédulos e céticos com argumentação lógica. Só o Espírito Santo pode fazer isto por meio da pregação do evangelho (ver post "Por que sou um Cristão?").
Richard Dawkins
O zoólogo Richard Dawkins, ex-professor da Universidade de Oxford, diz que "Deus é um delírio". Você não pode provar que Deus existe e a ciência não precisa de Deus para explicar a origem da vida e do universo, portanto, Deus é fruto da imaginação humana. O resto do que Dawkins diz é puro deboche da Bíblia.
Resposta: tá certo, Richard. Se você acha que não existe espírito, Deus ou propósito no universo, então você é só um monte de carne e ossos que está falando por acaso, fruto de um acidente. Sendo assim, por que eu deveria prestar atenção no que você diz? Na verdade, não faz diferença se estamos vivos ou mortos, não somos mais do que uma coisa que apareceu e vai desaparecer daqui a pouco. Se você quer acreditar nisto ou se isto te faz se sentir mais inteligente, não há o que discutir. Mas você vai ter que encarar o Juízo Final assim mesmo.
Sl 19:1 - "OS céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos."
Rm 1:18-20 - "Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;"
John Dominic Crossan
John Crossan foi co-fundador do seminário Jesus, criado nos anos 80 para desacreditar o relato dos evangelhos. Em seu livro "Quem matou Jesus?", ele afirma que a história de Jesus contada nos evangelhos canônicos não passa de um conjunto de invenções baseadas nas profecias do Velho Testamento sobre Jesus. Ele defende que as pessoas foram inventando estas estórias nos 2 primeiros séculos e elas acabaram sendo aceitas como verdades.
Resposta: tudo bem, ele pode achar o que quiser. Não há como ele provar a posição dele e nem nós a nossa. Mas nós, pelo menos, temos milhares de manuscritos antigos contando a história de Jesus e o testemunho dos pais da igreja sobre a morte dos apóstolos por causa da fé. John Crossan acha que um bando de pescadores analfabetos e um grupo de mulheres neuróticas inventaram uma estória que ia contra o judaísmo dos fariseus e por alguma razão esta estória fez sucesso, se espalhou com velocidade alucinante pelo mundo todo, as pessoas enlouqueceram, resolveram morrer por esta mentira, e o mundo ficou de pernas pro ar. É uma possibilidade, mas eu prefiro acreditar na versão contada pelos apóstolos.
John Crossan dá tanto valor aos evangelhos canônicos quanto aos gnósticos. Aliás,ele acha que os evangelhos canônicos copiaram do evangelho de Pedro (que não foi escrito por Pedro). Eu li este evangelho gnóstico. Dá uma olhada no texto abaixo, que narra a ressurreição:
"E enquanto estavam relatando o que tinham visto, viram novamente três homens saírem do sepulcro, dois deles apoiando o outro, e uma cruz que os seguia, e as cabeças dos dois tocavam os céus, mas a cabeça daquele que apoiavam, conduzindo pela mão, ultrapassava os céus. E ouviram uma voz vinda dos céus, gritando: "Pregaste para os que dormem? E da cruz foi ouvida a resposta: 'Sim.' "
A Bíblia está cheia de milagres que aceitamos e os céticos debocham, mas cabeças gigantes? Com uma cabeça destas, Jesus teria sido visto em todo o oriente médio. E depois perguntam porque os evangelhos gnósticos não foram aceitos pela igreja...
Bart Ehrman
Você sabe o que dizem por aí: a idéia de inerrância da Bíblia é ridícula, pois a Bíblia contém erros claros, até mesmo de ortografia. As pessoas repetem isto, mas em geral não são capazes de apontar os erros individualmente. Poucos são bem informados neste assunto. Para começar, no sentido mais estrito, a idéia de inerrância se aplica aos textos originais, não às suas cópias e traduções. Mas, então, se não temos os originais, como sabemos que o texto que temos hoje é confiável? Bart Ehrman, em seu livro "Jesus, interrompido", garante que o Novo Testamento não é confiável, pois é impossível saber o que foi escrito originalmente devido aos erros introduzidos intencionalmente ou acidentalmente nas cópias. Bart Ehrman é talvez a maior autoridade no mundo acadêmico sobre manuscritos da Bíblia e crítica textual. Ele discutiu este assunto em 2009 com o evangélico James White no debate "Did the Bible misquote Jesus?". Aqui vai um resumo dos principais argumentos dos dois:
Ehrman: Existem aproximadamente 5500 manuscritos do Novo Testamento, e existem em torno de 400.000 diferenças entre eles. Isto é mais do que o número de palavras no Novo Testamento. A grande maioria destas diferenças não tem importância. São erros acidentais, facilmente detectáveis, tais como erros de ortografia e palavras ou linhas omitidas por engano ou descuido. Outros são mudanças intencionais no texto. Ele cita a história da mulher pega em adultério em João 7-8 e os últimos 12 versículos do evangelho de Marcos, que segundo ele, provavelmente não se encontram no texto original. Na verdade, não temos os originais nem as primeiras cópias dos originais. Portanto, é inútil tentar reconstruir o texto do Novo Testamento, nunca saberemos ao certo o que foi escrito inicialmente. Se Deus inspirou os originais, por que não cuidou para que as cópias fossem inspiradas também?
White: É verdade que existem mais variações entre os manuscritos do que palavras no Novo Testamento. Quanto mais cópias de manuscritos você tem, mais variações serão encontradas. O Novo Testamento possui mais manuscritos do que qualquer outro texto da antiguidade, com 1 milhão e 300 mil páginas de texto escritas à mão. Mas, a grande maioria destas diferenças é totalmente irrelevante para o entendimento e tradução do texto, como Ehrman mesmo admitiu. Existem entre 1500 e 2000 variações relevantes, que precisam ser estudadas com mais cuidado. Pode parecer muito, mas isto constitui apenas 1% do texto do Novo Testamento.
