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sábado, 19 de março de 2016
Dois Messias de Israel?
"Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si;...Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados... Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca... E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão." extraído de Isaías 53
Há muito que os Cristãos têm usado o capítulo 53 de Isaías como ferramenta de evangelização dos judeus, uma vez que o texto descreve o sofrimento, morte e ressurreição do Messias com detalhes que se assemelham tremendamente com o que aconteceu com Jesus séculos depois. Em resposta, os judeus costumam afirmar contundentemente que tal texto não se refere ao Messias, mas sim à nação de Israel, pois o Servo do Senhor nos capítulos anteriores parece referir-se a Israel.
Um judeu certa vez me disse que tal passagem nunca havia sido interpretada pelos rabinos como referindo-se ao Messias. Bem, isso não é verdade. No passado, muitos rabinos identificaram essa passagem com o Messias, e é isso que quero deixar claro neste post. Para isso, vou repetir meu expediente do post "O pré-milenismo Judaico", fazendo uso do impressionante trabalho de Raphael Patai, "The Messiah texts", Wayne State University Press, 1988, que consiste de uma coletânea de textos messiânicos e escatológicos da literatura judaica dos últimos três mil anos, incluindo o Velho Testamento, Talmud, Targum, Midrash, Zohar, etc. Patai é um historiador e antropologista reconhecido internacionalmente, com doutorados pela Universidade Hebraica de Jerusalém e pela Universidade de Breslau, além de ter sido ordenado no Seminário Rabínico de Budapest.
Sobre Isaías 53, Patai é bem claro:
"Este grande poeta-profeta [Isaías] falou repetidamente sobre o 'Servo do Senhor', descrevendo a chamada, missão, sofrimento, morte e ressurreição deste misterioso indivíduo (Is 42:1-4; 49:1-6; 50:4-9; 52:13-53:12). Quanto à identidade desse 'Servo', não existe consenso entre os estudiosos até hoje. Entretanto, a Aggada, uma lenda Talmúdica, identifica-o, sem hesitação, com o Messias e entende a descrição do seu sofrimento como referindo-se ao Messias filho de Davi", Patai, pp. xxiii.
Sobre a morte do Messias, Patai continua,
"Uma profecia de Daniel...fala da morte do Messias sessenta e duas semanas (proféticas) após sua vinda e após o retorno e a reconstrução de Jerusalém (Dn 9:24-26).", pp. 166.
"Quando a morte do Messias se tornou um fato estabelecido nos tempos Talmúdicos, sentiu-se que isso era irreconciliável com a crença no Messias como Redentor que iria inaugurar o milênio de bênçãos da era Messiânica. O dilema foi resolvido separando-se a pessoa do Messias em duas: uma delas, chamada de Messias filho de José, cairia vítima de Gog e Magog. O outro, Messias filho de Davi, virá após ele (em algumas lendas ele o traz de volta à vida, o que psicologicamente aponta para a identidade dos dois).", pp. 166.
Note-se que existe certa confusão sobre se os dois Messias mencionados acima são duas pessoas distintas ou se um é a ressurreição do outro. Com relação a isso, o texto a seguir usa a ênfase que o Talmud dá na comparação entre Moisés e o Messias, de onde os sábios judeus concluem que o Messias virá duas vezes:
"Assim como Moisés morre antes de entrar na Terra Prometida, o Messias também precisa morrer antes de sua missão ser completada, mas ele também precisa viver para poder se assentar no trono de Davi em Jerusalém. Portanto, dois Messias precisam aparecer, um após o outro. O primeiro, Messias filho de José, é morto... por Armilus... Mas, então, ele volta à vida... O Messias filho de Davi aparece... e o ressuscita. Uma vez que nada mais é dito sobre ele [Messias filho de José] após sua ressurreição, o que se deve entender é que... ele, como filho de José, irá morrer no fim dos tempos, mas então irá voltar à vida como o Filho de Davi e completar a missão que ele começou na sua encarnação anterior.", Patai, pp. xxxiii.
