terça-feira, 7 de junho de 2011

Big Bang



Conforme prometido, vou começar a discutir algumas possíveis interpretações para os primeiros dois capítulos de Gênesis e como eles devem ser aceitos, apesar dos ataques da ciência secular. Minha intenção aqui não é apresentar bases científicas para o texto, apesar de que faremos um pouco disto. No final das contas, acreditamos na Bíblia porque o Espírito nos convence de que ela é a verdade, como comentei no post "Por que sou um Cristão?". Também não tenho a pretenção de apresentar a interpretação definitiva do texto, pois foi escrito em uma linguagem simples e com poucos detalhes. Vou fazer apenas um apanhado geral das teorias e deixar o veredito com o leitor. Tenho ouvido de pessoas que abandonaram a fé cristã que professavam por causa de dúvidas quanto à coerência científica da Bíblia, mas também conheço pessoalmente outros (biólogos e astrônomos) que eram ateus e se tornaram Cristãos após estudarem o livro de Gênesis. No final das contas, a pessoa crê se tiver fé e endurece o coração se não tiver. E sem fé é impossível agradar a Deus.

Primeiro, vou resumir o modelo mais aceito hoje pelos cosmólogos, conforme apresentado por Malcolm Longair, ex-professor de Física da Universidade de Cambridge. Vou gastar um pouco de tempo com esta descrição porque certos detalhes serão importantes para entender algumas das interpretações de Gênesis 1 a serem apresentadas no próximo artigo.

Big Bang, modelo padrão

Até onde se pode observar, o universo encontra-se em expansão, com as galáxias afastando-se umas das outras, sendo que a velocidade com que uma galáxia se afasta da nossa é proporcional à sua distância (Lei de Hubble). Segundo esta teoria, se pudéssemos viajar ao passado, veríamos o universo se comprimindo cada vez mais, com o espaço se reduzindo até chegar a um ponto, antes do qual o tempo e o espaço simplesmente não existem. Este ponto, chamado de singularidade, é onde o tempo e o espaço começam. Alguns cientistas têm um problema com a idéia de que haja um começo da criação. Preferem imaginar que o universo sempre existiu e que antes do instante inicial havia outros universos se expandindo e comprimindo infinitamente. Esta idéia de um universo sem início é conveniente para aqueles que não acreditam em Deus, pois se houve um começo de tudo, é necessário alguém para iniciar o processo. Mas a idéia de um universo sem começo não é a posição mais aceita pelos cientistas. No modelo padrão do big bang, admite-se que houve um início, mas não se sabe o que havia no instante zero, apenas tentam entender o que aconteceu logo após este instante e daí em diante.

No início, há aproximadamente 13,7 bilhões de anos, a maior parte da massa do universo se encontrava na forma de radiação. A altíssima temperatura da radiação impedia que as partículas elementares se associassem para criar os núcleos dos átomos que compõem a matéria comum. Assim, radiação e matéria estavam fortemente ligadas em uma "sopa primordial". Quando o universo se expandiu, a temperatura começou a cair. A queda de temperatura permitiu a associação de partículas elementares para a formação de outras partículas. Algumas centenas de milhares de anos depois, a temperatura caiu para 4000K e prótons e elétrons puderam se ligar para formar os primeiros átomos de hidrogênio e hélio. Nesta época, a matéria se separou da luz (ou seja, da radiação).

Algumas centenas de milhões (ou poucos bilhões) de anos se passaram até que a atração gravitacional entre partículas em nuvens moleculares foi capaz de gerar as primeiras estrelas. O interior das estrelas funciona como "fornos" para a produção de elementos pesados como carbono e ferro através de fusões nucleares. Quando o combustível necessário às reações nucleares se esgota, o interior da estrela sofre um colapso catastrófico devido à gravidade, e o processo pode gerar uma imensa explosão que expele os elementos pesados no espaço (esta é a chamada "poeira de estrelas"). No lugar da estrela morta, pode surgir um outro tipo de estrela ou um buraco negro. A Terra teria se formado há 4 bilhões de anos, contendo elementos pesados provenientes da poeira de estrelas.