As variações nos manuscritos do Novo Testamento refletem a rápida divulgação do texto nos primeiros séculos da era cristã. Assim que uma carta apostólica era recebida em uma comunidade, cópias eram feitas e distribuídas, havendo diversas linhas de transmissão independentes que podem ser usadas hoje para confirmar a veracidade do texto. Não existia uma autoridade central controlando as cópias, o que é bom, pois se houvesse tal autoridade, seria possível acusá-la de introduzir ou omitir textos intencionalmente. Deus escolheu preservar o texto da Bíblia através da rápida multiplicação das cópias. Isto garantiu que ninguém pudesse destruí-lo. Mesmo quando erros foram introduzidos por escribas, estes podem ser detectados por comparação com outras famílias de cópias. O trabalho é árduo e ainda existem várias passagens que são discutidas pelos especialistas, mas de forma alguma alguém pode dizer que o texto não é confiável ou que não sabemos o que Deus nos transmitiu. Na verdade, White defende que temos o texto original completo à nossa disposição nos manuscritos. O desafio é separar aquilo que foi acrescentado ou omitido (por engano ou intencionalmente) em alguns conjuntos de cópias, mas nada do que Deus quis que soubéssemos se perdeu definitivamente com o tempo. Deus inspirou e preservou Sua Palavra. Embora isto não possa ser provado, também não pode ser desprovado, e aceitamos pela fé. Só porque Deus não fulminou cada pessoa que cometeu algum erro enquanto copiava algum manuscrito, não quer dizer que Ele não preservou Sua Palavra. Do mesmo jeito hoje, se eu digitar errado algum versículo da Bíblia, Deus não vai impedir que este texto com erro seja publicado na internet. Mas, graças a Deus, Ele preservou milhões de outras cópias do Texto Sagrado que podem ser usadas para detectar meus erros de digitação. Isto se chama Providência.
As variações nos manuscritos do Novo Testamento refletem a rápida divulgação do texto nos primeiros séculos da era cristã. Assim que uma carta apostólica era recebida em uma comunidade, cópias eram feitas e distribuídas, havendo diversas linhas de transmissão independentes que podem ser usadas hoje para confirmar a veracidade do texto. Não existia uma autoridade central controlando as cópias, o que é bom, pois se houvesse tal autoridade, seria possível acusá-la de introduzir ou omitir textos intencionalmente. Deus escolheu preservar o texto da Bíblia através da rápida multiplicação das cópias. Isto garantiu que ninguém pudesse destruí-lo. Mesmo quando erros foram introduzidos por escribas, estes podem ser detectados por comparação com outras famílias de cópias. O trabalho é árduo e ainda existem várias passagens que são discutidas pelos especialistas, mas de forma alguma alguém pode dizer que o texto não é confiável ou que não sabemos o que Deus nos transmitiu. Na verdade, White defende que temos o texto original completo à nossa disposição nos manuscritos. O desafio é separar aquilo que foi acrescentado ou omitido (por engano ou intencionalmente) em alguns conjuntos de cópias, mas nada do que Deus quis que soubéssemos se perdeu definitivamente com o tempo. Deus inspirou e preservou Sua Palavra. Embora isto não possa ser provado, também não pode ser desprovado, e aceitamos pela fé. Só porque Deus não fulminou cada pessoa que cometeu algum erro enquanto copiava algum manuscrito, não quer dizer que Ele não preservou Sua Palavra. Do mesmo jeito hoje, se eu digitar errado algum versículo da Bíblia, Deus não vai impedir que este texto com erro seja publicado na internet. Mas, graças a Deus, Ele preservou milhões de outras cópias do Texto Sagrado que podem ser usadas para detectar meus erros de digitação. Isto se chama Providência.
Uma nota final sobre este assunto. O Velho Testamento foi escrito em hebraico e aramaico, mas os autores do Novo Testamento citam o Velho Testamento em grego, muitas vezes fazendo uso da famosa tradução "Septuaginta". Se Jesus e os apóstolos não achavam que era um problema usar uma tradução com diferenças em relação ao texto original, nós também não deveríamos nos preocupar tanto com pequenas diferenças que existem entre os manuscritos originais da Bíblia e suas cópias e traduções. A Bíblia que compramos na livraria ainda é a Palavra de Deus.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Qual Bíblia?
A Bíblia é a Palavra de Deus. Foi inspirada pelo Espírito Santo. Cada palavra, cada letra. Sendo inspirada, é inerrante e infalível. E mais, é suficiente para nossa vida espiritual, sendo a única regra infalível de conduta e fé. Assim pensavam Jesus e os apóstolos:
Jo 10:35 - "Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada)," (Jesus, após citar o Salmo 82, de Asafe)
II Pe 1:20-21 - "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo."
I Ts 2:13 - "Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes." (Paulo, a respeito de sua própria pregação)
II Pe 3:15-16 - "E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição." (Pedro, afirmando que os escritos de Paulo são tão inspirados quanto "as outras Escrituras")
I Tm 5:18 - "Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário." (Paulo, citando tanto Dt 25:4 quanto Lc 10:7 como Escrituras Sagradas, provando que o Evangelho de Lucas foi inspirado)
II Tm 3:16-17 - "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra." (Prova da inspiração e suficiência das Escrituras, que incluem tanto o Velho Testamento quanto o Novo, conforme os textos acima)
Ap 22:18-19 - "Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." (Sem comentários!)
Aí está, não há como contestar. Se você se diz Cristão, tem que acreditar em Jesus, imitar Paulo, seguir o ensino dos apóstolos. Eles disseram que é tudo inspirado. A pergunta é: tudo o que? Quais livros? Qual cânone, o católico romano, o ortodoxo ou o protestante? Se as palavras são inspiradas, que dizer das traduções? São inspiradas também? Qual delas? NVI, ARA, ARC, ACR Fiel, BLH? Quanto aos manuscritos, após milhares de anos de cópias, não se introduziram erros? Existem livros da Bíblia que se perderam ou foram excluídos do cânone pelos concílios da igreja? Quem decidiu quais livros foram inspirados? As pessoas que decidiram isto eram infalíveis? Se não, como saber que não erraram na escolha? Como você sabe que Mateus escreveu Mateus?