O nome 'Messias filho de José' coincidentemente aplica-se a Jesus, filho de José. Na literatura rabínica, ele deve-se à profecia de sua vinda dada à sua ancestral, Raquel. "Quando, após anos de esterilidade, Raquel finalmente deu a luz a um filho, ela o chamou de José (Yosef), dizendo, 'Que o Senhor me acrescente [yosef] ainda outro filho' (Gn 30:24)." Como Raquel não teve outro filho, "um fragmento de Midrash explica: 'Logo, [sabemos] que o Ungido da guerra surgirá no futuro a partir de José...[E Raquel disse:] Deus tirou [asaf] meu opróbrio (ibid. v. 23) - porque foi profetizado a ela que o Messias viria dela'.", Patai, pp. 165.
Para nós, Cristãos dispensacionalistas, Yeshua ben Yosef (Jesus filho de José) é Mashiah ben Yosef e voltará como Mashiah ben David (Messias filho de Davi) para esmagar Armilus (o Anti Cristo) e inaugurar o Milênio de paz sobre Israel. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
"Eu, pois, ouvi, mas não entendi; por isso eu disse: Senhor meu, qual será o fim destas coisas? E ele disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim. Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; mas os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão.", Dn 12:8-10
domingo, 25 de janeiro de 2015
O Pré-milenismo Judaico
Para se entender certas coisas na Bíblia, é importante conhecer como pensavam os judeus na época de Jesus e o que eles esperavam do Messias. Por que os discípulos tinham tantas expectativas quanto ao Reino de Deus (veja o post Pedro era amilenista?) e se decepcionaram tanto com a morte de Jesus (veja Lc 24:21)? O que os fariseus esperavam do Cristo e por que as respostas de Jesus os confudiam tanto?
Curiosamente, uma leitura de antigos textos do Judaísmo revela uma incrível semelhança com a visão dispensacionalista da Bíblia. O presente artigo faz uso do impressionante trabalho de Raphael Patai, "The Messiah texts", Wayne State University Press, 1988, que consiste de uma coletânea de textos messiânicos e escatológicos da literatura judaica dos últimos três mil anos, incluindo o Velho Testamento, Talmud, Targum, Midrash, Zohar, etc. Patai é um historiador e antropologista reconhecido internacionalmente, com doutorados pela Universidade Hebraica de Jerusalém e pela Universidade de Breslau, além de ter sido ordenado no Seminário Rabínico de Budapest. A seguir, comparo alguns textos bíblicos e sua interpretação dispensacionalista com a visão dos rabinos antigos a respeito de sete tópicos ligados à escatologia (a doutrina do fim dos tempos). É bom enfatizar que não endosso a tradição extra-Bíblica do Judaísmo atual como se fosse cristã, pois a mesma contraria o Cristianismo em muitos pontos. No entanto, dentro de certas áreas encontramos surpreendentes coincidências entre a Palavra de Deus e os escritos dos rabinos. Estes textos são importantes, também, para esclarecer dúvidas daqueles que acham que as interpretações dispensacionalistas apresentadas abaixo nasceram com John Nelson Darby no século XIX.
A) O anticristo, os sete anos de Tribulação e o quadro geral dos últimos tempos
"E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador", Dn 9:27a
"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus...E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda", II Ts 2:3-4,8
Interpretação dispensacionalista: Nos últimos tempos haverá apostasia e degradação moral da sociedade (em contraste com o quadro otimista pintado pelos pós-milenistas). Haverá sete anos de Grande Tribulação, onde o Anticristo governará e será adorado como deus. Ele virá das nações do antigo Império romano. Então, o verdadeiro Messias o destruirá e virá para reinar.