A teoria do Big Bang tem sofrido muitas modificações ao longo dos anos e é possível que não resista ao teste do tempo durante o século XXI. A Ciência é assim mesmo, novas descobertas fazem idéias antigas ficarem obsoletas com frequência. Os homens são rápidos em anunciar que descobriram as respostas para as origens do universo, mas, com o passar do tempo, muitas vezes acabam tendo que se retratar. Somente a Bíblia pode nos fornecer a verdade absoluta sobre a criação. Por isso mesmo, não é prudente "amarrar" a interpretação do texto Bíblico a alguma teoria científica que não tenha sido absolutamente comprovada, pois assim que a teoria cair em descrédito, a interpretação também cairá. No entanto, as descobertas científicas podem lançar luz sobre o entendimento de alguns aspectos do texto Bíblico. Assim, vamos observar o que diz Gênesis 1 e quais são algumas possíveis interpretações.

Interpretação 1: Estritamente literal

No princípio, Deus criou os céus e a terra. Os céus não possuíam estrelas e a terra era sem forma e vazia. Após isto, Deus criou a luz e o firmamento, modelou a terra, criou os animais, colocou as estrelas e a lua no firmamento e criou o homem. Tudo isto em 6 dias de 24 horas, há aproximadamente seis mil anos.

Uma visão estritamente literal de Gênesis 1 sugere que esta é a interpretação correta. Aliás, para os que levam a Bíblia a sério, pode parecer a única interpretação aceitável. Eu mesmo já considerei que qualquer outra interpretação seria heresia e achava que as pessoas que defendiam outras posições estavam comprometendo a inspiração e a inerrância das Escrituras. No entanto, hoje eu creio que algumas coisas no texto abrem a possibilidade para diferentes interpretações. Por exemplo, se os céus foram criados no princípio mas não tinham astros, o que havia neles? Se o sol só foi criado no quarto dia, o que era a luz que foi criada no primeiro dia? Esta luz parece ser responsável pela determinação de tarde e manhã nos primeiros dias, mas no quarto dia Deus diz que o sol governa o dia e a lua governa a noite. O que aconteceu com a luz do dia 1? No dia 6 Deus criou o homem, "homem e mulher os criou". Portanto, Deus criou Adão e Eva no sexto dia. Mas, segundo Gênesis capítulo 2, algumas coisas aconteceram neste sexto dia entre a criação de Adão e a criação de Eva:

- Deus plantou um jardim no Éden (Gn 2:8)

- Deus fez as árvores do jardim brotarem da terra (Gn 2:9). Note que nos versos 5 e 6 de Gn 2 as árvores não tinham nascido ainda, pois não havia chuva nem homem para lavrar a terra e uma neblina regava a terra. Isto indica que as árvores brotaram e cresceram por processos naturais, o que leva tempo.

- Deus tomou o homem e o colocou no jardim (Gn 2:15).

- Deus trouxe todas as aves e todo animal do campo a Adão e este deu nome a eles todos (Gn 2:19-20).

- Deus colocou Adão para dormir, tomou uma costela dele e formou uma mulher (Gn 2:21-22).

Parece que foi um longo dia para Adão. Além destes pontos, em Gn 2:2-3, Deus descansa no sétimo dia. No entanto, diferentemente dos outros dias, aqui não se diz que houve tarde e manhã. Até quando Deus descansou? Este sábado já terminou? Se, porventura, o último dia teve mais de 24 horas, porque os demais não poderiam ter? Afinal de contas, Gn 2:4 fala do "DIA em que o Senhor Deus fez a terra e os céus" referindo-se a todo o período da criação, não apenas a um dos seis dias.

Estas dúvidas não são necessariamente irrespondíveis e não invalidam esta interpretação. Mas eu acho que é lícito considerar alternativas. Faremos isto no próximo post, se Deus quiser.

2 comentários:

  1. Erico,
    excelente post! Somente que me deixaste com a vontade de querer ler um pouco mais. Espero que não demorem em ser publicados os próximos post a respeito.
    Um grande abraço,
    Alejandro

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  2. Erico
    Excelente.
    Um abracao.
    Nilson

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