Para começar, vamos pensar no cânone, ou seja, a lista de livros inspirados. O cânone do Novo Testamento é o mesmo nas Bíblias protestantes e católicas. Os chamados apócrifos ou deuterocanônicos aparecem no Velho Testamento da Bíblia romana, mas não na protestante. Basicamente, eles são livros escritos nos 4 últimos séculos antes de Cristo e considerados inspirados pelos católicos romanos e ortodoxos porque encontram-se na famosa tradução dos setenta, ou Septuaginta. A Septuaginta foi uma tradução do Velho Testamento hebraico para o grego koiné, realizada por 72 rabinos em Alexandria entre os séculos 3 e 2 antes de Cristo. Estes livros aparecem também nas primeiras traduções da Bíblia inteira (Velho e Novo Testamentos) para o grego, como o Codex Vaticanus (325 a. D.), Codex Sinaiticus (340 a. D.) e Codex Alexandrinus (450 a. D.). Aparecem também na primeira tradução para Latin, a Vulgata (385-405 a. D.) e na famosa tradução do Rei Tiago (King James Version) em sua versão original de 1611, alocados em uma seção separada.
Se tantas Bíblias antigas incluem os apócrifos, por que os protestantes rejeitaram-nos? Afinal de contas, quem decide o cânone? De que adianta saber que existem livros infalíveis se não temos alguém para infalivelmente nos dizer quais são estes livros? Os católicos romanos “resolvem” este problema afirmando que possuem um magistério infalível para tomar tais decisões. Roma decidiu o cânone. Isto é conveniente, mas é impossível justificar tal infalibilidade, o que acaba criando mais problemas do que resolvendo. Por exemplo, o Papa Gregório, o Grande (540 a 604 a. D.), escreveu que o livro apócrifo I Macabeus não era canônico (Morals on the book of Job, vol. 11, partes III e IV, livro XIX, 34). Mas o Concílio de Trento (1546 a. D.) disse que é, portanto, o Papa Gregório falhou. Se a autoridade final é o Concílio Ecumênico, por que Deus esperou 1500 anos até que o cânone fosse estabelecido infalivelmente? Como os Cristãos antes disto poderiam saber quais eram as Escrituras? E por que devo acreditar que Trento foi infalível, se vários santos de renome no passado não aceitavam os apócrifos como inspirados, tais como Orígenes (185-254 a. D.), Atanásio (295-373 a. D.) e Jerônimo (347-420 a. D., apesar de tê-los incluído na Vulgata, não os considerava canônicos) (J. R. White, Scripture alone, BethanyHouse, 2004)?
Na verdade, existem duas razões por que os protestantes rejeitaram os apócrifos: por inconsistências doutrinárias e, principalmente, por que eles não se encontram no cânone da Bíblia Hebraica, o chamado Tanach. Deus confiou o cânone do Velho Testamento aos judeus:
Rm 3:1-2 - “QUAL é logo a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas.”
O cânone do Velho Testamento é aquele atestado por Jesus, e Suas palavras indicam que o cânone aceito pelos fariseus (idêntico ao protestante - http://catholicdefense.blogspot.com/) é o que deve ser usado:
Mt 23:1-3 - “ENTÃO falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem".
Jesus dividiu o Velho Testamento em três partes, assim como o Tanach hebraico:
Lc 24:44 - “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos.”
É verdade que, como o Novo Testamento foi escrito em grego, os apóstolos às vezes usavam a Septuaginta ao citarem textos do Velho Testamento. No entanto, eles nunca citaram nenhum texto dos apócrifos (o livro de Enoque, supostamente citado por Judas, não é apócrifo, é pseudepígrafo, e não se encontra no cânone católico). Por outro lado, o Novo Testamento contém centenas de citacões dos livros do cânone hebraico/protestante, incluindo 94 citações do Pentateuco (Lei de Moisés), 99 dos Profetas e 85 dos Escritos/Salmos (http://www.bible-researcher.com/nicole.html).
Continua na próxima.
Mt 5:18 - "Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido." (Jesus, após mencionar a Lei e os Profetas, ou seja, o Velho Testamento)
Jo 10:35 - "Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada)," (Jesus, após citar o Salmo 82, de Asafe)
II Pe 1:20-21 - "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo."
I Ts 2:13 - "Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes." (Paulo, a respeito de sua própria pregação)
II Pe 3:15-16 - "E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição." (Pedro, afirmando que os escritos de Paulo são tão inspirados quanto "as outras Escrituras")
I Tm 5:18 - "Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário." (Paulo, citando tanto Dt 25:4 quanto Lc 10:7 como Escrituras Sagradas, provando que o Evangelho de Lucas foi inspirado)
II Tm 3:16-17 - "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra." (Prova da inspiração e suficiência das Escrituras, que incluem tanto o Velho Testamento quanto o Novo, conforme os textos acima)
Ap 22:18-19 - "Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." (Sem comentários!)
Aí está, não há como contestar. Se você se diz Cristão, tem que acreditar em Jesus, imitar Paulo, seguir o ensino dos apóstolos. Eles disseram que é tudo inspirado. A pergunta é: tudo o que? Quais livros? Qual cânone, o católico romano, o ortodoxo ou o protestante? Se as palavras são inspiradas, que dizer das traduções? São inspiradas também? Qual delas? NVI, ARA, ARC, ACR Fiel, BLH? Quanto aos manuscritos, após milhares de anos de cópias, não se introduziram erros? Existem livros da Bíblia que se perderam ou foram excluídos do cânone pelos concílios da igreja? Quem decidiu quais livros foram inspirados? As pessoas que decidiram isto eram infalíveis? Se não, como saber que não erraram na escolha? Como você sabe que Mateus escreveu Mateus?
Para começar, vamos pensar no cânone, ou seja, a lista de livros inspirados. O cânone do Novo Testamento é o mesmo nas Bíblias protestantes e católicas. Os chamados apócrifos ou deuterocanônicos aparecem no Velho Testamento da Bíblia romana, mas não na protestante. Basicamente, eles são livros escritos nos 4 últimos séculos antes de Cristo e considerados inspirados pelos católicos romanos e ortodoxos porque encontram-se na famosa tradução dos setenta, ou Septuaginta. A Septuaginta foi uma tradução do Velho Testamento hebraico para o grego koiné, realizada por 72 rabinos em Alexandria entre os séculos 3 e 2 antes de Cristo. Estes livros aparecem também nas primeiras traduções da Bíblia inteira (Velho e Novo Testamentos) para o grego, como o Codex Vaticanus (325 a. D.), Codex Sinaiticus (340 a. D.) e Codex Alexandrinus (450 a. D.). Aparecem também na primeira tradução para Latin, a Vulgata (385-405 a. D.) e na famosa tradução do Rei Tiago (King James Version) em sua versão original de 1611, alocados em uma seção separada.