Os rabinos:
"Ocorrerão cataclismas cósmicos: pestilência, fome, terremotos, neve e saraiva, relâmpagos e trovões...insolência, roubos, heresias, prostituição, corrupção, opressão, leis cruéis, falta da verdade e falta de temor de pecar. Tudo isto levará a uma degradação interna, desmoralização e apostasia. As coisas chegarão a tal ponto que as pessoas desesperarão da Redenção. Isto durará sete anos. Então, inesperadamente, o Messias virá", Patai, pp. 96
"No sexto ano do septenário Messiânico, sons serão ouvidos; no sétimo, haverá guerras, e ao final do sétimo, o Filho de Davi virá. Guerras são o princípio da redenção", B. Meg. 17b
"Eles o chamam de Armilus. E ele irá a Edom (Roma) e dirá a eles: 'Eu sou o seu Messias, eu sou o seu deus!'. E ele os enganará e eles instantaneamente acreditarão nele, e o farão seu rei" T'fillat R. Shim'on ben Yohai, BhM 4:124-26
Note que os judeus chamam o anticristo de Armilus, dentre outros nomes.
B) A mulher e o dragão
"E VIU-SE um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça...E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias...E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem. E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.", Ap 12
Interpretação dispensacionalista: A mulher é a nação de Israel, 1260 dias são os três anos e meio finais da Tribulação, o dragão é o diabo, que perseguirá Israel por meio do Anticristo. Mas Israel se refugiará no deserto.
Os rabinos:
"Então, um homem aparecerá naquele lugar e todo o Israel se ajuntará...e juntos irão àquele homem, Armilus, que dirá 'Eu sou o Messias, seu rei e seu príncipe'...Então todo o Israel se ajuntará e irá para o deserto de Efraim...e invocará Deus...e o rei maligno se enfurecerá e ordenará que eles sejam mortos...e os filhos de Israel...irão para o deserto e levantarão suas vozes...e clamarão a Deus...Então, Deus lhes enviará Sua misericórdia e abrirá as janelas do céu." Ma'ase Daniel, pp 222-25
C) Os dez chifres da besta
"E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta. Estes têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta.", Ap 17:12,13
Interpretação dispensacionalista: Os dez chifres são dez reis de nações que formavam o antigo Império Romano, que darão apoio ao Anticristo.
Os rabinos:
"...virá Armilus e ele governará todo o mundo...E todos os que não acreditarem nele morrerão...E ele virá à terra de Israel com dez reis...E haverá sofrimento em Israel como nunca houve no mundo. E eles fugirão para as fendas e cavernas nos desertos. E todas as nações do mundo seguirão aquele maligno, o satânico Armilus, exceto Israel.", Sefer Zerubbabel, BhM 2:54-57
D) O Armagedom e a Segunda Vinda
"E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça....E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava
assentado sobre o cavalo, e ao seu exército...E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes.", Ap 19:11,19,21
Interpretação dispensacionalista: ao final da Tribulação, o Messias virá e vencerá os exércitos do Anticristo com sua palavra e as aves se alimentarão de seus cadáveres.
Os rabinos:
"Gogue e Magogue subirão contra a terra de Israel...e dirão... 'lutarei contra seu Deus primeiro e depois os aniquilarei'", Mid. waYosha', BhM 1:56
"E o Nome, bendito seja Ele, descerá sobre o Monte das Oliveiras, e as montanhas se separarão...e Ele lutará contra aquelas nações como um homem de guerra...E o Messias Filho de Davi virá...e matará Armilus.", Sefer Zerubbabel, BhM 2:54-57
"haviam se ajuntado dos quatro ventos do céu uma multidão inumerável de homens para guerrearem contra aquele Homem...ele enviou da sua boca uma corrente de fogo...e esta caiu sobre a multidão...e queimou a todos...", 4 Ezra 13:1-9, 25-26, 35-36
"E o Santo, bendito seja, ajuntará todas as aves do céu e as feras da terra para comerem suas carnes e beberem seu sangue", Sefer Eliyahy, BhM 3:65-67
E) O Milênio
Existem textos demais falando sobre o Milênio na literatura rabínica. Por falta de espaço, vou me restringir a um texto que menciona uma das inúmeras previsões (fracassadas, é claro) sobre a época do início do Reino do Messias.