Se tantas Bíblias antigas incluem os apócrifos, por que os protestantes rejeitaram-nos? Afinal de contas, quem decide o cânone? De que adianta saber que existem livros infalíveis se não temos alguém para infalivelmente nos dizer quais são estes livros? Os católicos romanos “resolvem” este problema afirmando que possuem um magistério infalível para tomar tais decisões. Roma decidiu o cânone. Isto é conveniente, mas é impossível justificar tal infalibilidade, o que acaba criando mais problemas do que resolvendo. Por exemplo, o Papa Gregório, o Grande (540 a 604 a. D.), escreveu que o livro apócrifo I Macabeus não era canônico (Morals on the book of Job, vol. 11, partes III e IV, livro XIX, 34). Mas o Concílio de Trento (1546 a. D.) disse que é, portanto, o Papa Gregório falhou. Se a autoridade final é o Concílio Ecumênico, por que Deus esperou 1500 anos até que o cânone fosse estabelecido infalivelmente? Como os Cristãos antes disto poderiam saber quais eram as Escrituras? E por que devo acreditar que Trento foi infalível, se vários santos de renome no passado não aceitavam os apócrifos como inspirados, tais como Orígenes (185-254 a. D.), Atanásio (295-373 a. D.) e Jerônimo (347-420 a. D., apesar de tê-los incluído na Vulgata, não os considerava canônicos) (J. R. White, Scripture alone, BethanyHouse, 2004)?
Na verdade, existem duas razões por que os protestantes rejeitaram os apócrifos: por inconsistências doutrinárias e, principalmente, por que eles não se encontram no cânone da Bíblia Hebraica, o chamado Tanach. Deus confiou o cânone do Velho Testamento aos judeus:
Rm 3:1-2 - “QUAL é logo a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas.”
O cânone do Velho Testamento é aquele atestado por Jesus, e Suas palavras indicam que o cânone aceito pelos fariseus (idêntico ao protestante - http://catholicdefense.blogspot.com/) é o que deve ser usado:
Mt 23:1-3 - “ENTÃO falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem".
Jesus dividiu o Velho Testamento em três partes, assim como o Tanach hebraico:
Lc 24:44 - “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos.”
É verdade que, como o Novo Testamento foi escrito em grego, os apóstolos às vezes usavam a Septuaginta ao citarem textos do Velho Testamento. No entanto, eles nunca citaram nenhum texto dos apócrifos (o livro de Enoque, supostamente citado por Judas, não é apócrifo, é pseudepígrafo, e não se encontra no cânone católico). Por outro lado, o Novo Testamento contém centenas de citacões dos livros do cânone hebraico/protestante, incluindo 94 citações do Pentateuco (Lei de Moisés), 99 dos Profetas e 85 dos Escritos/Salmos (http://www.bible-researcher.com/nicole.html).
O interessante é observar que os judeus acertaram o cânone mesmo antes de Jesus confirmá-lo. Os judeus tinham um magistrado infalível? Não. São homens falíveis identificando corretamente um cânone infalível. O mesmo aconteceu com a Igreja em relação ao cânone do Novo Testamento. Não confiamos em uma organização humana para determinar o cânone. Confiamos que Deus teve um propósito de revelar Sua Palavra à igreja para que ela pudesse cumprir sua missão. Confiamos na soberana mão de Deus sobre este assunto. Assim, Ele revelou o cânone do Novo Testamento por meio de Seu Espírito à Sua igreja. Houve controvérsias? Lógico, sempre há. Os saduceus também não aceitavam o cânone dos fariseus, aceitavam apenas o Pentateuco. Os judeus helenistas aceitavam os apócrifos. Só que Deus faz conhecer Sua Palavra. Assim, com o tempo a Igreja acabou sendo praticamente unânime quanto ao cânone do Novo Testamento, onde católicos, ortodoxos e protestantes estão de acordo. Como o cânone do Velho Testamento hebraico é o que deve ser seguido, pra mim isto encerra a discussão.
Continua na próxima.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Por que sou um Cristão?
"Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós" - I Pe 3:15
Você tem medo de perguntas difíceis? É claro que tem. Perguntas que contestam suas mais fortes convicções com argumentos que deixam você embaraçado, sem resposta. Algo que você nunca tinha pensado antes.
Hoje em dia, cada vez mais as pessoas são confrontadas com relação a suas crenças, principalmente os cristãos evangélicos. As questões vêm de todos os lados: astrônomos e biólogos contestam Gênesis, teólogos liberais contestam os milagres da Bíblia, especialistas em crítica textual contestam a inspiração e inerrância das Escrituras, católicos romanos contestam o cânon protestante, pagãos dizem que os cristãos roubaram seus mitos, e assim por diante. Antigamente, os pastores tinham uma tarefa mais simples em proteger seus rebanhos contra tais ataques. A maioria das pessoas simplesmente nunca teria contato com muitas destas idéias e bastava ensinar a Bíblia e ignorar o resto. Mas, depois que inventaram a televisão, e principalmente a internet, é impossível impedir que nossos filhos tenham acesso às teorias de oposição ao Cristianismo.
Além dos meios de comunicação, as Universidades apresentam aos alunos uma realidade sobre as ciências que contraria totalmente o que o aluno aprendeu em casa e na igreja desde criança. O aluno frequentemente entra em crise, fica perdido, se sente enganado e, não poucas vezes, acaba apostatando. Sou da convicção de que o verdadeiro filho de Deus não se deixará afastar da fé em Jesus por causa de dúvidas, mas Satanás fará de tudo para abalar sua confiança na autoridade das Escrituras. Não há mais como fugir das perguntas difíceis. Temos que encará-las.
Para começar, por que você é crente (se é que você é)? Talvez você tenha visto algo sobrenatural que te transformou. Não foi este o meu caso. A maioria das pessoas nunca viu um morto ressuscitar, um homem andando sobre as águas, um apóstolo ou profeta ser arrebatado de um lugar para outro, ou um mar se abrir. Alguns viram coisas semelhantes a estas e ainda assim não creram. No meu caso, meu pai costumava ler a Bíblia todas as noites para mim. Quando eu tinha seis anos, após contar sobre a morte e ressurreição de Jesus, ele perguntou se eu queria aceitar Jesus como salvador. Eu sabia que era o único jeito de escapar da condenação eterna e aceitei sem vacilar. As crianças têm, naturalmente, uma maior facilidade para crer. Mas, por que eu mantive a fé depois que cresci? Fizeram lavagem cerebral comigo? De forma alguma, apenas me contaram uma história. Alguns mantêm sua fé de infância e outros a perdem ao longo do caminho. Creio que a fé verdadeira é um dom do Espírito, e é Ele quem garante que não a percamos. Não me pergunte por que "fulano" tem esta fé e "beltrano" não, pois isto não nos foi revelado.
Se você me perguntar hoje por que sou crente, vou responder que é porque a Bíblia diz que Jesus é o salvador:
"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." - Jo 14:6
"E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos." - At 4:12
Mas, quem disse que a Bíblia é verdadeira?
Jesus disse:
"Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido." - Mt 5:18
"... a Escritura não pode ser anulada" - Jo 10:35b
Alguém dirá: "Ei, espera aí! Você só usou a Bíblia. E se o que estiver escrito lá não aconteceu de verdade?"
Tenho uma porção de razões para acreditar que a Bíblia é verdadeira. Argumentos de profecias cumpridas, consistência interna, evidências arqueológicas para a veracidade de suas histórias, número de cópias de manuscritos antigos, o testemunho dos mártires, dentre outros. Sobre isto existem vários livros de apologética que podem dar listas de argumentos lógicos a favor do Cristianismo. Mas, a verdade é que nenhum destes argumentos foi necessário para minha fé, mesmo porque eu já cria muito antes de conhecê-los. E se qualquer um destes argumentos for contestado por algum acadêmico intelectual, não vai fazer diferença na minha fé, pois ela não está baseada nestes fatos.
A razão por que creio na Bíblia é porque eu conheço o seu Autor. Porque Ele quis se revelar a mim pela Sua Palavra. Era vontade dEle que eu cresse e eu não resisti a Seu Espírito. Para se entender melhor como eu sinto a respeito disto, o Salmo 19:7-11 tem um texto que ilustra bem as razões porque eu creio na Bíblia:
"A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos símplices."
"Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os olhos."
"O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente."
"Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos."
"Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa."
Eu tenho experimentado tudo isto na minha vida. É preciso viver a Palavra de Deus para entendê-la.
Tendo dito isto, eu gostaria de atacar no futuro algumas das questões levantadas no início deste artigo. A começar pela pergunta mais básica: "quais livros pertencem à Bíblia?" ou "qual Bíblia devo ler?"
Você tem medo de perguntas difíceis? É claro que tem. Perguntas que contestam suas mais fortes convicções com argumentos que deixam você embaraçado, sem resposta. Algo que você nunca tinha pensado antes.
Hoje em dia, cada vez mais as pessoas são confrontadas com relação a suas crenças, principalmente os cristãos evangélicos. As questões vêm de todos os lados: astrônomos e biólogos contestam Gênesis, teólogos liberais contestam os milagres da Bíblia, especialistas em crítica textual contestam a inspiração e inerrância das Escrituras, católicos romanos contestam o cânon protestante, pagãos dizem que os cristãos roubaram seus mitos, e assim por diante. Antigamente, os pastores tinham uma tarefa mais simples em proteger seus rebanhos contra tais ataques. A maioria das pessoas simplesmente nunca teria contato com muitas destas idéias e bastava ensinar a Bíblia e ignorar o resto. Mas, depois que inventaram a televisão, e principalmente a internet, é impossível impedir que nossos filhos tenham acesso às teorias de oposição ao Cristianismo.
Além dos meios de comunicação, as Universidades apresentam aos alunos uma realidade sobre as ciências que contraria totalmente o que o aluno aprendeu em casa e na igreja desde criança. O aluno frequentemente entra em crise, fica perdido, se sente enganado e, não poucas vezes, acaba apostatando. Sou da convicção de que o verdadeiro filho de Deus não se deixará afastar da fé em Jesus por causa de dúvidas, mas Satanás fará de tudo para abalar sua confiança na autoridade das Escrituras. Não há mais como fugir das perguntas difíceis. Temos que encará-las.
Para começar, por que você é crente (se é que você é)? Talvez você tenha visto algo sobrenatural que te transformou. Não foi este o meu caso. A maioria das pessoas nunca viu um morto ressuscitar, um homem andando sobre as águas, um apóstolo ou profeta ser arrebatado de um lugar para outro, ou um mar se abrir. Alguns viram coisas semelhantes a estas e ainda assim não creram. No meu caso, meu pai costumava ler a Bíblia todas as noites para mim. Quando eu tinha seis anos, após contar sobre a morte e ressurreição de Jesus, ele perguntou se eu queria aceitar Jesus como salvador. Eu sabia que era o único jeito de escapar da condenação eterna e aceitei sem vacilar. As crianças têm, naturalmente, uma maior facilidade para crer. Mas, por que eu mantive a fé depois que cresci? Fizeram lavagem cerebral comigo? De forma alguma, apenas me contaram uma história. Alguns mantêm sua fé de infância e outros a perdem ao longo do caminho. Creio que a fé verdadeira é um dom do Espírito, e é Ele quem garante que não a percamos. Não me pergunte por que "fulano" tem esta fé e "beltrano" não, pois isto não nos foi revelado.
Se você me perguntar hoje por que sou crente, vou responder que é porque a Bíblia diz que Jesus é o salvador:
"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." - Jo 14:6
"E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos." - At 4:12
Mas, quem disse que a Bíblia é verdadeira?
Jesus disse:
"Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido." - Mt 5:18
"... a Escritura não pode ser anulada" - Jo 10:35b
Alguém dirá: "Ei, espera aí! Você só usou a Bíblia. E se o que estiver escrito lá não aconteceu de verdade?"
Tenho uma porção de razões para acreditar que a Bíblia é verdadeira. Argumentos de profecias cumpridas, consistência interna, evidências arqueológicas para a veracidade de suas histórias, número de cópias de manuscritos antigos, o testemunho dos mártires, dentre outros. Sobre isto existem vários livros de apologética que podem dar listas de argumentos lógicos a favor do Cristianismo. Mas, a verdade é que nenhum destes argumentos foi necessário para minha fé, mesmo porque eu já cria muito antes de conhecê-los. E se qualquer um destes argumentos for contestado por algum acadêmico intelectual, não vai fazer diferença na minha fé, pois ela não está baseada nestes fatos.