Os rabinos: "Felizes serão todos aqueles que permanecerão no mundo ao final do sexto milênio para entrar no [milênio do] Sabbath...", Zohar 1:119a
Infelizmente, tal interpretação do Reino de Deus como sendo o sétimo Milênio do planeta terra também já foi defendida por alguns dispensacionalistas no passado.
F) O diabo e os ímpios lançados no lago de fogo
"E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta...E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.", Ap 20:10,15
Interpretação dispensacionalista: No fim do Milênio, Cristo lançará o diabo no lago de fogo. Logo em seguida, após o Juízo Final, os ímpios terão o mesmo destino.
Os rabinos:
"Quando Satanás viu o Messias, ele tremeu, caiu sobre seu rosto e disse 'deveras, este é o Messias que no futuro irá me lançar e a todos os príncipes das nações do mundo no Gehenna'", Pes. Rab. pp. 161a-b
G) A nova Jerusalém
"E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.", Ap 21:1
"E as doze portas eram doze pérolas; cada uma das portas era uma pérola;", Ap 21:21a
Interpretação dispensacionalista: Após o Juízo Final, na nova terra haverá uma nova cidade de Jerusalém vinda do céu, cujos portões serão pérolas gigantes.
Os rabinos:
"E todo o Israel achará favor aos olhos de Deus. No lugar da Jerusalém destruída, Ele baixará para eles uma Jerusalém dos céus", Ma'ase Daniel, pp 225
"No futuro, o Santo, bendito seja Ele, trará pedras preciosas e pérolas de trinta por trinta côvados em tamanho e irá perfurar nelas aberturas de dez por vinte, e as porá nos portões de Jerusalém", B. Bab. Bath. 75a
Conclusão
É impossível uniformizar os ensinos rabínicos sobre os últimos tempos, pois, além do estudo do Velho Testamento, eles se baseiam em diversas visões, lendas e mitos. Contudo, os textos que expus neste artigo resumem o quadro geral defendido por muitos deles. Com toda esta semelhança entre o dispensacionalismo e o judaísmo, devida a uma interpretação literal das profecias do Velho Testamento, pode-se perguntar se os dispensacionalistas não entenderam erradamente a Bíblia, assim como os judeus nos tempos de Cristo. De fato, até hoje os judeus usam o argumento de que Jesus não cumpriu as profecias Messiânicas para negar que Ele era o Cristo. Para entender a resposta a este argumento, vale a pena estudar o que os rabinos antigos diziam sobre os textos que falam sobre o sofrimento e morte do Messias. Mas isso fica para um próximo artigo.
p.s. As referências completas para as abreviações acima podem ser encontradas no livro do Prof. Patai.
Curiosamente, uma leitura de antigos textos do Judaísmo revela uma incrível semelhança com a visão dispensacionalista da Bíblia. O presente artigo faz uso do impressionante trabalho de Raphael Patai, "The Messiah texts", Wayne State University Press, 1988, que consiste de uma coletânea de textos messiânicos e escatológicos da literatura judaica dos últimos três mil anos, incluindo o Velho Testamento, Talmud, Targum, Midrash, Zohar, etc. Patai é um historiador e antropologista reconhecido internacionalmente, com doutorados pela Universidade Hebraica de Jerusalém e pela Universidade de Breslau, além de ter sido ordenado no Seminário Rabínico de Budapest. A seguir, comparo alguns textos bíblicos e sua interpretação dispensacionalista com a visão dos rabinos antigos a respeito de sete tópicos ligados à escatologia (a doutrina do fim dos tempos). É bom enfatizar que não endosso a tradição extra-Bíblica do Judaísmo atual como se fosse cristã, pois a mesma contraria o Cristianismo em muitos pontos. No entanto, dentro de certas áreas encontramos surpreendentes coincidências entre a Palavra de Deus e os escritos dos rabinos. Estes textos são importantes, também, para esclarecer dúvidas daqueles que acham que as interpretações dispensacionalistas apresentadas abaixo nasceram com John Nelson Darby no século XIX.