A razão por que creio na Bíblia é porque eu conheço o seu Autor. Porque Ele quis se revelar a mim pela Sua Palavra. Era vontade dEle que eu cresse e eu não resisti a Seu Espírito. Para se entender melhor como eu sinto a respeito disto, o Salmo 19:7-11 tem um texto que ilustra bem as razões porque eu creio na Bíblia:
"A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos símplices."
"Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os olhos."
"O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente."
"Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos."
"Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa."
Eu tenho experimentado tudo isto na minha vida. É preciso viver a Palavra de Deus para entendê-la.
Tendo dito isto, eu gostaria de atacar no futuro algumas das questões levantadas no início deste artigo. A começar pela pergunta mais básica: "quais livros pertencem à Bíblia?" ou "qual Bíblia devo ler?"
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
O Profeta
Cuidado! Os crentes querem te enganar. Não todos os crentes, mas muitos deles. Eles têm uma compulsão por manipular as pessoas e exercer uma suposta autoridade divina sobre a vida delas. Não sei se é porque são mal-intensionados ou simplesmente porque foram estimulados a fazer isto, mas eles adoram impressionar as pessoas e buscar auto-afirmação brincando de profetas. Usando frases feitas que começam com "assim diz o Senhor...", andam por aí fazendo previsões obscuras que encontram atenção nos ouvidos incautos de outros crentes.
Para ser mais claro, vou dar alguns exemplos que presenciei nos últimos anos.
Um dia, eu estava assistindo um famoso pregador na TV em uma pregação em praça pública, quando ele disse algo como:
"Agora, presta atenção no que eu vou dizer, porque é profético! Deus está dizendo que Ele vai restaurar a tua família. Que nenhum dos teus vai se perder!"
Nenhum vai se perder? De que família ele estava falando? Tinha milhares de pessoas ouvindo aquilo, fora os que assistiam pela TV. Todo mundo falou "Amém! Aleluia!". Mas, pra quem era a profecia? Pra todo mundo? Claro que não! Então, pra que serve uma profecia destas? É muito fácil falar uma coisa dessas, depois pegar um avião e nunca mais encontrar-se com aquelas pessoas para prestar contas da "profecia" proferida.
Em outra ocasião, um missionário visitou uma igreja em que eu estava presente e, em um momento de intercessão, sabendo que havia uma jovem com câncer no culto, falou diretamente com ela para que ela desse glória a Deus pela cura que ela já tinha recebido. Pouco tempo depois, a jovem faleceu em decorrência da doença.
Um "profeta" que passava pela calçada me encontrou na porta da igreja um dia e disse que eu tinha nascido em berço de ouro e que Deus ia me dar uma esposa. Certamente ele não sabia que eu nasci em um dos países mais pobres e primitivos do mundo e passei os primeiros anos de vida morando no mato. E certamente ele não percebeu que eu já tinha uma aliança na mão esquerda.
Às vezes, a vontade de acreditar é tão forte que quem ouve a profetada acaba recebendo uma mensagem do jeito que quer ouvir, e não do jeito que ela foi proferida. Por exemplo, assisti um vídeo em que um pastor disse que uma irmã lhe havia falado: "Deus me disse que você parou de fazer uma coisa que costumava fazer. Você tem que voltar a fazer aquilo. Faz sentido pra você?". Esta é uma típica frase usada por estes profetas. Falam algo genérico, que poderia ser aplicado a qualquer pessoa, e perguntam se faz sentido. O pastor em questão concluiu que Deus estava falando que ele deveria voltar a orar de madrugada na igreja, como costumava fazer no passado. Mas isto não foi o que a profetiza disse, foi o que ele subentendeu. Compare isto com as profecias da Bíblia e você vai perceber a diferença. Quando Deus quer passar uma mensagem, ele fala claramente, não fica dando margem pra pessoa adivinhar o significado da mensagem. Quando o profeta Ágabo falou com Paulo em Atos 10, foi muito claro: "você vai ser preso por judeus em Jerusalém e entregue aos gentios."
Certa vez eu estava almoçando com alguns crentes quando uma senhora se alterou subitamente e disse que estava "recebendo algo" sobre mim. Ela disse que eu ia receber uma mensagem, talvez uma carta. Só não sabia dizer o conteúdo da mensagem, nem o que eu devia fazer com aquilo. Que espécie de profecia é essa? Recebo dúzias de e-mails todos os dias, o que isso tem de especial? Outros tipos de profetadas bem populares são:
"Você vai fazer uma viagem", "Deus tem um plano na sua vida", "Sua igreja vai crescer", "Vi um caixão na sua sala", "Você vai ser um grande pregador", "Deus vai te dar aquilo que você está pedindo a Ele há muito tempo", etc. Estas coisas podem se aplicar a qualquer pessoa. Às vezes vai se cumprir, às vezes não. Às vezes a pessoa vai procurar agir de acordo com a palavra que recebeu, o que não significa que foi uma revelação sobrenatural de Deus.
O pior de tudo é que você pode até concordar com tudo o que eu escrevi acima e ainda assim você vai dizer que no seu caso foi diferente. A sua profecia foi real. Todo mundo diz isso. Bem, quem sou eu pra julgar suas experiências, já tenho muito trabalho com as minhas. Eu sei que existem relatos que parecem ser realmente sobrenaturais, mas não tem sido esta a minha (pequena) experiência pessoal. A maioria dos que estão por aí são falsos profetas, e tem sido assim desde os tempos bíblicos. O que eles falam pode não parecer prejudicial, mas falar algo em nome de Deus sem Ele ter mandado é muito perigoso. Cuidado com eles!
Jr 14:14 - "E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam."
Para ser mais claro, vou dar alguns exemplos que presenciei nos últimos anos.
Um dia, eu estava assistindo um famoso pregador na TV em uma pregação em praça pública, quando ele disse algo como:
"Agora, presta atenção no que eu vou dizer, porque é profético! Deus está dizendo que Ele vai restaurar a tua família. Que nenhum dos teus vai se perder!"
Nenhum vai se perder? De que família ele estava falando? Tinha milhares de pessoas ouvindo aquilo, fora os que assistiam pela TV. Todo mundo falou "Amém! Aleluia!". Mas, pra quem era a profecia? Pra todo mundo? Claro que não! Então, pra que serve uma profecia destas? É muito fácil falar uma coisa dessas, depois pegar um avião e nunca mais encontrar-se com aquelas pessoas para prestar contas da "profecia" proferida.
Em outra ocasião, um missionário visitou uma igreja em que eu estava presente e, em um momento de intercessão, sabendo que havia uma jovem com câncer no culto, falou diretamente com ela para que ela desse glória a Deus pela cura que ela já tinha recebido. Pouco tempo depois, a jovem faleceu em decorrência da doença.
Um "profeta" que passava pela calçada me encontrou na porta da igreja um dia e disse que eu tinha nascido em berço de ouro e que Deus ia me dar uma esposa. Certamente ele não sabia que eu nasci em um dos países mais pobres e primitivos do mundo e passei os primeiros anos de vida morando no mato. E certamente ele não percebeu que eu já tinha uma aliança na mão esquerda.
Às vezes, a vontade de acreditar é tão forte que quem ouve a profetada acaba recebendo uma mensagem do jeito que quer ouvir, e não do jeito que ela foi proferida. Por exemplo, assisti um vídeo em que um pastor disse que uma irmã lhe havia falado: "Deus me disse que você parou de fazer uma coisa que costumava fazer. Você tem que voltar a fazer aquilo. Faz sentido pra você?". Esta é uma típica frase usada por estes profetas. Falam algo genérico, que poderia ser aplicado a qualquer pessoa, e perguntam se faz sentido. O pastor em questão concluiu que Deus estava falando que ele deveria voltar a orar de madrugada na igreja, como costumava fazer no passado. Mas isto não foi o que a profetiza disse, foi o que ele subentendeu. Compare isto com as profecias da Bíblia e você vai perceber a diferença. Quando Deus quer passar uma mensagem, ele fala claramente, não fica dando margem pra pessoa adivinhar o significado da mensagem. Quando o profeta Ágabo falou com Paulo em Atos 10, foi muito claro: "você vai ser preso por judeus em Jerusalém e entregue aos gentios."
Certa vez eu estava almoçando com alguns crentes quando uma senhora se alterou subitamente e disse que estava "recebendo algo" sobre mim. Ela disse que eu ia receber uma mensagem, talvez uma carta. Só não sabia dizer o conteúdo da mensagem, nem o que eu devia fazer com aquilo. Que espécie de profecia é essa? Recebo dúzias de e-mails todos os dias, o que isso tem de especial? Outros tipos de profetadas bem populares são:
"Você vai fazer uma viagem", "Deus tem um plano na sua vida", "Sua igreja vai crescer", "Vi um caixão na sua sala", "Você vai ser um grande pregador", "Deus vai te dar aquilo que você está pedindo a Ele há muito tempo", etc. Estas coisas podem se aplicar a qualquer pessoa. Às vezes vai se cumprir, às vezes não. Às vezes a pessoa vai procurar agir de acordo com a palavra que recebeu, o que não significa que foi uma revelação sobrenatural de Deus.
O pior de tudo é que você pode até concordar com tudo o que eu escrevi acima e ainda assim você vai dizer que no seu caso foi diferente. A sua profecia foi real. Todo mundo diz isso. Bem, quem sou eu pra julgar suas experiências, já tenho muito trabalho com as minhas. Eu sei que existem relatos que parecem ser realmente sobrenaturais, mas não tem sido esta a minha (pequena) experiência pessoal. A maioria dos que estão por aí são falsos profetas, e tem sido assim desde os tempos bíblicos. O que eles falam pode não parecer prejudicial, mas falar algo em nome de Deus sem Ele ter mandado é muito perigoso. Cuidado com eles!
Jr 14:14 - "E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam."
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Pastor ou Apóstolo?
Ef 4:11,12 - "E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;"
Existe confusão entre as pessoas quanto a alguns termos que aparecem no Novo Testamento, como apóstolo, evangelista, profeta, bispo, presbítero, pastor, doutor (ou mestre), ancião e diácono. A palavra ancião é tradução do grego "presbiteros", ao passo que bispo, ou supervisor, é tradução de "episcopos". Trata-se de duas palavras distintas para o mesmo cargo de líder da igreja local. O nome "ancião" enfatiza a maturidade do homem, tanto em questões espirituais quanto em experiência de vida. A palavra "bispo" enfatiza a função de supervisor espiritual da igreja. Uma terceira palavra usada neste contexto é pastor ("poimen"), que foca na função de pastoreio exercida pelos anciãos. Apesar da popularidade do termo "pastor" hoje em dia, a palavra "poimen" aparece somente uma vez na Bíblia em associação com uma função na igreja, precisamente em Ef 4:11 (no entanto, na Bíblia em português, às vezes a palavra "presbiteros" foi traduzida como pastores). A maioria dos teólogos que consultei coloca "doutores" e "mestres" como sinônimos de pastores, uma vez que o final de Ef 4:11 pode ser traduzido como "...e outros para pastores, ou seja, doutores". Como doutores ou mestres são os que ensinam as Escrituras, a principal função do pastor é ensinar. Em geral esta função era exercida por anciãos, mas uma pessoa podia ter o dom de ensino/pastoreio sem ter o cargo de ancião.
Resumindo, as palavras ancião, presbítero e bispo referem-se ao mesmo cargo. Hoje em dia, a maioria das igrejas evangélicas daria o nome de pastor a tal cargo.
Assim, pastores são os que cuidam do rebanho, liderando, alimentando com a Palavra de Deus e zelando para que as ovelhas não se desgarrem. O papel do pastor não é primeiramente evangelizar os perdidos. Isto é tarefa de todos os crentes e em particular dos evangelistas. O pastor deve equipar as ovelhas com a verdade para que elas possam crescer de maneira saudável no conhecimento da Palavra.
Note que em Ef 4:12, citado acima, são as ovelhas que estão no ministério, não os pastores. O pastor é quem as prepara para o ministério. As ovelhas devem ir à igreja, ouvir os pastores ensinarem a Palavra de Deus para crescerem e amadurecerem, de forma que elas possam ministrar no serviço que Deus espera de cada uma delas. Este ministério individual não precisa ser um cargo na igreja, mas é o serviço diário de cada cristão, que envolve evangelizar o próximo, apoiar os irmãos e a prática das mutualidades descritas no Novo Testamento (os famosos "uns aos outros").