A) O anticristo, os sete anos de Tribulação e o quadro geral dos últimos tempos
"E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador", Dn 9:27a
"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus...E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda", II Ts 2:3-4,8
Interpretação dispensacionalista: Nos últimos tempos haverá apostasia e degradação moral da sociedade (em contraste com o quadro otimista pintado pelos pós-milenistas). Haverá sete anos de Grande Tribulação, onde o Anticristo governará e será adorado como deus. Ele virá das nações do antigo Império romano. Então, o verdadeiro Messias o destruirá e virá para reinar.
Os rabinos:
"Ocorrerão cataclismas cósmicos: pestilência, fome, terremotos, neve e saraiva, relâmpagos e trovões...insolência, roubos, heresias, prostituição, corrupção, opressão, leis cruéis, falta da verdade e falta de temor de pecar. Tudo isto levará a uma degradação interna, desmoralização e apostasia. As coisas chegarão a tal ponto que as pessoas desesperarão da Redenção. Isto durará sete anos. Então, inesperadamente, o Messias virá", Patai, pp. 96
"No sexto ano do septenário Messiânico, sons serão ouvidos; no sétimo, haverá guerras, e ao final do sétimo, o Filho de Davi virá. Guerras são o princípio da redenção", B. Meg. 17b
"Eles o chamam de Armilus. E ele irá a Edom (Roma) e dirá a eles: 'Eu sou o seu Messias, eu sou o seu deus!'. E ele os enganará e eles instantaneamente acreditarão nele, e o farão seu rei" T'fillat R. Shim'on ben Yohai, BhM 4:124-26
Note que os judeus chamam o anticristo de Armilus, dentre outros nomes.
B) A mulher e o dragão
"E VIU-SE um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça...E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias...E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem. E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.", Ap 12
Interpretação dispensacionalista: A mulher é a nação de Israel, 1260 dias são os três anos e meio finais da Tribulação, o dragão é o diabo, que perseguirá Israel por meio do Anticristo. Mas Israel se refugiará no deserto.
Os rabinos:
"Então, um homem aparecerá naquele lugar e todo o Israel se ajuntará...e juntos irão àquele homem, Armilus, que dirá 'Eu sou o Messias, seu rei e seu príncipe'...Então todo o Israel se ajuntará e irá para o deserto de Efraim...e invocará Deus...e o rei maligno se enfurecerá e ordenará que eles sejam mortos...e os filhos de Israel...irão para o deserto e levantarão suas vozes...e clamarão a Deus...Então, Deus lhes enviará Sua misericórdia e abrirá as janelas do céu." Ma'ase Daniel, pp 222-25
C) Os dez chifres da besta
"E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta. Estes têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta.", Ap 17:12,13
Interpretação dispensacionalista: Os dez chifres são dez reis de nações que formavam o antigo Império Romano, que darão apoio ao Anticristo.
Os rabinos:
"...virá Armilus e ele governará todo o mundo...E todos os que não acreditarem nele morrerão...E ele virá à terra de Israel com dez reis...E haverá sofrimento em Israel como nunca houve no mundo. E eles fugirão para as fendas e cavernas nos desertos. E todas as nações do mundo seguirão aquele maligno, o satânico Armilus, exceto Israel.", Sefer Zerubbabel, BhM 2:54-57
D) O Armagedom e a Segunda Vinda
"E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça....E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava
assentado sobre o cavalo, e ao seu exército...E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes.", Ap 19:11,19,21
Interpretação dispensacionalista: ao final da Tribulação, o Messias virá e vencerá os exércitos do Anticristo com sua palavra e as aves se alimentarão de seus cadáveres.