Os pastores devem ser escolhidos de acordo com os critérios descritos em I Tm 3:1-7 e Tt 1:5-9, que incluem capacidade de ensinar, conhecimento da Bíblia, capacidade de liderar comprovada pela forma como governam suas famílias e bom testemunho de vida, pois eles devem ser exemplo daquilo que ensinam:
I Pe 5:1-3: "AOS presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas SERVINDO DE EXEMPLO AO REBANHO."
Note que em nenhum lugar da Bíblia exige-se que os pastores sejam grandes ganhadores de almas, criativos, dinâmicos, divertidos, pró-ativos, visionários, etc. Algumas destas características podem ser úteis, mas elas não são requisitos para um bom pastor segundo a Bíblia.
Com relação aos diáconos, supõe-se que eles tenham sido instituídos em At 6 para servirem à igreja na distribuição de recursos às viúvas, embora o termo diácono só apareça pela primeira vez em Fp 1:1. A palavra diácono significa "servo", e parece que exerciam tarefas diversas que eram atribuídas pelos presbíteros. Os requisitos para a escolha de diáconos (I Tm 3:8-13) envolvem o mesmo padrão moral exigido dos pastores, só que dos diáconos não se cobra a capacidade de ensinar, pois esta não é sua tarefa.
Resta falar sobre apóstolos e profetas. Vamos tratar dos profetas em outra ocasião, quando falarmos do cânon da Bíblia. A palavra apóstolo significa "enviado", dando a idéia de alguém que é um representante oficial de outra pessoa. Um apóstolo tem uma posição de grande responsabilidade e age com poder e autoridade em nome daquele que o enviou. Quando Jesus selecionou 12 dos seus discípulos e os chamou de apóstolos (Lc 6:12-13), Ele conferiu a eles grande autoridade e poder para autenticarem sua mensagem por meio de sinais e assim estabelecerem os fundamentos sobre os quais a igreja seria edificada.
O único caso de sucessão apostólica mencionado na Bíblia ocorre em At 1:16-26, quando Matias foi escolhido para substituir Judas em cumprimento a uma profecia de Sl 109:8. Aqui, encontramos os requisitos para ser um dos 12 apóstolos: teria que ter estado com Jesus desde seu batismo até sua assunção, tendo ouvido seus ensinos e sendo testemunha ocular da Sua ressurreição, além de ser escolhido por Deus.
O grupo dos 12 apóstolos não pode ser ampliado, uma vez que seus nomes estão gravados nos fundamentos do muro da Nova Jerusalém (Ap. 21:14). O que dizer, então, de Paulo? Ele passava boa parte do tempo tendo que provar que era um apóstolo verdadeiro, igual aos 12 em autoridade (I Co 1:1; 9:1-5; II Co 1:1; 11:5; Gl 1:1-2:15; II Tm 1:1,11). Apesar de Paulo não ter acompanhado Jesus desde o início, ele viu o Cristo ressuscitado e foi pessoalmente escolhido por Ele (At 9:3-7, 17; 22:6-9; 26:12-16; I Co 15:8), tendo mostrado os sinais milagrosos de um verdadeiro apóstolo. A respeito de si mesmo, Paulo diz ser o último dos apóstolos, nascido fora de tempo (I Co 15:8), pois não esteve com Jesus desde o início. Outro que talvez possa ser qualificado como apóstolo foi Tiago, meio-irmão de Jesus e líder da igreja de Jerusalém, que foi testemunha ocular da ressurreição de Cristo (I Co 15:7) e contado com os apóstolos (Gl 1:19). Outro homem que é chamado de apóstolo é Barnabé (At 14:14).
Para entender porque diversos Cristãos foram chamados de apóstolos na Bíblia, apesar dos requisitos restritivos para a definição de apóstolo, note que em I Co 15, ao falar sobre a ressurreição de Cristo, Paulo menciona que Ele apareceu primeiro a Cefas, depois aos doze (v. 5, será que Matias estava presente?), depois por mais de quinhentos irmãos (v. 6), depois por Tiago e por "todos os apóstolos" (v. 7). Perceba que "todos os apóstolos" refere-se a outros que não os 12 ou Tiago. Com isso, pode-se concluir que havia outros apóstolos além dos
12, mas todos haviam visto o Cristo ressuscitado e sido chamados pessoalmente por ele. Possivelmente, este número inclui os 70 que Jesus havia enviado previamente a pregarem a chegada do Reino de Deus e operarem milagres (Lc 10). Pode ser que Barnabé fosse um desses, embora isso não possa ser verificado; é possível que ele tenha sido chamado de apóstolo apenas no sentido de alguém enviado pela Igreja para uma obra missionária. Seja como for, o último a ser comissionado pelo Cristo ressuscitado foi Paulo.
Assim, temos 2 classes de apóstolos: a primeira é formada por Paulo, os 12 e outros escolhidos e enviados pessoalmente por Jesus como seus representantes autorizados; a segunda é formada por alguns outros mencionados em Atos, escolhidos e enviados pelos apóstolos como representantes autorizados da Igreja. Não existem outros casos de sucessão dos 12 além de Matias. Quando Tiago, filho de Zebedeu, que era dos 12, foi morto por Herodes Agripa I (At 12:1-2), a igreja não o substituiu. Também não existem instruções nas epístolas sobre como escolher um apóstolo, embora haja instrução para a escolha de presbíteros e diáconos. Na verdade, em vista dos requisitos de um verdadeiro apóstolo, ninguém nascido após o primeiro século da era cristã se qualificaria como candidato. Paulo foi o derradeiro, como ele mesmo disse. Na verdade, concluímos que os apóstolos não são necessários na igreja atual, uma vez que sua tarefa era estabelecer a igreja e sua doutrina (Jo 14:26; 16:12-13; Ef 2:20). Como a doutrina já foi entregue de uma vez por todas (como veremos), apóstolos não são mais necessários. A igreja de Cristo deve ser governada por presbíteros e servida por diáconos. Nada de papas, apóstolos ou super-bispos.
Para mais informações, recomendo: Mal Couch, "A Bible handbook to the Acts of the Apostles", Kregel.
Assinar:
Postagens (Atom)