Os rabinos:
"Gogue e Magogue subirão contra a terra de Israel...e dirão... 'lutarei contra seu Deus primeiro e depois os aniquilarei'", Mid. waYosha', BhM 1:56
"E o Nome, bendito seja Ele, descerá sobre o Monte das Oliveiras, e as montanhas se separarão...e Ele lutará contra aquelas nações como um homem de guerra...E o Messias Filho de Davi virá...e matará Armilus.", Sefer Zerubbabel, BhM 2:54-57
"haviam se ajuntado dos quatro ventos do céu uma multidão inumerável de homens para guerrearem contra aquele Homem...ele enviou da sua boca uma corrente de fogo...e esta caiu sobre a multidão...e queimou a todos...", 4 Ezra 13:1-9, 25-26, 35-36
"E o Santo, bendito seja, ajuntará todas as aves do céu e as feras da terra para comerem suas carnes e beberem seu sangue", Sefer Eliyahy, BhM 3:65-67
E) O Milênio
Existem textos demais falando sobre o Milênio na literatura rabínica. Por falta de espaço, vou me restringir a um texto que menciona uma das inúmeras previsões (fracassadas, é claro) sobre a época do início do Reino do Messias.
Os rabinos: "Felizes serão todos aqueles que permanecerão no mundo ao final do sexto milênio para entrar no [milênio do] Sabbath...", Zohar 1:119a
Infelizmente, tal interpretação do Reino de Deus como sendo o sétimo Milênio do planeta terra também já foi defendida por alguns dispensacionalistas no passado.
F) O diabo e os ímpios lançados no lago de fogo
"E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta...E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.", Ap 20:10,15
Interpretação dispensacionalista: No fim do Milênio, Cristo lançará o diabo no lago de fogo. Logo em seguida, após o Juízo Final, os ímpios terão o mesmo destino.
Os rabinos:
"Quando Satanás viu o Messias, ele tremeu, caiu sobre seu rosto e disse 'deveras, este é o Messias que no futuro irá me lançar e a todos os príncipes das nações do mundo no Gehenna'", Pes. Rab. pp. 161a-b
G) A nova Jerusalém
"E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.", Ap 21:1
"E as doze portas eram doze pérolas; cada uma das portas era uma pérola;", Ap 21:21a
Interpretação dispensacionalista: Após o Juízo Final, na nova terra haverá uma nova cidade de Jerusalém vinda do céu, cujos portões serão pérolas gigantes.
Os rabinos:
"E todo o Israel achará favor aos olhos de Deus. No lugar da Jerusalém destruída, Ele baixará para eles uma Jerusalém dos céus", Ma'ase Daniel, pp 225
"No futuro, o Santo, bendito seja Ele, trará pedras preciosas e pérolas de trinta por trinta côvados em tamanho e irá perfurar nelas aberturas de dez por vinte, e as porá nos portões de Jerusalém", B. Bab. Bath. 75a
Conclusão
É impossível uniformizar os ensinos rabínicos sobre os últimos tempos, pois, além do estudo do Velho Testamento, eles se baseiam em diversas visões, lendas e mitos. Contudo, os textos que expus neste artigo resumem o quadro geral defendido por muitos deles. Com toda esta semelhança entre o dispensacionalismo e o judaísmo, devida a uma interpretação literal das profecias do Velho Testamento, pode-se perguntar se os dispensacionalistas não entenderam erradamente a Bíblia, assim como os judeus nos tempos de Cristo. De fato, até hoje os judeus usam o argumento de que Jesus não cumpriu as profecias Messiânicas para negar que Ele era o Cristo. Para entender a resposta a este argumento, vale a pena estudar o que os rabinos antigos diziam sobre os textos que falam sobre o sofrimento e morte do Messias. Mas isso fica para um próximo artigo.
p.s. As referências completas para as abreviações acima podem ser encontradas no livro do Prof. Patai.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
A vinda de Cristo e as profecias de Daniel
Palestra ministrada por Erico Rempel na ABU do Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA. Previsões bíblicas sobre as duas vindas de Cristo, incluindo a data de Sua morte.
sábado, 23 de agosto de 2014
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Vídeo blog: A mulher montada sobre a besta
Descrição dos eventos que ocorrerão na Grande Tribulação, com ênfase nas 7 taças de Apocalipse 16 e o julgamento da meretriz de Apocalipse 17, Babilônia, a Grande.
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